Goiás: PP no governo, ex-petebistas no MDB. No rearranjo político-partidário, onde ficará o PSDB?

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Era previsível que o tsunami eleitoral liderado pelo agora governador Ronaldo Caiado no ano passado geraria um vendaval de mudanças no posicionamento das principais forças políticas do Estado. É o que sempre acontece desde a redemocratização, em 1982, quando Iris Rezende e o PMDB assumiram o comando estadual, e se seguiu em 1998, com a derrota dos emedebistas e a ascensão do que se convencionou chamar de “Tempo Novo”, grupamento oposicionista que teve Marconi Perillo como governador. Chegou a vez de Ronaldo liderar essas mudanças.

Daniel Vilela 2

O governo não começou muito bem. O chororô de herança maldita criou uma imagem ruim, que não atraiu. Ao contrário. Caiado esteve praticamente meio ano isolado com o cheque em branco recebido nas urnas de maneira estrondosa, já no 1º turno, sem atrair nada mais que meia dúzia de deputados estaduais em começo de mandato. Pior do que isso: politicamente, com grupo extremamente pequeno e sem grandes expressões, “importou” boa parte de seu secretariado para dar peso técnico ao comando das pastas. A maioria dos “importados” tem atuado de forma positiva, mas também há algumas decepções.

A situação hoje já é muito diferente. Caiado tem falado muito mais sobre a realidade atual do Estado e o que pretende fazer no futuro. E isso se reflete nas alterações do quadro partidário global que se está vendo. O PP, que era oposição, se abriga no governismo. O PTB também foi para o leque palaciano, mas com consequências: seus principais nomes estaduais migraram para o MDB maguitista. Aliás, em relação ao MDB é necessário registrar que o partido segue dividido entre duas grandes forças, o representado pelo presidente regional Daniel Vilela e a sua maior estrela, o prefeito Iris Rezende.

Levando-se em conta o histórico de polarização do poder em Goiás entre duas grandes forças, cabe a pergunta sobre o ex-poderosíssimo PSDB. Para onde o ninho tucano vai migrar? Sabe-se, de antemão, que o PSDB vai continuar na oposição a Caiado. É natural que isso ocorra. Mas em algum momento os tucanos vão ter que encontrar um reposicionamento no grande tabuleiro político-partidário do Estado. Grosso modo, o partido está praticamente isolado. PP e PTB, antigos aliados, acabaram de ir embora. O DEM, de Caiado, caiu fora desde 2014. Só resta, dos grandes ex-aliados, uma posição mais clara do PSD, que já tem um dos pés na cozinha das Esmeraldas.

O MDB, derrotado e esmigalhado em 1998, conseguiu atravessar sozinho o deserto durante 20 anos. Isso foi possível por sua permeabilidade estadual orgânica. O PSDB não tem essa característica. E isso é um problema. Sozinho, isolado, o PSDB “morrerá” na próxima esquina eleitoral. O partido ainda conta com várias boas lideranças no interior, mas isso não será suficiente. O PSDB precisa encontrar seu destino. Até para ter um destino. O problema é descobrir qual é o caminho para não terminar o meio dele.