Diário íntimo de um velho repórter: minha declaração de voto não diz nada

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 LinkedIn 0 Filament.io 0 Flares ×

Vá lá: dentro da minha insignificância, se eu voto em um ou em outro não mexe bulhufas. É somente a minha escolha diante de um mar de quase 150 milhões de outras. Então, se penso dessa forma, por que, diabos, estou aqui escrevendo isso?

Em primeiro lugar, por mais que me procure em respostas, que meus neurônios pacificados por anos que já se contam em dezenas não processam como antes, creio que a razão é, de fundo, uma só: escrever é só o que faço. É meu único ofício, mas aqui, neste específico momento, não escrevo por dever, mas por prazer desabafo. Narcisista, de certa forma, confesso. Vamos lá, então: em quem vou votar para presidente?

Com toda a certeza, minha opção não será contra ninguém. Será, digamos assim, a favor. A favor da minha descrença de que os anos que ainda me restam por aqui – e desejo bastante que se estendam por mais algumas décadas – não sejam piores do que os atuais. Não tenho mais a ilusão de que o Brasil é o tal “slogado” país do futuro. É nada. Nunca foi.

calendário futuro

Vejo tantas coisas que considero erradas, grotescas, que provocam crenças tão absolutas nas multidões, que muitas vezes questiono se não sou eu que envelheci e me “ranzinei” demais. Talvez seja isso. Aliás, é isso, certamente. Acumulo, após 42 anos com os pés nas redações de jornais, rádios e televisões, mais dúvidas do que certezas. Acredito nas minhas soluções, mas estou permanentemente pronto para encontrar outras pessoas com soluções muito melhores. E piores também.

Meu voto nesta eleição vai externar na ponta dos meus dedos o resultado de todo o processo que moeu parte dos meus neurônios ao longo das décadas que vivi. Nenhuma ilusão de paraíso próximo, nenhuma crença no futuro lindo, nada de nirvana nos meus horizontes. Apenas meu voto. Não tenho a mínima confiança absoluta de que um ou outro é a solução para tudo. Eu me permito duvidar até das minhas escolhas. Portanto, não as recomendo a ninguém. Não por omissão, mas por respeito.