Lissauer presidente da Assembleia: os perigos para o governador Ronaldo Caiado

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Se o namoro foi ótimo desde o flerte inicial e o casamento foi realizado sob a grande festa das eleições, o início do casamento entre o governo e a base parlamentar aliada tem sido bastante complicada. Ao ponto de um enorme sofá na sala delimitar posições de até, e em certo grau, antagonismo. Até a vizinhança do quarteirão ao lado, que não era favorável ao namoro e casamento, já está comandando essa relação governo/aliados.

Assembleia Legislativa não é Poder decorativo, é um Poder formado nas urnas

Assembleia Legislativa não é Poder decorativo, é um Poder formado nas urnas

O parágrafo acima é evidente analogia, mas se substituídas algumas palavras, descreve o que está ocorrendo entre o Palácio das Esmeraldas e a base parlamentar aliada que surgiu nas urnas de outubro: a festança da vitória acabou. Começa agora o dia a dia das dificuldades.

Opositores e moderados, que viam inicialmente um governo com enorme força – quase “tratoral” -, em determinado momento perceberam que o gigante tinha politicamente pés de barro. A força inicial foi mal empregada, e os próprios deputados aliados acusaram o tremendo golpe que sentiram ao longo deste mês inicial. Nos bastidores, e com extremo zelo, lamentaram diversas vezes que não eram recebidos nem por secretários – cujo único voto que tiveram foi o da escolha do governador.

Sem serem ouvidas embaixo, essas vozes ganharam decibéis na cobertura do poder. Esse tipo de migração política é natural em toda a relação governo/base parlamentar. É óbvio que o Palácio não está ali para amenizar as situações, mas para ponderar, quando for o caso, algum problema ocasionado abaixo. É lá que está a última palavra, jamais a primeira. O papel dos secretários e secretárias não é somente cuidar de suas pastas. A administração pública terá sempre a enorme carga política. A conciliação entre os dois interesses, político e administrativo, é que serve como colchão que amortece todos os assuntos de interesse parlamentar antes que eles cheguem ao último patamar de poder. Em resumo, o secretariado, uns mais, outros menos, são os para-choques de qualquer governo.

A eleição do deputado Lissauer Vieira como presidente da Assembleia Legislativa soa como um alarme bastante moderado para o governo. Não deve ser vista como um ato de rebeldia do Legislativo, mas de alerta. Se fosse algo bastante mais sério, a opção não seria o gentleman Lissauer, mas um dos integrantes das bancadas mais radicalizadas da oposição. Inicialmente, portanto, não há rompimento entre a base aliada e o Palácio. Deve-se perceber o que aconteceu como um tremendo desencontro, uma trombada sem vítimas graves. A pior coisa que poderá acontecer é se faltarem bombeiros e sobrarem enfermeiros com galões de gasolina para cuidar das feridas.

Esse é o grande perigo.