Diário íntimo de um velho repórter: nunca vi uma eleição começar e terminar do jeito que começou

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Gosto muito deste espaço, o “Diário íntimo”. A primeira vez que ele surgiu foi como pequena coluna dentro de uma colunona de página dupla no Jornal Opção. O inesquecível Herbert de Morais Ribeiro é quem me incentivou a fazê-lo: “escreva você sobre você”. Mas qual a linha editorial? Política ou comportamento? “Impressões pessoais”.

Muitos anos se passaram, o velho e precursor “Diário íntimo” desapareceu numa mudança editorial do jornal, e só retornou neste site, já com o acréscimo do “velho repórter”. Sim, o tempo passa – ainda bem.

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O tal “velho” é a única atualização da ideia original. Talvez por essa razão eu curta pra caramba me espraiar por aqui.

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Mas vamos ao tema, desta vez essencialmente político: nunca vi uma eleição como esta. Aliás, o correto seria situar como campanha e não exatamente eleição – que acontece num único dia, ou em dois em caso de necessidade legal.

Ahh, e cabe aqui, aos puristas da velha, bela e complicada flor do lácio a respeito da reafirmação/repetição de palavras que quase sempre constam em meus textos. São intencionais na maioria das vezes. O título deste momento “Diário íntimo” é uma desses. “Nunca vi uma eleição (campanha) começar e terminar do jeito que começou”. Poderia encurtar pra ficar mais direito, mais jornalístico. Mas o “Diário” é íntimo, não exatamente jornalismo.

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Mas o fato é que a campanha deste ano está absolutamente inusitada. Tenho adoração pela ciência estatística que são o alicerce das pesquisas eleitorais. Me interessei, e fiquei completamente apaixonado, através de leituras sobre o primeiro a sintetizar as pesquisas, o americano George Gallup, na década de 1930. Por aqui, elas se popularizaram no final dos anos 80, e atingiram o apogeu na década seguinte. Depois disso, como filão econômico – inúmeras vezes subterrâneo – tornaram-se complicados. A ciência perdeu muito para os cifrões graças à influência que as tabelas de percentuais dos candidatos exerceu sobre o eleitorado menos comprometido com o processo de escolha. E até isso foi avacalhado de tal forma que o poder das pesquisas despencou mesmo entre a parcela que restou de eleitores que votam para “não perder o voto”.

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Mas chega de desviar o foco. Vamos ao ponto. Acompanho as campanhas em Goiás desde a redemocratização, em 1982. E nunca vi uma só começar e terminar exatamente com a mesma formatação, sem alterações. Algumas, poucas, é verdade, até com viradas inusitadas.

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E neste momento eu me pergunto se vou viver a primeira eleição/campanha sem qualquer alteração. Com toda a sinceridade, tenho dúvidas se isso irá mesmo acontecer. De qualquer forma, e ainda assim, já há um fato diferente a ser registrado: nunca, até então, um quadro geral se manteve tão espantosamente estático como o atual. Há um ano, Ronaldo Caiado liderava as pesquisas mais ou menos com os mesmos índices exibidos atualmente. Muitos fatos políticos aconteceram em torno dele – e quase todos no sentido de enfraquecê-lo – como a falta de densidade representativa de sua enorme coligação de partidos chamados de nanicos.

Nenhuma análise jornalística séria concluiria que nada iria mudar. Pois nada mudou até aqui. E não foi por falta de esforço dos seus dois principais adversários, José Eliton e Daniel Vilela. E nem por falta de qualidades deles.

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Me confesso absolutamente curioso sobre o futuro próximo desta campanha/eleição em Goiás. Será uma novidade na história das eleições do Estado ou somente um caminhar diferente durante um certo tempo com emoções mais fortes na fase final como sempre aconteceu até hoje? Não sei. Nunca tive bola de cristal, mas curiosidade tenho de monte.