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Governo Caiado: falta dinheiro, sobram contas vencidas

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Respaldado pela mais expressiva manifestação positiva do eleitorado goiano neste século, ao receber 60% dos votos válidos e definir a eleição já no primeiro turno, Ronaldo Caiado inicia um governo debaixo de uma crise espetacular, mas que pode ser resumida em pouquíssimas palavras: falta dinheiro, sobram contas vencidas. Tudo mais que tem ocorrido, como os embates com representantes dos servidores públicos em relação aos salários atrasados referentes ao mês de dezembro, tem como fator desencadeante o caixa vazio.

bolso vazio

Politicamente, o governador tomou a decisão de quitar salários dentro do mês trabalhado. É uma boa notícia para os servidores? Claro que sim. Desde o mergulho do país na recessão econômica, em 2015, o governo estadual adotou a prática de quitar a folha até dia 10 do mês subsequente. O problema para aplicar essa fórmula correta, de pagamento até o último dia do mês trabalhado, está justamente na folha de dezembro do ano passado, que permanece pendente. O caixa estadual é suficiente para quitar uma folha, mas não duas dentro de um único mês. Caiado optou por quitar janeiro e abrir a prática de pagamento dentro do mês.

Esse passivo de dezembro é que tem gerado atrito na relação dos funcionários com o governo. As lideranças dos servidores acreditam que não seguir a ordem cronológica dos pagamentos terminaria por adiar o recebimento dos salários atrasados. Já o governo sabe desde sempre que se optar por zerar o passivo que foi herdado, adiará as pressões para o mês seguinte – e aí já dentro do seu período administrativo. Ou seja, se a folha de dezembro fosse quitada em janeiro, o mês em curso seria pago com atraso em fevereiro. E assim seria até que a administração conseguisse quitar duas folhas dentro de um único mês.

Se esse é o embate mais barulhento, até porque salários são sempre nevrálgicos para a sobrevivência de qualquer trabalhador, não é o único. Ainda no final do ano passado, os grandes hospitais públicos estaduais enfrentaram tantos problemas por atrasos nos repasses que mal conseguiram chegar a 2019 com as portas abertas. Alguns, por sinal, chegaram a anunciar a recusa de novos pacientes. Falou-se que as Organizações Sociais, administradoras desses hospitais, tem cerca de 260 milhões de reais para receber do Estado.

Em resumo, a ópera é de uma nota só: o dinheiro é curto para, ao mesmo tempo, quitar o passado e manter o presente em dia. Não será fácil.