Lissauer Vieira

Presidência da Assembleia: Lissauer pode se transformar em unanimidade. O que permitiu tamanha “virada”?

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Provavelmente, jamais um processo de eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa passou por alterações tão impressionantes. Até início deste mês, o decano Álvaro Guimarães, que acumula vários mandatos e que sempre teve ótimo relacionamento pessoal com todos os demais parlamentares, caminhava rumo à uma consagradora unanimidade. Agora, às vésperas da eleição, seu nome nem ao menos deve figurar entre os pretendentes. Ao mesmo tempo, Lissauer Vieira, do PSB, que jamais havia sido citado por qualquer outro deputado, deve ser confirmado novo presidente a bordo de, provavelmente, unanimidade de votos. Nunca se viu um processo com tanta mudança nas eleições anteriores, desde 1983.

Lissauer Vieira

Lissauer Vieira

Como uma eleição que parecia tranquilamente definida, inclusive pela ótima vivência de Álvaro Guimarães com todos os demais deputados e deputadas, pode resultar em uma virada tão grande e em tão pouco tempo? Neste momento, talvez seja absolutamente impossível cravar uma resposta peremptória que permeie a perenidade rumo à história. Alguns deputados citam o início bastante difícil de relacionamento com o Palácio das Esmeraldas. Álvaro, assim, teria sido o bode expiatório, o pano de fundo de uma revanche contra o próprio governador Ronaldo Caiado. O problema é que uma leitura assim simplista falha estruturalmente.

Se a coisa toda chegou à cobertura, então também deve ser levado em conta que houve alguns curtos circuítos nos andares de acesso. Aqui e ali, durante este primeiro mês de administração nova, ainda que timidamente, ouviu-se reclamações não barulhentas sobre a forma com que alguns secretários de Estado trataram deputados. Não atendidos embaixo, a situação foi parar em cima – e quando isso ocorre perde-se o chamado efeito para-choque, em que o secretariado funciona como amortecedor das demandas.

Lissauer Vieira nunca pautou sua atuação como deputado adepto de discursos radicalizados. Ao contrário, é um parlamentar que atenderia muito mais ao rótulo de gentleman do que boxer. Embora reeleito – com certa folga – numa coligação contrária a de Caiado, é quase certo que ele não deverá protagonizar embates “ensanguentados” politicamente com o Palácio das Esmeraldas. Mas também não criará maiores obstáculos para a atuação, aí, sim, dos principais e mais agressivos opositores. Ou seja, não se deve esperar por uma gestão da Assembleia Legislativa oposicionista, mas igualmente não deverá compor alinhamento automático com o Palácio.