“Lava Jato do MEC?” Quem governa com bravatas tem como destino causar desastre

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Nesta segunda-feira, o presidente Jair Bolsonaro, no Twitter, apresentou um diagnóstico sobre os “gastos” com educação e sua relação direta com o PIB, abrindo comparação com alguns dos países mais desenvolvidos do planeta integrantes da OCDE, Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. O Brasil não integra a instituição, embora seja sempre salutar utilizar suas estatísticas. Bolsonaro concluiu que haverá uma operação no MEC nos moldes da Lava Jato.

Print de Twitter do presidente Bolsonaro

Print de Twitter do presidente Bolsonaro

Ele usou como quadro comparativo o investimento entre os países da OCDE, que ele chamou como gasto, com o Brasil em relação ao PIB. E, sim, o país só compromete menos produto interno bruto com educação do que 2 dos 34 países da instituição. Essa é a comparação direta que pode ser feita, mas não é a única para se entender a questão.

Países europeus, por exemplo, praticamente não tem a menor necessidade de construir centenas de escolas a cada ano, ao contrário do Brasil, que além de ter uma demanda reprimida, ainda vê sua população aumentar a cada ano – hoje em ritmo bem mais lento do que antes. A Europa, ao contrário, vê suas populações diminuírem. Apenas isso bastaria para revelar que a comparação pode, mas não deve ser feita somente com o PIB.

E é fácil demais perceber isso quando o critério adotado é o investimento per capita, ou por aluno. O Brasil emprega em torno de 3 mil e 500 dólares para cada estudante do ensino básico, enquanto a maioria dos países da OCDE investem, na média, 10 mil e 500 dólares.

Tudo muda de figura quando se vê o investimento na educação universitária. Aí, sim, são investimentos de 1ª grandeza, cerca de 11 mil e 700 dólares. É mais do que Itália, República Tcheca e Polônia.

Bolsonaro vê a educação como um problema. E é mesmo. A solução porém é interna, de rediscussão das prioridades, e não de palanque de rede social, que soa como mera bravata. É necessário formular propostas e colocá-las, após debate, em execução. Fazer do governo uma mera bravata é flertar com desastres futuros. Se isso acontecer, Bolsonaro terá somente repetido a fórmula de insucesso de outros presidentes há pelo menos três ou quatro décadas. Será uma pena.