Trio

O que garimpar nos supermercados e botequins

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Não existe uma ¨guerra¨ entre bebedores de vinho e entornadores de cerveja. Há uma certa convivência pacífica entre os dois. Aliás, a maioria frequenta tranquilamente os dois grupos. Nuns dias bebe vinho, noutros mandam ver na cerveja. Tudo bem, nada contra. Por aqui, no Brasil, ninguém nasce bebendo vinho. Havia até um hábito de os pais mergulharem a chupeta dos meninos na cerveja. Hoje todo mundo sabe que é errado, mas na época era sinal de que o rebento era macho. Beber cerveja era coisa pra homem. E o vinho? Bem, quando surgia uma ou outra garrafa era coisa pra mulherzinha.

Tá, mudaram os tempos, os hábitos também. E é comum a gente encontrar amigos e amigas que bebem vinhos vez ou outra e mais rotineiramente se encharcam com as ¨loiras¨ geladas. Também fui praticamente dessa arte aí durante décadas. Um vinhozinho hoje, semanas de cevas.

Aí, pensei em listar vinhos bacanas, bebíveis, que não arrancam o couro da carteira, facilmente encontrados nos supermercados e até em botequins, e que poderia atender aos bebedores desses 2 planetas: vinho e cerveja. Vinhos para aqueles dias após as semanas invernadas nas cevas. Mas acho que as dicas valem também para quem contempla os milagres de Baco. Principalmente porque, em muitos casos, é uma viagem de volta ao início da caminhada.

Tempos de Almadém e Forestier

Quase todo bebedor de vinho que conheço passou pelos Almadém e Forestier. Eram tops do mercado brasileiro. E o Matheus rosé, portuga? Teve também a fase daquela garrafa azul do alemão liebfraumilch, o leite da mulher amada. Hoje, encarar vinhos como esses aí é complicado. São ruins demais da conta. Mas existem outras garrafas nas prateleiras que podem e até devem ser encaradas. Sem problema. São boas e não explodem o saldo devedor no banco.

E resolvem um probleminha, tipo efeito colateral, que os frequentadores do mundo de Baco enfrentam vez ou outra: amigos cervejeiros que querem variar com uma noitada, ou tarde, de vinhos. Então, nada de desespero nessa hora. Existem vinhos para todos os momentos.

A seleção desta vez vai até 50 paus, mas a grande maioria ronda a faixa dos 30, e alguns até menos um pouco. É importante comprar essas garrafas apenas nas promoções dos supermercados. É quando ficam com preço justo.

Antes, uma recomendação básica: os selos ¨reservado¨ fabricados no Chile são ruins pra caramba. Não valem a pena. Use-os, no máximo, para apurar temperos.

Altos del PlataAltos del Plata – Tá aí um vinho bacana. O Altos Malbec bate muito bem na boca. O preço normal dele não é recomendável, mas quando entra em promoção é compra certa e sem medo. Pra acompanhar churrasco na brasa é realmente muito legal. Entre 30 e poucos e até 40 pratas, vale. Mais do que isso, não compre.

vinho-chileno-santa-rita-120-cabernet-sauvignon-750ml-7139-MLB5171583277_102013-F120 – Os argentinos e chilenos inventam muitas histórias sobre alguns vinhos. Esse 120, por exemplo, teria recebido esse nome porque numa guerra sei-lá-quando, um grupo de soldados teria resistido ao cerco e protegido o estoque de vinhos. Quantos soldados eram? Claro, 120. Mas não ligue pra lenda. O 120 é um vinho bebível, equilibrado e tal. Até 40 pratas, no máximo.

Casa Valduga LeopoldinaCasa Valduga Leopoldina – Pra não dizer que nunca recomendo brasucas, eis o Valduga Premium Leopoldina. Não é muito comum, não, mas de vez em quando ele aparece nas prateleiras. Também frequenta a faixa de 40 pilas. Vale. A Casa Valduga é um dos melhores fabricantes do Brasil nessa faixa de vinhos. Mas, atenção: são vários rótulos Casa Valduga, e quase todos eles parecidos. Prefira os com sobrenome, tipo Leopoldina, Raízes e outros. Os que trazem apenas ¨Premium¨ são os básicos. Portanto, pague bem menos.

CONO SUR BICICLETA PINOT NOIR 750MLCono Sur – Tem vários rótulos do Cono Sur, uma vinícola que entrou na moda da onda verde planetária. Este aqui, o bicicleta, é o mais popular. Há um outro, o 20 barrels, que também surge vez ou outra nas gôndolas, mas é bem mais caro. E muito melhor, é claro. Esse bicicleta também é bom, tranquilo na taça. Vive na fixa dos 30 paus. Sem problemas, vale, sim.

Flor_de_Crasto_Tinto_2009Flor de Crasto – É o portuga basicão da Quinta. Que, por sinal, fabrica garrafas muito boas, e caras. O Flor é um ótimo começo. Acima desse aí tem o Crasto, sem a flor, destacado logo abaixo pra ser perceber melhor a diferença no rótulo. Não se pode esperar maravilhas desse vinho, mas ele cumpre bem seu papel. Na faixa dos 30. Mais do que isso, evite.

crasto-douroCrasto – É superior ao Flor, inclusive no preço, mas também deve ser considerado basicão da companhia. Ele parece ter sido feito para quem quer um vinho melhor que o Flor e só uns 10 paus mais caro que o Flor. Por 40, 40 e umas moedas, vai. Mais do que isso, é caro.

Crios MalbecCrios – São vários rótulos. O Malbec me pareceu bem tranquilão, mas exige uma carninha assada. O Cabernet é mais fechadão. De vez em quando ele entra em promoção por 30 e tantos reais. É o que ele realmente vale. O preço normal é acima de 40, quase 50. Aí, deixe o Crios na prateleira e procure outro rótulo.

Fleur du CapFleur du Cap – Conheço alguns amigos que detestam esse sul-africano. Não tenho nada contra ele, desde que seu preço não passe dos 30 e pouquinho. É um vinho um pouco mais inquieto que os outros desta lista, mas não é ruim, não. Se ele ficar uns 15 ou 20 minutos aberto, ele fica mais domesticado, menos ranzinza. Nem é necessário decanter ou jarra aberta. Basta deixar ele ali na garrafa sem a rolha que ele se acalma um pouco.

monte_velho__97440Monte Velho – É outro que também enfrenta olhares e bocas torcidos. Esse portuga não tem grandes predicados, mas é aceitável. Vale, inclusive, para conhecer suas limitações. Meio indócil na boca, mas se tiver que encarar essa garrafa, não vejo maiores problemas. Acima de 30, jamais.

palo-alto-redPalo Alto – Também não é um vinhaço, embora leve a assinatura da gigante Concha Y Toro, do Chile. É um vinho básico, que disfarça bem as próprias deficiências. Se for compará-lo com a santaiada reservada do Chile, aí ele é top. Ou seja, se for comprar um Santa revervada, tire mais uma graninha do bolso e leve este aqui. Na taça, ele vai compensar a diferença.

TrapicheTrapiche – Entra nesta lista porque vive em promoção. Normalmente, seu preço beira os 60 paus. Aí, é caro. Mas na faixa dos 40, e até um pouco menos, vale demais da conta. Tranquilão, boa estrutura e convivência sem problemas com as papilas. Nesse preço promocional ele é uma ótima pedida.

trivento-malbec-2011_novoTrivento – É o top desta lista. Com a etiqueta normal, chega pertinho dos 70 reais. Não da pra encarar, mas não é difícil topar com ele com as deliciosas etiquetas promocionais, por 40 ou até menos que isso. Nesse caso, vale cada centavo. É um vinho curioso: com 5 minutos na taça ele se abre legal. Mas não vai além disso. Se fosse, custaria uns 80 ou 100 reais fácil.

TrioTrio – Parada dura escolher o melhor desses vinhos de mesmo rótulo. Leva esse nome porque sempre é feito com três uvas diferentes. Quer dizer, nem sempre tão diferentes assim, como Carmenére, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc. Não importa. É um vinho que não poderia ficar fora de uma lista como essa. Na faixa dos 30 alto, 40 baixo, tá valendo.

Casal Garcia - verdeCasal Garcia – Dos vinhos verdes nos supermercados, o Casal Garcia é o melhor. Não pode ser comparado, por exemplo, com o Calamares, que é vendido numa garrafa bojudinha. Mas, atenção: o vinho verde é bem diferente dos tintos e dos outros brancos. Coloquei ele aqui porque não conheço um vinho mais gostoso para se beber sapecando uma fritada de lambari. Não sei se ficaria bom com outros peixes, como o mandizinho e tal. Acho que não, mas com lambari ou manjubinha do mar, 10, com louvor.