Se Bolsonaro não calar os rebentos dele, eles vão arrebentar o governo

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Uma boa parte dos problemas de instabilidade registrados até aqui no governo de Jair Bolsonaro tem origem comum: a incontinência verbal de seus três filhos. O próprio presidente reconheceu isso ao dizer, no encontro que manteve com uma dúzia de jornalistas durante a semana que passou, que seus filhos não integram o governo. Ele tem razão ao afirmar isso, claro, mas o problema é que se Carlos, Eduardo e Flávio não fazem parte do governo, eles integram algo ainda mais sintomático: o clã presidencial.

Bolsonaros

Nestes primeiros dois meses de governo, o que se percebe é que os opositores estão totalmente desarticulados e desorientados, sem qualquer expressividade e credibilidade. E ainda assim os problemas e tensões vão se multiplicando. E o que é pior, começa a beirar áreas que se apresentam como esteios do governo como um todo, como o ministro Sérgio Moro – forçado a demitir uma famosa militante extremada do petismo, nomeada por ele dias antes para um apagado cargo de suplente em conselho ministerial sem poder deliberativo. Um dos filhos, Eduardo, comemorou a demissão nas redes sociais, evidenciando assim uma humilhação pública que enfraquece Moro  e, por consequência, o próprio governo. Enfim, uma idiotice política própria de adolescentes.

Bolsonaro disse no tal encontro com os jornalistas, em Brasília, que pediu ao caçula (dentre os filhos políticos dele), Carlos, para “dar uma segurada” nos despachos via rede social Twitter. O presidente acerta no diagnóstico, mas erra feio na prescrição da dose. O único remédio nesse caso sério seria um pacto de silêncio. Quanto menos os rebentos falarem, melhor. Aliás, conselho deveria ser dado também aos ministros que se comportam como patetas, e chegar ao próprio Bolsonaro. É muito mais saudável para o governo dele, e portanto para o país, que ele (re)autorize o “posto Ipiranga” – como ele se referiu em relação ao ministro Paulo Guedes, da Economia -e o “super-ministro” Sérgio Moro a falarem. Eles sempre somam e quase nunca diminuem.