Rolhas encrenqueiras: como evitar?

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Você escolhe uma boa garrafa, prepara a noite nos mínimos detalhes, coloca as taças sobre mesa ao lado dos petiscos ou dos pratos e na solene hora de abrir o vinho… a rolha quebra. Não tem nada mais desagradável do que uma coisa dessas.

Calma, ainda não é o fim do mundo...

Calma, ainda não é o fim do mundo…

Quer dizer, até que tem coisa pior. O vinho, por exemplo, apesar do bom rótulo, pode estar oxidado, podre. Mas isso é simplesmente o fim dos tempos, então não entra na relação das coisas desagradáveis.

Como evitar essas rolhas encrenqueiras? Não é fácil, não. Algumas rolhas são simplesmente terríveis. Parecem ter vontade própria. Insistem em ficar lá, evitando o nosso contato com o precioso líquido. É como se fossem egoístas, querem o vinho só pra elas, as rolhas.

Saca-rolhas 2 estágio com espiral revestida de teflon

Saca-rolhas 2 estágio com espiral revestida de teflon

Mas existem, sim, algumas coisinhas básicas que ajudam a evitar, embora não completamente, essas surpresas desagradáveis. O principal desses cuidados é a guarda do vinho, sempre deitado e jamais em pé. O contato permanente com o vinho faz com que a rolha permaneça úmida. O ressecamento é fatal para a integridade física das danadinhas quando vai se abrir a garrafa. Mas existem alguns locais que mantém as garrafas em pé e não deitadas, como acontece nos supermercados.

prateleira de vinhos

Vamos lá. Em primeiro lugar, supermercado nunca foi o local mais apropriado para comprar garrafas de vinho. De qualquer forma, por causa da rotatividade, isso não é muito problemático. Basta que você deixe a garrafa descansar uma ou duas semanas na sua adega, ou dentro de um armário longe do sol. Deitadinha, claro. Basta esse curto tempo para a rolha se recuperar se não totalmente, pelo menos o suficiente para não quebrar na hora de ser arrancada. Uma outra dica é retirar o lacre dessas garrafas de supermercado, permitindo assim melhor oxigenação da rolha. Nesse caso, a danadinhas recebe suas cargas de umidade, por dentro e por fora.

Não se parece com um parafuso?

Não se parece com um parafuso?

Depois desse cuidado, o mais importante é a escolha do saca-rolhas. Repare e compare as espirais. Quanto mais aberta, melhor. Alguns saca-rolhas são quase um parafuso. Evite-os. E se tiver algum desses em casa, descarte. Quanto mais apertada a espiral maior é o risco de a rolha quebrar ao meio. Outro ponto é o formato do saca-rolhas. Existem muitos tipos. Uso rotineiramente o de dois estágios com espiral revestida de teflon. Dificilmente encontro uma rolha encrenqueira, mas quando acontece, uso um desses modelos clássicos, de ponta bastante fina e espiral longa. Com bastante cuidado, introduzo esse saca-rolha no pedaço que restou da rolha e vou puxando com mais cuidado ainda, sem pressão excessiva. Se puxar com tudo, a rolha pode se esfarinhar de vez.

saca-rolhas clássico

E algumas vezes nem todos esses cuidados evitam que a encrenqueira se esfarinhe. Aí, não tem jeito: empurre-a para dentro e dane-se. Depois, pegue um pano absolutamente limpo e sem cheiros, e coe o vinho. É quase um sacrilégio fazer isso, mas pior seria simplesmente virar a preciosa garrafa no ralo da pia. Vinhos não merecem esse tipo de destino. A não ser em dois casos: se estiver podre, vencido, oxidado ou se for uma gororoba vermelha indecifrável.

É quase uma máquina para sacar rolhas. Mas se for uma encrenqueira, não serve

É quase uma máquina para sacar rolhas. Mas se for uma encrenqueira, não serve

Existem 3 tipos de rolhas à prova de encrenca: a de tampinha de rosca, a de silicone (falsa cortiça) e a de vidro. Mas elas só tapam garrafas de vinho que devem ser bebidos ainda jovens. Os de guarda sempre exigem rolhas de cortiça inteiriça (existem rolhas feitas com pedacinhos de cortiça, como se fossem essas tábuas de aglomerado).

É fácil usar, mas também não oferece maiores garantias contra as encrenqueiras

É fácil usar, mas também não oferece maiores garantias contra as encrenqueiras

E o problema é que são exatamente esses vinhos de guarda mais longa que exigem os maiores cuidados na sua conservação – sempre com a garrafa deitada e bem protegida das variações de temperatura. E no final das contas se alguma rolha quiser encrencar o seu prazer, releve: uma boa taça não é compatível com mau humor.