PMDB: 2018 Daniel não deslancha, Maguito é o nome

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Maguito Vilela: conciliação tem sido a marca do peemedebista

Maguito Vilela: conciliação tem sido a marca do peemedebista

Afonso Lopes

O nome preferencial dentro do PMDB de Goiás para a sucessão estadual de 2018 é o de Daniel Vilela, deputado federal, presidente regional do partido e, principalmente, filho de Maguito Vilela, um dos políticos mais bem-sucedidos da história do Estado, tendo passado por todos os cargos públicos eletivos, vereador (Jataí), deputado estadual, deputado federal, governa­dor, senador e prefeito (Aparecida de Goiânia). O grande problema de Daniel não é a referência do pai, mas o fato de que ele não consegue deslanchar em direção à candidatura ao governo. Ao contrário, ele tem se perdido em meio a uma disputa de posição com o senador Ronaldo Caiado, presidente regional do DEM e principal aliado político do prefeito Iris Rezende. Caiado, naturalmente, é muito mais midiático que Daniel. Ou seja, no mano a mano, Daniel perde essa disputa antes mesmo de o funil apertar.

Aposentar-se?

Em meados de novembro, após ter desempenhado papel fundamental na vitória do também peemedebista Gustavo Mendanha na disputa pela Prefeitura de Aparecida, e já fazendo um balanço político de sua longa trajetória, Maguito Vilela comentou que está se aposentando das disputas eleitorais. Ele disse isso sem muita convicção, mas disse com todas as letras. Ele comentou, ao apontar a razão de fundo para essa aposentadoria, os interesses políticos de seu filho, Daniel Vilela. Maguito sabe muito bem que ambos não cabem na mesma panela eleitoral. De bobo, Maguito não tem nada

Depois dessa declaração, o cenário político não se alterou, obviamente, mas ele remodelou a tal frase sobre a sua aposentadoria. Ele afasta a possibilidade de se candidatar em 2018, o que é óbvio caso Daniel confirme candidatura ao governo estadual ou mesmo uma reeleição para deputado federal. Maguito, porém, ressalta que não vai se aposentar da política. OK, mas o que isso significa exatamente?

Muita coisa. Os Vilela formam um núcleo de resistência ao irismo, e já conseguiram a proeza de tirar da influência de Iris o diretório estadual do PMDB. Iris, porém, mantém mando de campo em Goiânia, que é, claro, o segundo mais importante diretório do partido em nível estadual.

É aí que entra a tal história da disputa entre Caiado e Daniel Vilela. Há inúmeros peemedebistas de proa e tradição que garantem que o partido não vai dar guarida à pretensão do senador de­mo­crata de se candidatar ao go­verno. Ao mesmo tempo, é possível prever um quadro interessante de disputa internamente, com os iristas de um lado, pró-Caiado, e os maguitistas do outro, pró-Daniel ou, se ele não deslanchar mesmo, com a volta dele, Maguito, ao processo eleitoral. E a verdade é que neste momento a situação é inteiramente favorável a Maguito.

O PMDB goiano na década de 1980 tinha três grandes referências: Mauro Borges, Henri­­que Santillo e Iris Rezende. Nos anos 90, eram apenas dois. Na primeira metade da década, Iris e Nion Albernaz. Na segunda, Iris e Maguito. Esse quadro permanece até hoje, e portanto é o mais longevo da história peemedebista em Goiás.

Mas como na natureza, estrelas de grande porte não costumam viver muito bem no espaço encurtado do poder. Iris predominou com determinação até 2010, desde que, em 1998, atropelou a reeleição — que na época era considera praticamente sem riscos — do então governador Maguito. O derrotado se curou do forte abalo desse atropelamento com uma fácil e avassaladora vitória para o Senado, onde permaneceu por oito anos. Enquanto isso, Iris perdeu a eleição para o governo, e foi novamente derrotado quando, em 2002, tentou a reeleição para o Senado, onde estava desde 1994.

Parecia, e isso chegou a ser anunciado, que era o fim político do velho líder. Que nada. Em 2004, numa disputa que tinha cinco candidatos fortíssimos, inclusive um em processo de reeleição, Iris voltou como candidato a prefeito de Goiânia. Saiu do Palácio do Cerrado Venerando de Freitas Borges apenas em 2010, quando cismou que disputaria o governo do Estado mais uma vez contra Marconi Perillo. Perdeu novamente, e mais uma vez em 2014. Este ano, voltou para a Prefeitura de Goiânia.

Enquanto tudo isso acontecia com Iris, Maguito Vilela construiu um grupamento bastante expressivo a partir da Prefeitura de Aparecida de Goiânia, segunda cidade mais populosa do Estado. E cresceu décadas politicamente ao acenar com boa convivência com o então arqui-inimigo do PMDB, o governador tucano Marconi Perillo. E foi dele o primeiro gesto de conciliação, ao bater à porta do Palácio das Esmeraldas em janeiro de 2011. Aliás, Maguito não foi apenas o primeiro peemedebista a visitar o governador após a vitória nas eleições de 2010: ele foi o primeiro opositor a fazer isso.

Duramente criticado dentro do PMDB, fez ouvidos moucos até as acusações de traição desferidas contra ele. Mas foi exatamente por agir dentro de uma agenda própria e sem as amarras da cartilha antagonista do irismo, que ele conseguiu voltar ao ponto referencial dentro do partido. Sua relação amistosa e administrativamente positiva com Marconi influenciou os núcleos mais radicais do PMDB. Prefeitos eleitos este ano, como Ernesto Roller, em Formosa, Adib Elias, em Catalão, e o próprio Iris Rezende, em Goiânia, falam naturalmente, e sem qualquer constrangimento interno, que pretendem trilhar pelo caminho da conciliação e convivência administrativa com Marconi. Essa porteira foi aberta por Maguito.

Essa visão política pacifista do ainda prefeito de Aparecida se estende para 2018. Mas daqui até lá muita coisa ainda vai acontecer. Uma dessas coisas, segundo o próprio Magui­to, poderá ser uma aproximação de interesses político-eleitorais entre PMDB e PSDB. Quem determina isso, prega Maguito, é a população. E ele está à disposição para ouvi-la.