Jorge Kaju

Kajuru e a esperança de milhões de diabéticos

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Antes de qualquer coisa, digo que este é um depoimento pessoal – e não profissional. Ou seja, aqui não se trata de uma análise política, mas somente uma observação minha, um mero depoimento de um cidadão. Dito isso…

Senador Jorge Kajuru, o senhor disse em sua página pessoal no Twitter, que eu sigo, que poderá renunciar ao seu mandato. Se posso pedir alguma coisa ao senhor é que não faça isso. Eu, como milhares de diabéticos em Goiás, e milhões em todo o Brasil, precisamos do senhor. Nem vou fazer qualquer outra referência ao seu trabalho ou suas posições políticas ou pessoais. Apenas essa julgo ser mais do que suficiente para justificar um mandato inteiro: a sua preocupação com essa doença tão menosprezada pelas autoridades públicas do Brasil e avassaladora contra a vida de quem a tem.

Jorge Kaju

Acumulo mais de quatro décadas – 43 anos para ser exato – com os pés dentro de redações de jornais, rádios e TVs – desde 1981 em Goiânia. Confesso que, por ignorância, a diabetes jamais foi minha pauta. Nunca esteve em meu radar profissional. Agora está por ser eu uma das milhares de pessoas atacadas por ela, em Goiás. Somos  milhões em todo o Brasil.

Quando esteve vereador, em Goiânia, em apenas dois anos de mandato, o senhor conseguiu provocar atenção pública suficiente para embasar a criação do Centro de Apoio aos diabéticos, que evoluiu logo a seguir para o entendimento de que um hospital inteiro deve ser criado para atender às vítimas da diabetes.

Essa foi uma luta sua, resultado de um trabalho inicialmente isolado, que ganhou adeptos entre alguns outros vereadores até atingir o Palácio das Esmeraldas, e terminar com a concretização do objetivo. Confesso, assumidamente, que não acreditei quando o senhor falou sobre o Centro de Apoio e o Hospital da diabetes durante a campanha eleitoral municipal.

Centro Estadual de Atenção ao Diabetes. Hoje, uma ala do Hospital Geral de Goiânia atende vítimas da doença

Centro Estadual de Atenção ao Diabetes. Hoje, uma ala do Hospital Geral de Goiânia também atende vítimas da doença

Sempre soube, até por já ter trabalhado ao seu lado no rádio e na TV, de sua persistência, às vezes teimosia. Mas não julgava que o senhor seria capaz de fazer algo que nunca nenhum outro político fez: iniciar um feito que pela primeira vez no Brasil deu eco às vozes de médicos e médicas especialistas na luta para amenizar os danosos – quase sempre mortais – efeitos que a diabetes carrega sobre as vítimas.

Quando o senhor se candidatou ao Senado apresentou a mesma proposta – cumprida anteriormente na Câmara Municipal de Goiânia – de lutar pela criação e extensão de uma rede pública de saúde dedicada a amenizar o sofrimento das pessoas com diabetes em todo o país, acreditei. Imagino que não sou o único. E continuo acreditando. Tenho esperança que isso aconteça realmente. E acredito que também não sou o único esperançoso.

Sei dos percalços do mundo político, área preferencial da minha atuação profissional na maior parte do tempo. O poder na política, que se acumula, tem preços. Em algumas vezes, absolutamente impagáveis. Na maioria, pagáveis. Entendo, embora nem sempre concorde, obviamente, suas reações – quase sempre exacerbadas. Mas este sempre foi o seu estilo. Nenhum dos seus eleitores desconhece isso no senhor. E acho até que a maioria votou Kajuru senador exatamente por causa disso. Não acredito que o senhor teve um único voto de algum eleitor desavisado que imaginou estar contribuindo para a eleição de um lorde inglês.

Não sei se o senhor irá renunciar ao seu mandato. Sinceramente, espero que não faça isso, mas é claro que respeitarei sua decisão. Não haverá de minha parte, nem pessoal e nem profissionalmente, qualquer tipo de crítica. A decisão que tomar será somente sua, mas confesso que ficarei com um sentimento entristecido porque, como milhões de diabéticos em todo o Brasil, a esperança de todos e todas essas vítimas estará de certa forma renunciando junto. Lamentarei porque esse seu trabalho fantástico, extraordinário, em relação aos diabéticos, vale um mandato inteiro. Ou melhor, vale milhões de vida com um pouco mais de qualidade e menos sofrimento. Se puder, leve isso em conta.