Flores-Goiânia

Legado de Nion (01): O custo zero da cidade mais florida do Brasil

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Certa vez, nas muitas oportunidades que tive de bater papo com o professor Nion, quis entrar nos detalhes daquela sua mania de plantar flores nas praças, nos “queijinhos” e até nas ilhas das avenidas de pista dupla.

Flores-Goiânia

“O povo não come flor, professor. Não é gastar dinheiro demais com isso?”

“Quem disse que a Prefeitura gasta dinheiro com as flores?”

“Ué, não gasta?”

“Não. O projeto não tem nenhum impacto nas despesas da Prefeitura.”

Pensei que ele estivesse sofismando, alterando a palavra literal para o tal impacto global nas contas. Mas, não, o professor Nion estava realmente respondendo à minha indagação. Pedi explicações, obviamente.

Quanto custa esse tipo de serviço?

Quanto custa esse tipo de serviço?

“Se você levar em conta toda a economia obtida pela administração por causa das flores, do sentimento e do carinho com que o goianiense passou a tratar Goiânia, a despesa com as flores é zero”.

Continuei sem entender onde ele queria chegar… E minha cara de espanto o fez continuar.

“Você tem ideia de quantas luminárias deixaram de ser quebradas em toda a cidade após as flores? E não é só isso, não. As escolas são muito menos depredadas, vitrôs, lâmpadas, serviço de limpeza. Todos os anos, as carteiras escolares que precisavam ser reformadas tem diminuído. Isso é economizar dinheiro, não é?”

Obviamente, a resposta era desnecessária, mas a dúvida ainda era pertinente: essa economia era suficiente para pagar toda a despesa com as flores?

Como se estivesse lendo meu pensamento, ele emendou:

“Não é só isso. Você já percebeu que a cidade está sempre limpinha, sem papéis no chão. Ninguém joga. Sabe por que? Porque a cidade está bonita, e o goianiense quer manter desse jeito”.

OK, mas varrer o papelzinho na rua não custa mais do que um único canteiro de flores, pensei. E mais uma vez, o professor didaticamente seguiu:

Cidade mal cuidada, bancos de praça depredados

Cidade mal cuidada, bancos de praça depredados

“Sabe onde vai parar o papel jogado na rua? Ou dentro do bueiro, que depois precisa ser limpo, ou vai para o aterro sanitário, e talvez até alguma coisa para a reciclagem. A Prefeitura também gasta menos com esses serviços.”

Eu ainda não estava inteiramente convencido. E ele fechou o assunto de vez:

“Você sabia que a Prefeitura não compra uma única muda de flor? Todas elas são plantadas por nós mesmos. E sabe quem faz esse serviço? As pessoas atendidas pelo Trabalhando com as mãos (programa de integração social que atendia pessoas idosas e crianças, tema que ainda será abordado nesta série sobre o legado de Nion, o melhor prefeito de Goiânia). Quanto custa atender essas pessoas com dignidade?”

Trabalhando com as mãos

Trabalhando com as mãos

Sai daquele encontro convencido de que talvez Nion Albernaz estivesse certo nessa tese de custo zero para a Goiânia das flores e da cidadania. E passei a pensar sobre o assunto por vários dias, levantando outras despesas do dia a dia da administração que foram diminuídas porque o goianiense gostava realmente de morar numa cidade de beleza aconchegante. Quantos bancos de praças deixaram de ser quebrados e etc. Mas será que as flores de Nion geraram alguma renda extra para a cidade?

Cheguei à conclusão que sim. Também houve uma lucratividade extraordinária para a cidade. Primeiramente, na imagem de Goiânia. A fama positiva se espalhou pelo interior de Goiás inicialmente, e atingiu o país inteiro. E isso ofereceu a possibilidade de desenvolver o turismo de eventos como jamais havia ocorrido. A capital sem praia tinha ruas e praças tão belas como nenhuma outra no Brasil, e para cá, na época, vieram centenas de convenções e encontros nacionais de profissionais e empresas, além de promover um mercado promissor na área de exposições – que viveram um boom em meios aos canteiros de flores do professor Nion.