Diário íntimo de um velho repórter… Por que tanta pressa em ser ridículo nas redes sociais?

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É sempre assim. A cada acontecimento extraordinário, as redes sociais, principalmente as abertas, como Facebook e Twitter – que escapam dos grupos fechados, como o WhatsApp -, são inundadas por uma pressa absurda de zilhões de usuários ávidos por postarem suas posições e convicções definitivas. irreparáveis, irrefutáveis e geniais. A velha e antiga máxima do “apressado come cru” é solenemente esquecida, superada instantaneamente por dedos que ganham vida própria independente, e que agem sem qualquer ordenamento do cérebro.

“Isso é próprio da idade (no caso, pouca idade)”, alegam alguns mais velhos. Não, não é. A pressa pela exposição da genialidade do eu endeusado é comum a todas as idades. Dos mais jovens, e naturalmente apressados, aos mais velhos. E também não obedece qualquer princípio lógico de atuação profissional. Até jornalistas,  muitas vezes contaminados pela ideologia cidadã, se apressam em deixar os dedos fluírem ávidos pelos teclados, e inibem qualquer possível reação lógica do cérebro.

Sim, é a maioria dos usuários das redes sociais que se esbalda na intelectualidade rasa do dedo célere e do cérebro silenciado. Sim, há uma minoria que resiste à tentação da celebridade instantânea que os dedos falsamente provocam ao entorpecer as sensações abominadas por Narciso e seus iguais. Felizmente a vida ainda insiste em desafiar a morte em rede do sentimento humano primário. Não é necessário ser melhor, não é necessário ser mais inteligente. Basta seguir vivendo, e deixar viver.