Achei apropriada esta charge de Clara Lúcia, publicada no Blog do Giu...

Os 40 anos em redações me furtaram o sol. Simbora para 2017

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Lá se foram meus 40 anos vividos em redações de rádios, TVs e jornais. Não tenho a mínima ideia de quantas horas falei nos estúdios das várias emissoras em que trabalhei. Nem quantas linhas escrevi para os jornais. Até há alguns anos, ainda me sentia um moço. Não é mais assim que me sinto. As estraladas da idade – trintááá, quarentááá, cinquentááá – vão ardendo o lombo e devorando os músculos. E olha que já estou perto da próxima estalada – sessentááá.

Achei apropriada esta charge de Clara Lúcia, publicada no Blog do Giu...

Achei apropriada esta charge de Clara Lúcia, publicada no Blog do Giu…

Aposentadoria se aproxima. Como comecei muito cedo, antes dos 20 anos, a pagar para o sistema, já extrapolei a carga necessária, mesmo com a mudança que criou a matemática dos 85/95 – e que o governo quer mudar para pior. Carrego marcas desse tempo pra tudo quanto é lado. Antes, muito mais voluntarioso, era bem menos tolerante. Meus calos não suportavam o sapato dos outros, e minha canela quase sempre devolvia as “gentilezas” de maneira automática. Hoje, dificilmente me exalto. A paciência e a tolerância são um belo aprendizado que a idade nos oferece, mas recaídas sempre acontecem. É chato isso. Nem sempre é possível segurar as muitas ondas que batem.

A bengala ainda não é necessária. Por enquanto...

A bengala ainda não é necessária. Por enquanto…

Fisicamente, os tais 40 anos vividos em redações me furtaram o sol. Quando menino, era um atleta. Hoje, como consequência de uma brutal hérnia de disco que me levou à mesa de operação, tenho monoparesia na perna esquerda, a “aleijadinha”. O fato de ser PNE não me incomoda. O que perturba mesmo são as dores que batem quase sempre. Se fico muito tempo em pé, dói. Se fico muito tempo sentado, dói pra caramba. Se preciso caminhar mais do que algumas dezenas de passos – no meu ritmo, claro – dói também. Paciência. Cada um tem a carga que consegue carregar pela vida. examedediabetes A síndrome do pânico também fez, e ainda faz em menor escala,  estragos. Fiquei bem mais recluso. Gosto da solidão com meus cachorros. Mas pior do que a necessidade de controlar o glaucoma, o colesterol, o triglicérides e a pressão arterial é o diabetes. Essa doença é diabólica, sorrateira, covarde. Deveria ser mais divulgada. Depois que ela se instala, no caso do diabetes tipo 2, a vaca já foi pro brejo. Quem tem diabetes, 1 ou 2, deve ficar atento até contra gripes simples, dessas que as pessoas sem a doença enfrentam todos os anos e tiram de letra em uma semana.

Banco da praça? Melhor uma cadeira na redação

Banco da praça? Melhor uma cadeira na redação

Enfim, 40 anos já se foram. A aposentadoria está chegando, mas ainda tenho algum caldo no garrafão para bebericar em redações. Elas sempre foram e são a minha vida. E sabe duma coisa? Se o tempo voltasse até 1976, quando adentrei pela primeira vez uma redação de jornal, eu entraria novamente naquela sala com mesas e máquinas de escrever para poder viver mais uma vez esses mesmos 40 anos. PS – Não ligue, não. Este “Diário Íntimo” é como se fosse um balanço apropriado para esta época do ano. Se você não gostou, por favor, releve. Se achou legal, ótimo. No mais, simbora todos para 2017.