Não é só pequi: 10 pratos para agradar qualquer goiano

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Há uns 20 anos, os grandes centros urbanos do sul-sudeste não tinham a menor ideia do que era pequi, a tal fruta típica do cerrado brasileiro com cheiro e sabor fortes que alucina os paladares de muitos goianos. Hoje, com a importância e integração cada vez maior de Goiás no cenário nacional, pode-se encontrar pequi em certos restaurantes de culinária brasileira no Rio, São Paulo e Belo Horizonte. Mas, afinal, não é apenas com pequi que pode-se agradar os goianos à mesa. Abaixo, 10 pratos que despertam a gula de boa parte da goianada.

– Arroz, feijão carioca (rajado), bife e ovo frito

Casinha Mineira - fotos Leo Feltran - 05/2013

Ok, não é só em Goiás que esse prato é show nas mesas. Mas é aqui que pode-se comer todos os dias sem enjoar porque é o melhor do Brasil. O segredo, dizem, é o ponto do feijão. Variação: acrescente banana prata crua ou banana da terra frita.

– Galinhada

galinhada

Tá, também esta iguaria é comum nos Estados centrais do Brasil. Dizem que as mineiras fazem galinhadas maravilhosas. Mas quem diz isso certamente jamais deu uma só garfada numa galinhada goiana com franguinho caipira.

– Peixe na telha

 

peixe na telha

 

Dizem por aí que moqueca baiana ou capixaba é uma coisa maravilhosa. Quem fala isso tem sempre razão. São moquecas extraordinárias. Em Goiás, preferimos peixe preparado em telha colonial de barro. Como assim, telha? Isso, telha, daquelas abauladas muito usadas antigamente. Pintado do rio Araguaia preparado dessa forma faz qualquer um se esquecer completamente das moquecas mais famosas do Brasil.

– Empadão

empadao-tradicional-goiano

Que empadinha, que nada. Goiano adora mesmo é o empadão. Há muitas variações, mas o tradicional é disparadamente o melhor de todos, preparado e servido numa cumbuca de barro. É quase impossível alguém não fica totalmente embriagado (ops) com as variações de sabor a cada garfada – sim, o empadão se come com garfo. Tem pedaços de frango, linguiça, batata (não muita), guariroba (palmito amargo, leia mais abaixo um prato típico com esse ingrediente), palmito caiçara/açaí, carne de porco, azeitona verde, ervilha, tomate, cebola e uma pimentinha pra fechar com chave de ouro. Não precisa de acompanhamento. O empadão de Goiás se basta.

– Galinha caipira com guariroba e uma pitada de açafrão da terra

Galinha com gariroba

Se você andar pelas cidades do interior de Goiás vai se maravilhar com belezas naturais onde menos espera. E nas baixadas ou encostas quase sempre encontrará palmeiras. A maioria delas é guariroba. É um palmito com aparência quase idêntica ao caiçara ou açaí. O gosto é diferente. O palmito tradicional é adocicado. A boa guariroba é amarga. Preparada com galinha caipira ao molho compõe uma riqueza de sabores inusitados e irresistíveis.

– Arroz de puta rica

Arroz de puta rica

Olhando, parece um risoto qualquer que mistura um punhado de ingredientes. Quando se come, aí muda a interpretação. Dizem no interior de Goiás que esse prato era preparado uma vez por mês nos cabarés para comemorar os rendimentos da noitada anterior, quando os coronéis saiam da rotina e caiam na esbórnia. Com dinheiro farto, e como recompensa pelo trabalho extra das meninas, a dona do puteiro mandava comprar todos os ingredientes que geralmente não frequentavam a mesa, carne de porco, frango caipira, ervilha, milho verde, açafrão da terra e pimenta biquinho – que é saborosa e não arde. Portanto, se estiver em Goiás e ver alguém comer esse prato, não ouse falar que é risoto. É arroz de puta rica.

– Churrasco

Churrasco

Não há como discordar: os gaúchos são os churrasqueiros mais afamados do Brasil. E eles são mesmo espetaculares na preparação de costela em fogo de chão. Mas antes de virar o rosto, tente experimentar o churrasco feito pelos goianos. Pode ter certeza: em Goiás, o churrasco atende todos as preferências. Gosta de “boi berrando”? É só pedir que a carne chega seladinha e dourada por fora e suculenta por dentro, daquelas que escorre suco para finalizar com pão francês. Prefere bem passada? Sem problemas, o churrasqueiro goiano vai preparar o “carvão” que agrada a sua preferência, sem preconceitos.

– Feijoada

Feijoada

É verdade, a feijoada não foi inventada pelas cozinheiras e cozinheiros goianos, amadores ou profissionais. Aliás, dizem que é prato típico dos cariocas. Não é bem assim. Em Goiânia, restaurantes self-service oferecem feijoada duas vezes por semana, quarta-feira e, óbvio, sábado. Tem feijoada de todo tipo. Daquelas com tudo separado e as tradicionais, bem mais saborosas, com tudo junto e misturado. A verdade é que feijoada agrada os goianos e goianas.

– Chica doida

Chica doida

Antes de mais nada, Chica doida não é creme de milho, ok? Também não é pamonha de panela. Nem caldo. Nem… nada. É Chica doida. O prato foi inventado por dona Petronilha Ferreira Cabral, da cidade de Quirinópolis, há uns 50 anos. Ela conta que estavam fazendo uma pamonhada na fazenda quando acabou a palha de milho verde. Com palpites do marido dela, a massa restante foi parar numa panela, e começou a alquimia. A receita tradicional leva também jiló, linguiça e queijo – nem é preciso lembrar da pimentinha, né?

– E pequi, né? De todo jeito é bom…

frango com pequi

Tá legal, não vamos deixar o pequi fora da lista. Seria injusto com nossa mais ilustre paixão à mesa. Na foto aí em cima é o tradicionalíssimo frango ao molho com pequi. Mas poderia ser com arroz. Ou com arroz e frango. Ou sozinho, ao molho. Com carne moída, que goiano costuma chamar de “boi ralado”, também fica ótimo. Aliás, o único defeito do pequi é que só tem fartura no final do ano. Deveria ter o tempo todo. Ahh, pasta de pequi também da um toque especial em risotos. E, se quiser, pode até chupar picolé de pequi. O ruim do pequi é que quanto mais se fala sobre ele, mais vontade da de encarar uma porção desses carocinhos amarelo-ouro. Só não pode morder. Pequi não aceita violência e responde a qualquer mordida com uma porção de doloridos espinhos.