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O Brasil rebaixado: a derrota moral de uma política em frangalhos

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Uma das três grandes e balizadoras agências de avaliação de risco, a S & P, anunciou ontem que o Brasil afundou mais um degrau em matéria de credibilidade. A queda anterior, que colocou o país na relação de risco de calote, havia ocorrido em 2015, por razões pra lá de conhecidas. A queda agora é a soma das imperfeições que vão se acumulando em Brasília.

O Congresso diz que não tem culpa. Tem, sim, e muita culpa. Deputados e senadores não votam nada sem exigir bilhões de reais em troca. É a política varejista do fisiologismo sujo, que emporcalha inclusive os objetivos financeiros imediatos.

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A Presidência diz que não tem culpa. Tem, sim. Esse é o preço que está se pagando pela manutenção de um sujeito desmoralizado como presidente. As votações que impediram o STF de abrir processo contra Michel Temer rasparam o fundo do tacho financeiro, e comprometeram ainda mais as metas fiscais.

A equipe econômica se julga inocente. Não é. Abriu mão de tantos ajustes que estavam em curso que hoje se assemelham a baratas tontas sob efeito de aerosol. Os déficits monstruosos registrado no ano passado e previsto para este ano estão no relatório da agência ao justificar o rebaixamento do país.

O Judiciário tenta se esconder de qualquer culpa, mas também tem sua dose macabra na contribuição desse rebaixamento. Sempre que julga, invariavelmente, aprova despesas que acabam comprometendo o quadro geral de controle de gastos. Como no caso dos salários dos servidores, que só seriam reajustados em 2019, mas que o Judiciário determinou que isso fosse feito imediatamente.

Brasília, enfim, está colhendo o que plantou. Pena que a colheita seja aumento das incertezas para a população. Que por sinal, e de certa forma, também tem culpa nesse latifúndio de insucesso e falta de seriedade perante o mundo ao indicar, através das pesquisas, que aposta em salvadores da pátria para as eleições deste ano.

O mercado investidor não é idiota e nem rasga dinheiro. Ainda não aprendemos a lição.