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Conexão: Negativismo no discurso enfraquece agenda positiva

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Não é preciso ser um grande observador da cena político-administrativa para perceber que a agenda negativa, invariavelmente carregada por pernicioso clima pessimista, dominou o discurso do governo  de Ronaldo Caiado nos primeiros 8 meses deste mandato. Haveria realmente tanto espaço para divisões, fofocas, fogueiras de vaidades, falta de solução de continuidade em algumas áreas – muitas, inegavelmente, atingidas pelas dificuldades financeiras -, desarticulação política com o Legislativo, apesar de o setor contar com a expertise de um agente como o secretário Ernesto Roller e toda a espetacular carreira legislativa do próprio governador? De bate pronto é possível responder a todo esse quadro com um sonoro não, não há espaço para a extensão de uma agenda negativa como essa. E nem razão para tal.

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O maior problema talvez tenha como ancoragem a forma como o governo, do mais alto ao mais baixo da cúpula palaciana, tem o hábito de se comunicar. Isso pode ter equivalência com aquilo que deveria ser apenas uma questão positiva: a enorme influência legislativa na composição do caráter do governo. Principalmente quando se leva em conta que a maior parte dessa experiência foi exercida na oposição aos governos. O discurso pessimista e negativista no legislativo, característica natural da atuação oposicionista, deve se alterar completamente na migração para o Executivo. Ou seja, não há nenhum problema com o discurso pessimista de opositores. Cabe sempre aos governos vender  otimismo – mesmo com recheio crítico em relação às administrações anteriores.

Essa prática pode ser observada tanto em Goiás como em Brasília. Talvez seja mais simples e fácil ponderar sobre os problemas e crises geradas pelo falatório desproporcional do presidente Jair Bolsonaro, mais acentuado do que o do governador Ronaldo Caiado. Ambos, porém, geralmente apontam na mesma linha pessimista. E o que se tem claramente em  Brasília? Que boa parte dos problemas do governo federal são gestados pela boca do presidente.

É claro que proporcionalmente não há como situar o discurso de Bolsonaro e Caiado em um mesmo patamar. Não é disso que se trata. O que une os discursos é o volume de pessimismo no qual se alicerçam.

Caiado tentou criar um bom clima ao anunciar a quitação dos salários do mês de dezembro do ano passado, além das parcelas do 13º salário coligadas. Ora, como são as coisas. Tem-se um feito administrativo sensacional nestes 8 meses e pouco ou quase nenhum efeito na agenda. Qual foi a última vez que um governo estadual pagou mais folhas dos servidores que o período em que está instalado? Foi no distante ano de 1999, no 1º mandato de Marconi Perillo, que recebeu o Palácio com folhas de pagamento acumuladas. Caiado administrou 8 meses e está pagando, caso realmente complete o serviço até dia 10, 9 folhas e mais algum bocado referente a 13º atrasado. A comemoração foi muito menor, imensamente desproporcional, que o feito.

Também se pode ver, e constatar, que houve redução no número de mortes violentas por armas brancas ou de fogo neste período. Aliás, um fato nacional que também ocorreu em Goiás. E o que sobrou dessa agenda positiva? Nada ou praticamente nada. Por que? Porque, ao pautar o pessimismo de maneira tão insistente, aflorou-se isso com o fato, igualmente real, de que a queda nesses assassinatos em Goiás foi menor do que a registrada em outros Estados.

A postura otimista no governo não incomodaria o seu posicionamento crítico em relação aos governos anteriores. Cabe ao governo atual, sim, criticar aquilo que entende ter sido errado no passado. É normal que faça isso até pelo fato de que houve a aprovação dessa postura nas eleições do ano passado de forma majoritária. Foi esse discurso que colocou o governo dentro do comando do Palácio. O problema está quando se concentra de tal forma na crítica e não se tem o mesmo esforço de mensagem quanto ao otimismo futuro. Essa é a questão de fundo: desconstruir o passado dentro do aspecto político-administrativo não isenta a postura da construção do futuro. De outra forma, chega-se ao quadro que se tem agora, em que mesmo os fatos positivos terminam contaminados pelo negativismo permanente.

O governo Caiado tem à sua disposição uma agenda positiva, mas precisa falar mais sobre ela a partir de agora. A comunicação política do governo precisa passar a ideia de que será cada vez melhor viver em Goiás. Tematizar pra cima, e não agendar para baixo.