Caiado hospital

Conexão – Mal súbito do governador Caiado: No limite da verdade

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 LinkedIn 0 Filament.io 0 Flares ×

Quarta-feira, 9, início da tarde. No palácio do governo, há um corre-corre. Ronaldo Caiado, o homem pinçado entre 6 milhões de habitantes para governar o destino de todos até dezembro de 2022, sentia-se mal. Bem mal mesmo. Ele, que é médico de larga experiência, percebeu que não era algo a ser resolvido ali mesmo, com um analgésico. Uma dor aguda e repentina em seu peito indicava também para ele que havia a partir daquele momento uma corrida contra o tempo. A dor, naquela região do corpo, estaria lhe revelando que algo estava errado no funcionamento do coração.

Caiado hospital

imediatamente, como sempre é recomendável e necessário nesses momentos, o governador foi levado às pressas para o Hospital do Coração, no setor Oeste. Os rumores – sim, a máquina do governo foi lenta ao divulgar o que estava acontecendo, o que facilitou o surgimento de inúmeras versões – davam conta até de Caiado ter sofrido um ataque cardíaco, ou um infarto, num linguajar mais técnico.

Sem boletim médico inicial, o que é rotineiro nesses casos, informou-se apenas que o governador Caiado havia se submetido a um exame chamado cateterismo – que é a introdução de um minúsculo tubo nas coronárias para avaliação médica da situação. O que se constatou era que havia um enorme acúmulo de gordura em uma artéria, reduzindo dramaticamente o fluxo sanguíneo para somente 30% da capacidade normal. Foi por essa razão que o peito dele doeu intensamente – a dor é considerada pelos médicos sempre como um aviso. Felizmente, não chegou ao ponto de falência total, o infarto, mas, sim, esteve perto disso.

Mais tarde, e com a nota oficial correta da Secretaria de Comunicação, surgiu uma segunda versão, que pela posição de seu porta-voz também teve, e tem, peso. O secretário estadual da Saúde, Ismael Alexandrino, que também é médico, rebaixou a dor torácica sentida pelo governador e que o deixou alarmado, para dor epigástrica. Atente-se para a diferença entre esses termos técnicos.

A dor torácica dispara todos os alarmes que remetem a problema no funcionamento do coração. Frequentemente, essa dor intensa na região está associada a esse tipo de causa. Já a dor epigástrica normalmente tem ligação com problemas estomacais, e inclui como uma de várias causas uma simples azia ou má digestão, embora muito raramente também possa indicar problemas no coração.

Além de rebaixar a dor do peito para a boca do estômago, o dr Ismael informou que o governador passaria a noite sob observação, o que assim se descartava um deslocamento urgente para São Paulo, onde trabalha a médica e cientista Ludhmila Abrahão Hajjar, conterrânea de Ronaldo Caiado (ambos naturais de Anápolis), e que o acompanha há anos. Ludhmila, porém, naquela altura dos acontecimentos já estava chegando a Goiânia para analisar o quadro do governador, seu paciente.

Naquela mesma noite, creditando-se a opção à família do governador, Ronaldo Caiado foi transferido para São Paulo em uma UTI aérea. Ou seja, ele teve todos os seus sinais vitais detalhadamente observados o tempo todo. Na manhã seguinte, após novo cateterismo, os médicos do Hospital Sírio-Libanês decidiram imediatamente por uma angioplastia com instalação de stent no local problemático. A recuperação do governador foi praticamente imediata.

Todo esse quadro mostra que enquanto todo o transcurso médico foi absolutamente impecável, a comunicação oficial talvez tenha esbarrado em problema. Ao ponto de sites de abrangência nacional, como Veja online e Estadão online, para citar apenas dois de muitos, terem noticiado que o governador havia sofrido um infarto. Quando a informação oficial se desconecta de outros fatos correlatos ao principal – no caso, e diretamente, o desembarque da primeira dama, dona Gracinha Caiado, de um avião que estava pronto para decolar no aeroporto Santa Genoveva após ter sido avisada da situação de seu marido através de um telefonema – da se oportunidade para a versão não exatamente correta. Aparentemente, foi o que aconteceu. Em outras palavras, o governo enquanto instituição não mentiu, mas cerziu no limite da verdade.