O conflito da dívida da Friboi

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A informação caiu como uma bomba: o grupo empresarial da família de Jr Friboi, que ele próprio dirigia até há pouco tempo, tem demandas fiscais com o estado de Goiás que somam 1 bilhão e 300 milhões de reais. A notícia foi veiculada pelo jornal O Popular, edição de ontem, sexta-feira, 2.

Jr Friboi língua

Também ontem, em reação nas redes sociais Twitter e Facebook, Jr divulgou uma nota oficial. Em nenhum momento ele desmentiu a informação do jornal, o que se deduz que a dívida realmente existe.

Como destaca o jornalista Ricardo César, em O Popular, hoje, na nota oficial Jr disse considerar ¨estranho¨ e ¨suspeito¨ a divulgação dessa informação. Mas o que há de estranho e suspeito na notícia além do fato de que a fiscalização estadual tenha se deparado com lançamentos contábeis ¨estranhos e suspeitos¨ na empresa que pertence à família dele? Para Jr Friboi, esses dados deveriam ser sigilosos e, estranho, segundo ele, é o fato de que foram divulgados 3 dias depois que ele foi confirmado candidato do PMDB ao governo do Estado.

Caberia a pergunta: se ele considerou estranho e suspeito um jornal publicar que a empresa da família de um candidato ao governo do estado deve uma grana preta para o fisco 3 dias após o lançamento de seu nome pelo PMDB, quando é que não seria estranho e suspeito a publicação dessa notícia?

Em sua nota, Jr Friboi abriu levemente a tampa de uma caixa preta: a relação conflituosa de algumas empresas com o fisco. A fiscalização estadual questionou o não recolhimento de ICMS por parte da JBS. Jr não apenas admitiu esse fato, como disse que ¨em muitos casos¨ a empresa que ele dirigia discorda de ¨alguma cobrança¨. Caramba, 1 bilhão e 300 milhões de reais é uma mera ¨alguma cobrança¨?

Sede da JBS, nos Estados Unidos

Sede da JBS, nos Estados Unidos

 

Há um outro conflito nessa história. Até 1994, Goiás cobrava 12% de ICMS sobre a carne. No governo Maguito (1995/1998), houve redução para 7%. No primeiro mandato de Marconi Perillo (1999/2002) esse percentual caiu para apenas 3%, o mais baixo do Brasil. Só pra se ter uma melhor ideia do que isso representa, o cidadão recolhe 25% na sua conta de energia elétrica.

Jr Friboi, em sua nota, explicou que parte dessa dívida de 1 bilhão e 300 milhões de reais é resultado da compra do frigorífico Bertin. E acrescentou: se a JBS não tivesse comprado a empresa, o frigorífico teria fechado as portas e milhares de goianos teriam perdido o emprego.

Não há como contestar Jr Friboi nessa questão: se o Bertin não tivesse sido vendido, quebraria, e haveria demissões. Porém, não foi por esse motivo que a empresa da família de Friboi fez essa aquisição. Era um bom negócio, e por isso foi feito. Grana, mercado, e não emprego, é o que motivou a aquisição do Bertin.

A dívida que a JBS sabia existir no Bertin e que está sendo contestada representa 18% de todas as pendências fiscais que contribuintes ativos tem hoje no Estado. Não há como negar que há  conflito entre o desejo do cidadão Jr Friboi de se eleger governador e os interesses do estado de receber aquilo que julga ser justo. Somente o resto é política.