Conexão especial: A perpetuação do poder político geralmente termina em trágica derrota eleitoral

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Para um cidadão comum que se candidata a algum cargo, qualquer que seja ele, ser derrotado em uma eleição não significa grande coisa que vá além da frustração momentânea. Para os grandes líderes políticos, que acumulam vitórias significativas ao longo de uma ou mais décadas, a perpetuação desse poder quase sempre acaba em tragédia eleitoral em algum momento. A política oferece a glória nas vitórias, o poder quase absoluto, mas também se estende pelo altíssimo custo nas derrotas. E o tombo é sempre muito grande quanto maior foi o poder acumulado ao longo dos anos.

marconi e iria

Doas grandes líderes políticos goianos desde a redemocratização do país no início da década de 1980, provavelmente, salvo engano, o único que parou no auge foi o ex-prefeito Nion Albernaz, que encerrou a correria por votos populares em 2000, quando encerrou seu 3º ciclo como um dos mais festejados administradores municipais do país. Os governos de Nion em Goiânia ainda hoje, quase duas décadas depois, permanecem como referência para todos os demais. Assim como ocorreu com Jaime Lerner, em Curitiba.

Todos os demais bambambãs da política goiana, os habitantes do Olimpo, caíram em algum momento. Alguns nem chegaram às urnas, perdendo espaço político dentro de seus próprios partidos. Os dois maiores dos últimos quase 40 anos, o atual prefeito Iris Rezende e o ex-governador Marconi Perillo, viveram suas tragédias eleitorais. Iris em 1998, quando foi derrotado por Marconi, e ele próprio caiu agora, no final do ano passado. As semelhanças não param por aí. Iris foi novamente derrotado em 2002, quando buscava a reeleição para o Senado. Imediatamente, buscou refúgio em uma de suas fazendas. Marconi, que não se elegeu senador no encerramento de um ciclo de poder que durou 20 anos, e trocou a residência de Goiânia pela capital de São Paulo.

Mais coincidências. Iris enfrentou um terrível inferno astral após a derrota de 98, com inúmeras denúncias e ações. Imaginou, segundo ele próprio admitiu, que estava encerrando de vez sua até então vitoriosa e exemplar carreira política. Marconi Perillo igualmente enfrenta um terrível inferno astral. Talvez até mais infernal do que o de Iris, fruto de sua estada no poder pelo dobro de mandatos no Palácio das Esmeraldas.

Esses infernos para os grandes líderes políticos queimam com inigualável intensidade. Iris retornou das cinzas e do exílio, mas não consegui novamente chegar ao topo do Olimpo que habitou por mais de uma década. De maior liderança popular do Estado até então, teve que se contentar com o título de maior liderança eleitoral de Goiânia. Marconi conseguirá se reerguer das cinzas políticas que a derrota de 2018 provocou? Não se sabe. O que é possível perceber é que o Olimpo político, a habitação dos deuses eleitorais, não é ocupado por comuns. E como não são líderes de proveta, muitos conseguem voltar ao monte sagrado da política. Quase sempre bem menos fortes do que foram antes da queda, mas ainda assim grandes o suficiente para justificarem suas próprias histórias e históricos.