PMDB e DEM: Disputa de 2018 será entre tapas e beijos

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Ronaldo Caiado: apoio de Iris; Daniel Vilela: força interna; Maguito Vilela: na reserva

Ronaldo Caiado: apoio de Iris;  Maguito Vilela: na reserva; Daniel Vilela: força interna;

 

O líder da bancada do PMDB na Assembleia Legislativa, deputado estadual José Nelto, um dos veteranos detentores de mandatos de vereador e deputado do partido, disse que o PMDB vai lançar candidato próprio ao governo do Estado em 2018, descartando diretamente o senador Ronaldo Caiado, presidente regional do DEM. A resposta do democrata foi no estilo “paulada na moleira”. Em outras palavras, Caiado disse que Nelto não tem credibilidade para dizer o que disse. Traduzindo tudo para a disputa interna no principal grupo opositor à base aliada estadual comandada pelo governador Marconi Perillo, o candidato a ser escolhido será um sobrevivente. Há pelo menos quatro nomes dentro da bolsa de cotações peemedebista, que inclui, sim, o democrata: Daniel Vilela e/ou Maguito Vilela — um anularia o outro —, o eterno Iris Rezende — apesar da solene promessa de cumprir os quatro anos de mandato como prefeito de Goiânia — e Ronaldo Caiado.

Preferenciais
Esse quadro, apesar de conter quatro nomes, pode ser resumido a dois preferenciais: Daniel Vilela e Ronaldo Caiado. Isso porque Maguito Vilela, que está concluindo seu segundo mandato como prefeito de Aparecida de Goiânia após ser decisivo na vitória de seu sucessor, Gustavo Mendanha, só entrará na disputa caso seu filho Daniel não consiga se viabilizar. Maguito tem anunciado que vai se aposentar a partir de 1º de janeiro do ano que vem, quando desocupar a sede da Prefeitura. Mas é o tal negócio: ele irá recuar se o filho não emplacar como candidato ao governo. Ele próprio admitiu isso há alguns meses, que iria sair de cena para permitir o voo de Daniel.

Já Iris Rezende vive um drama infinitamente maior. Seu poder de mando dentro do PMDB goiano já foi avassalador. Hoje não é mais. Ele continua o bambambã no diretório metropolitano, mas o diretório estadual foi capturado pelos rivais maguitistas. O candidato natural de Iris Rezende ao governo do Estado em 2018 é o senador Caiado. Ele é seu principal aliado. De qualquer forma, nenhum grande político permite que um cavalo arreado passe na sua frente, de uma piscada de olhos, e siga em frente sem ser montado imediatamente. Ou seja, se a situação em 2018 indicar que o eleitorado irá certamente votar nele para governador, dificilmente Iris deixará de atender o “apelo”, mesmo diante da solene promessa que fez durante toda a campanha de que cumprirá os quatro anos de seu mandato em Goiânia.

Voltando aos velhos tempos de total hegemonia do poder de Iris no PMDB, ele não teria qualquer problema em apontar Ronaldo Caiado como candidato do partido. O problema é que os tempos são outros. Iris, se não avistar cavalo algum, vai apoiar Ronaldo Caiado com tudo o que puder exatamente para neutralizar o poder dos maguitistas. Mas essa é uma tarefa complicada. Ele teria que defender, nas condições atuais, que o PMDB passe de protagonista principal a mero caudatário do projeto de poder de Ronaldo Caiado, do DEM. Essa é uma situação que pelo menos até hoje jamais passou pela cabeça dos peemedebistas espalhados em todo o Estado.

Pra se ter uma ideia do quanto uma operação como essa é complicada, em 2012, quando Iris levou o PMDB a apoiar a candidatura do petista Paulo Garcia à Prefeitura de Goiânia, Iris precisou derrubar toda a cúpula do diretório metropolitano, que insistia em lançar nome próprio, mesmo em caso de confronto com o então aliado PT. Só depois dessa caça aos dissidentes de seu comando é que o partido aceitou a condição de ocupar a vice na chapa liderada por Paulo Garcia.

O problema agora é que o diretório estadual está fora do alcance de tiro de Iris. Por lá, quem dá as cartas é a bancada federal, muito mais próxima dos maguitistas. Para vencer com a candidatura de Ronaldo Caiado, Iris terá que convencer.

Nesse cenário, Daniel e Caiado devem protagonizar os lances políticos nos próximos meses, beirando até 2018. As armas de Daniel e Caiado nessa guerra interna no grupamento são diferentes. Caiado depende muito, e quase exclusivamente, do público externo. Daniel, ao contrário, precisa consolidar de vez enquanto liderança e, mais do que isso, se livrar da eterna sombra de seu pai, Maguito Vilela. Porém, ele não pode fazer isso de maneira a apagar completamente a estrela do pai sob o risco de inviabilizá-lo enquanto alternativa a ele próprio. Maguito, digamos assim, é o suplente de Daniel nessa disputa.

O PMDB portanto vai definir o seu candidato após uma luta duríssima entre seus grandes nomes. O sobrevivente ganhará a condição de disputar o governo à frente desse que é o principal segmento opositor à base aliada estadual. E qualquer que seja esse sobrevivente, sua primeira tarefa será recompor a casa e consertar os móveis quebrados durante a guerra interna. Só depois é que poderá ir a campo para enfrentar os adversários externos.