Leão Burro

Diário íntimo de um velho repórter… Vai ser burro assim lá longe

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Acho que em meus 43 anos com os pés, mãos e cabeça dentro de redações de rádios, TVs e jornais eu jamais vi um governo tão… burro. Não naquilo que realmente importa, que é a administração. Me refiro ao comportamento errático, equivocado, que gosta de dar trombadas e não de evitá-las.

Leão Burro

Grosso modo, e sem qualquer exagero, julgo eu, o governo comandado pelo presidente Jair Bolsonaro não tem oposição. Aliás, tem, sim. E quem a exerce é… o próprio governo. Ele próprio e os que assinam com o mesmo sobrenome.

Os números positivos acumulados em 10 meses são maravilhosos. Qualquer governo do mundo os exploraria 48 horas por dia. São números reais, palpáveis e computáveis. Indiscutíveis, portanto. Alguns deles:

1 – Inflação abaixo da meta (3% ano)

2 – Taxa referencial de juros (selic) mais baixa da história, 5%, e com viés de baixa

3 – Crescimento do PIB (em índices baixos, é verdade) mas positivo – ao contrário das reduções acumuladas em 2015 e 2016 – de 0,8%

4 – Bolsa de valores apostando alto, quebrando recorde atrás de recorde – registro acima de inéditos 108 mil pontos

5 – Criação de 700 mil empregos

6 – Redução de 20% no número de assassinatos no mesmo período em que houve mudança que facilitou a aquisição de porte legal de arma de fogo

7 – Reforma da previdência social que desonerou o Estado em 800 bilhões de reais pelos próximos 10 anos. Registre-se: dinheiro este que não existe agora e nem existirá depois. A mesma reforma que foi tentada por Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma e Michel Temer, e nenhum deles conseguiu fazer

A lista positiva para por aqui para não ficar enfadonho todo o contexto que se pretende estabelecer.

São fatos. Todos eles inquestionáveis. Todos eles positivos. Todos eles exploráveis no incessante convívio com a opinião pública. Mas o que se vê?

Dia sim e no outro também, vê-se os Bolsonaro meterem o pé na jaca. Criaram briga dentro de casa – PSL. Divulgam um filminho tosco de leões e hienas (o original, de uma série do mundo animal, o leão cercado de hienas foi abandonado pelo seu bando por ter perdido a liderança para um leão mais jovem. Velho, com o pé na cova, ficou isolado para cumprir a sua sina natural, de passar de predador para presa de hienas, inimigos naturais dos leões). Em seguida, outro Bolsonaro, o caçula, fala em esquerdistas/terroristas e insinua que um AI-5 – ato institucional que escancarou a ditadura durante o regime militar instaurado em 1964 – poderia retornar ao cenário.

Por todos os deuses de todos os céus. Eles, todos eles, deveriam falar de manhã, à tarde, à noite e durante a madrugada dos fatos positivos, e não ficarem criando marolas barulhentas que não ajudam a navegação. Ao contrário.

Ao puxar todas as atenções para os acessórios meramente politiqueiros, abandonam o que mais interessa, os resultados. Caramba, burrice aí é mato. Complicam o que deveria ser fácil. Criam dificuldades que a oposição – massacrada (sim, esse é o termo que julgo adequado aqui) pelo voto há um ano – em sua desmoralização acumulada em escândalos nem de longe conseguiria fazer. Muito menos com tamanha competência.

Jair Bolsonaro foi eleito empunhando uma bandeira de guerra, sim, mas alguém aí poderia avisá-lo que ele venceu a parada lá atrás? Quanto aos inimigos abatidos, eles continuam por aí, óbvio, mas desorganizados, desmoralizados, sem voz. Gritam, mas quase ninguém ouve. Até porque as besteiras da burrice soam sempre em tom mais elevado. Vai ser burro assim lá longe…