Formato da garrafa indica a qualidade do vinho?

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Quando se está iniciando no mundo dos vinhos a gente não da tanta atenção assim ao formato das garrafas. Mas eles são vários. Alguns são claramente um indicativo da origem do vinho. Da Borgonha, por exemplo, dificilmente se verá um vinho de garrafa diferente: é sempre de ombros que criam uma longa curva até o bojo. Quase uma reta que parte do bocal e vai se alargando até o bojo. Em Bordeaux, a garrafa típica é a mais conhecida e usada no mundo todo: pescoço não muito longo e ombro acentuado no início do bojo.

Esses dois formatos de garrafa são os principais do mundo dos vinhos. Mas existem dezenas de variações, e que também indicam alguma coisa, além, é claro, dos fabricantes que optam por alguma garrafa totalmente diferente apenas para criar um diferencial de marketing/imagem. Só um fator é que não se consegue perceber apenas pela garrafa: a qualidade do que está lá dentro.

Borgonha/Bordeaux

Essas duas regiões da França são consideradas as melhores do planeta para se plantar videiras, colher boas e exclusivas uvas e fabricar vinhos espetaculares. A fama não é a toa, não. Borgonha e Bordeaux estão para o vinho francês assim como Cabo Canaveral para a Nasa ou o Papa para o Vaticano.

O ícone Romanee, garrafa da Borgonha

O ícone Romanee, garrafa da Borgonha

A Borgonha produz apenas 3 tipos de uvas: Pinot Noir, Gamay e Chardonay. Dois tintos e um branco. E pronto, é só isso. E basta mesmo. Os Pinot da Borgonha são únicos no mundo. Completamente diferentes de todos os demais Pinot fabricados em qualquer outro lugar, inclusive na própria França. Os Gamay se transformam em beaujolais fenomenais.

Puycarpin, da região de Bordeaux

Puycarpin, da região de Bordeaux

Bordeaux e Borgonha são rivais em quase tudo. Se na Borgonha o vinho é sempre varietal, com uma só uva, em Bordeaux é quase regra universal os blend, que é a mistura de 1 ou mais tipos de mosto. As vinícolas de Bordeaux são Chatêau. Em Borgonha, Domaine. As principais uvas em Bordeaux são a Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Malbec e Petit Verdot. A forma de se produzir os vinhos em Bordeaux virou estilo no mundo todo, os bordaleses. Ou seja, se alguém falar sobre um corte bordalês do Chile, não estranhe.

Outros formatos de garrafas

Mateus Rosé

Nas prateleiras dos supermercados a gente encontra facilmente o vinho português Matheus rosé. Já foi o vinho mais vendido do mundo, e tem uma garrafinha abauladíssima. É o modelo francônia. Não é muito utilizado, não, e nem tem função específica alguma.

Jimmy Hendrix, a lenda do rock, gostava do Mateus

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Da França, vem outro vinho popular campeão das prateleiras, o JP Chenet, com pescoço levemente inclinado e corpo também bastante abaulado. É só charme pra tentar, talvez, fisgar incautos bebebedores garimpeiros. A garrafa é bem melhor que o conteúdo.

JP Chernet

Na divisa entre a França e a Alemanha, a região de Alsácia produz o mais gostoso Riesling. Quem não se lembra dos Almadén Riesling brasileiríssimos? Suas garrafas também são indicativos daquela região. Bem longas e praticamente sem ombro definido. A Alemanha usa bastante esse modelo de garrafa.

Riesling-Alsace-Trimbach

Chianti populares adotaram garrafas com saia de palhinha trançada. Também não e muito raro encontrar esses exemplares nos supermercados brasileiros.

A Bottle of Chianti Wine

Enfim, os dois modelos básicos de garrafas de vinho são mesmo Bordeaux e Borgonha. As demais são pequenas variações e criações mercadológicas. E como não são indicativos de qualidade, o jeito é abrir e beber o que tem lá dentro. Afinal, esse é o objetivo mesmo, né?