Serpes/O Popular: critério do instituto dificulta compreensão global do desempenho ao Senado, mas é correto

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A pesquisa Serpes/O Popular para o Senado, a exemplo do que aconteceu na pesquisa para o governo, não apresenta alterações substanciais. A liderança é de Marconi e Lúcia Vânia, com Vanderlan Cardoso na 3ª e 4ª posições. E os números? Aí é que está. O Serpes adota como critério técnico em seus pesquisas para o Senado um modelo correto tecnicamente, mas de complicada compreensão para o grande público. Em outubro, cada eleitor poderá votar em 2 candidatos ao Senado. O Serpes soma o 1º e o 2º voto de cada pesquisado e depois encontra a média entre os dois percentuais.

Por que tecnicamente não é errado esse critério já que, efetivamente, o candidato terá nas urnas ambos os votos, independentemente de ter sido a 1ª ou 2ª opção? Por que é assim que os percentuais são apresentados pela Justiça Eleitoral na apuração. Exemplo: se um candidato recebe 100% dos votos em 1ª opção, ele forçosamente não terá um só voto como 2ª opção já que o eleitor, com direito a votar duas vezes, não poderá repetir o candidato. Portanto, diante do universo de eleitores registrados, esse candidato do exemplo fechará a apuração com 50%, e não 100%.

Se tecnicamente é assim que funciona, a divulgação do Serpes com esse critério não constitui erro técnico. Mas deveria ser apresentado não apenas como média dos dois votos, mas com a tabela da soma dos dois votos – que levaria ao dobro do universo de votos em relação ao número de eleitores inscritos. Para revelar a extensão da dificuldade de compreensão da dimensão exata dos desempenhos individualmente, uma diferença média de 2 pontos entre dois concorrentes, na realidade representa 4 pontos em relação aos votos gerais. Ou seja, para chegar ao empate, o candidato que soma 2 pontos menos terá que conquistar 4 – que na média cairia para os tais 2 pontos de diferença entre eles.

Marconi e Lúcia: líderes

Marconi e Lúcia: líderes

Apenas para ilustrar a dificuldade de compreensão do critério de divulgação do Serpes, basta o leitor reparar no que se falou até aqui: foram 3 parágrafos apenas para explicar como formatar um quadro melhor e mais claro sobre a real posição de cada candidatura na pesquisa. Este site não acompanhará o critério – correto tecnicamente, repita-se – de divulgação do Serpes. O critério aqui será o mesmo de todos os grandes institutos de pesquisa do país, que é a soma geral dos 2 votos.

Vanderlan (à direita) e kajuru: 3ª e 4ª colocados

Vanderlan (à direita) e kajuru: 3ª e 4ª colocados

Assim, o resultado da atual pesquisa Serpes/O popular é o seguinte:

Marconi Perillo tem 31%, seguido por Lúcia Vânia, com 28,4%. Vanderlan Cardoso tem 21,6%, e Jorge Kajuru, na 4ª posição, aparece com 16,8%, segundo o Serpes. Os demais candidatos ficaram da seguinte forma: Pedro Chaves – que abriu mão de sua candidatura – tem 5,4%, Magda Borges soma 4,6%, Wilder Morais chega a 3,2%, Luis Cesar Bueno atinge 2,8%, Fabrício Rosa chega a 2,4%, Agenor Maria (que recebeu o apoio de Pedro Chaves) tem 1,1% e Geli Sanches soma 1,4%.

Na eleição para o Senado são vencedores os dois primeiros colocados, e não depende dos chamados votos válidos como no caso da eleição para o governo do Estado e Presidência da República.

PS – os percentuais aqui divulgados acompanham rigorosamente o resultado da pesquisa Serpes, com variação somente no critério de divulgação – sem alteração do conteúdo estatístico.