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Conexão: Bolsonaro fez o certo ao vetar aumento no diesel, mas errou feio ao jogar para a platéia

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A Petrobras anunciou um aumento de preços para o óleo diesel completamente estapafúrdio, de quase 6%. E por que considerar esse aumento repentino, numa tacada só, um disparate total? Por várias razões. Primeiramente porque se está falando do principal insumo do transporte de cargas do país, seja pelas rodovias, ferrovias ou mesmo em barcaças nas poucas hidrovias do país. Por fim, em razão da forte crise que ainda se observa nos fretes, o que tem mantido milhares de caminhoneiros estacionados e irados, dispostos a uma greve nacional nos mesmos moldes daquela que abateu a recuperação econômica que se ensaiava no meio do ano passado. É muito inferno para um astral só, o lucro de uma estatal.

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O presidente Jair Bolsonaro ligou imediatamente para o presidente da empresa e vetou o aumento de preços do óleo diesel. A Petrobras engoliu seco, publicou uma nota oficial sem pé nem cabeça – disse que tem margem para manter o valor atual por mais alguns dias o que, se for real, é outro disparate: se poderia manter o preço, por que anunciou o aumento? -, e o mercado de ações entrou em polvorosa, derrubando o preço de mercado da companhia em exuberantes 34 bilhões de reais.

Choveram críticas dos analistas financeiros sobre a intervenção do presidente da República. E, mais ainda, inaugurou-se uma fase que parecia estar completamente superada, a de segurar artificialmente os preços para praticar demagogias populistas nos Palácios. A tese mais em voga entre os tais analistas é a de que o mercado deve ter liberdade ampla, total e irrestrita para se regular naturalmente. Em certo grau, esse ponto de vista deve ser observado, mas com viés de limite. Afinal, se o mercado deve ser completamente livre para se equilibrar, por que ninguém aí defende a extinção do Banco Central, que tem exatamente o papel de controlar a moeda e a demanda financeira?

O presidente, portanto, agiu bem – e politicamente atualizado ao não desprezar a ameaça de greve nos transportes, que poderia, sim, ser detonada ou reforçada diante desse aumento desproporcional – ao vetar o reajuste. Mas provocou um tsunami ao jogar para a platéia quando disse que ligou para o presidente da Petrobras e determinou o recuo da empresa. Há inúmeras decisões no alto comando dos interesses da República que não podem de forma alguma serem divulgadas no auge da fervura sob pena de anularem os efeitos positivos gerados por elas. Foi exatamente o que aconteceu nesse episódio. Que o presidente aprenda com o erro.