Caiado, Eliton e Daniel: tarefas diferentes

Disputa pelo governo: Cada qual com seu problema

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Os três principais candidatos ao governo de Goiás, José Eliton, Ronaldo Caiado e Daniel Vilela, tem apenas um ponto em comum: querem comandar o Palácio das Esmeraldas pelos próximos quatro anos. Para chegar ao destino, a caminhada de cada um deles será diferente

José Eliton é adversário de Ronaldo caiado, que é adversário de Daniel Vilela, que é adversário de José Eliton. Pode-se inverter esse ordenamento dos nomes da forma que se quiser e a frase sempre estará correta. Há somente uma meta que os iguala: a vontade de vencer a eleição para governador, e ganhar assim o direito a comandar o Palácio das Esmeraldas pelos próximos quatro anos, a partir de janeiro de 2019. Caiado, Daniel e Eliton, obviamente, querem vencer, mas apenas um vencerá. E a caminhada de cada um deles será diferente. Como há muito não se via, eles estão desiguais demais neste início de etapa sucessória.

Em outras eleições para o governo, embora com diferenças de estilo, as situações das candidaturas principais estavam mais ou menos equilibradas. Em 2010 e 2014, para ficar apenas nos dois exemplos mais recentes, e também com maior semelhança, os dois concorrentes diretos sempre foram, do início ao fim, Marconi Perillo e Iris Rezende. De certa forma, o menos antenado eleitor já sabia que um deles derrotaria o outro, e por margem não tão grande assim. Marconi venceu as duas vezes. Na primeira, em 2010, quando retornou ao Estado após ver seu aliado, Alcides Rodrigues, se tornar ferrenho adversário após a eleição de 2006, em que ele teve papel decisivo no resultado, Marconi correu riscos aos montes. Enfrentou máquinas nos três níveis, a federal, nas mãos de Lula, a estadual, com Alcides, e a de Goiânia, com Paulo Garcia (já falecido), naquela altura herdeiro de Iris. Ainda assim, Marconi começou o processo eleitoral pau a pau com Iris em todas as pesquisas eleitorais. Em 2014, na reeleição, o mesmo Iris surgiu como força opositora de igual potência e volume.

Caiado, Eliton e Daniel: tarefas diferentes

Caiado, Eliton e Daniel: tarefas diferentes

Nesta eleição, pelo menos até aqui, o jogo é completamente diferente, e desigual entre os candidatos principais. A princípio, com certo grau de certeza, que o próximo governador será um dos três. Qual deles? Aí já não é possível ter convicção nenhuma, a não ser através do “achômetro” ou de uma bola de cristal, coisas que a política nunca aceitou muito bem. Um deles, tudo bem. Qual deles é outra história. Apesar de viverem momentos totalmente desiguais, há muito chão pela frente. Mas muito mesmo.

Apesar de bastante precoces, há informações bastante preciosas nas pesquisas eleitorais realizadas pelo Serpes, sob encomenda do jornal O Popular, e Grupom, a mais recente, do jornal Diário da Manhã. Nos dois levantamentos, o senador Ronaldo Caiado aparece numa folgadíssima liderança, o que tem proporcionado a ele se movimentar com desenvoltura em busca de apoio em vários partidos, inclusive no MDB, do rival Daniel Vilela. E aqui começa o tal caminho de Caiado rumo ao Palácio.

O senador é, sem nenhuma dúvida, o mais conhecido dos três. Chega a ser inacreditável que exista um só goiano que nunca tenha ouvido falar dele. Os militantes das outras duas candidaturas justificam a liderança nas pesquisas exatamente por esse fato. Faz algum sentido, sim, claro, mas não explica tudo. O eleitor entrevistado pelos institutos não respondeu se conhecia os nomes que lhe foram apresentados em uma cartela. A pergunta foi outra: em qual daqueles nomes, caso a eleição fosse agora, ele, entrevistado, votaria. O Grupom encontrou, em cada grupo de 100 eleitores que indicaram um dos candidatos, nada menos que 61 com inclinação de votar, naquele momento, em Ronaldo Caiado. É uma quantidade avassaladora. Para se ter uma melhor ideia, apenas Iris Rezende, em 1998, apresentou desempenho nessa linha, chegando a 70 eleitores em 100. Esse foi o teto de Iris. O atual pode ser o teto de Caiado. Difícil imaginar que ele ainda tenha possibilidade de ampliar o número de eleitores. Difícil ampliar e igualmente muito difícil manter esse nível. A maior votação já registrada no 1º turno ao governo de Goiás desde 1982 é de Marconi Perillo, em 2002, como candidato à reeleição, com 52%.

Daniel Vilela, que aparece em empate técnico com José Eliton, vai por outro caminho. Ele tem uma boa estrutura partidária, o MDB, partido com maior número de filiados no Estado. Mas não tem todo o MDB. Tem um discurso fácil, mas terá que trabalhar bem o conteúdo. Até por ser o mais jovem dos três, e filho de um político tradicional. Tem potencial de crescimento, sem dúvida, mas precisa transformar potencial em potência. E só tem uma forma de chegar a esse ponto. Aliás, não só ele como também José Eliton: seduzir eleitores que hoje respondem positivamente à candidatura de Caiado. Esse é o único caminho para o Palácio.

Por fim, José Eliton está no segundo maior partido de Goiás, o PSDB, e vai para a campanha com a caneta mais poderosa do Estado nas mãos, a de governador. Isso é bom? É bem mais do que isso: é ótimo. Tanto que se ele fosse o representante de qualquer outro grupamento dificilmente estaria numa lista inicial de um dos possíveis candidatos com possibilidade real de ser eleito. Seu caminho difere da trilha de Daniel porque ele tem como uma de suas tarefas agradar como governador. E isso tem necessariamente que começar em “casa”. Se a base aliada comprar a briga dele, José Eliton não apenas terá plenas condições de chegar ao 2º turno como se colocará em condições de vencer a eleição. Se parte dessa base, qualquer que seja o setor, se sentir desprestigiada ou menosprezada, vai ficar tudo muito complicado.