Sucursal do inferno: profissionais do “Mais Médicos” tem carga horária de “quase 24 horas”, admite secretário de saúde no Pará

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O vice-presidente do Conselho Nacional de secretários Municipais de Saúde e presidente do Conselho Estadual de Saúde do Estado do Pará, Charles Tocantins, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, disse que os médicos brasileiros enviados às cidades de difícil acesso por terra ou rio em seu Estado não conseguem ficar mais que um ano em seus locais de trabalho. A narrativa, porém, revela uma situação infernal.

Posto de vacinação, no interior do Pará

Posto de vacinação, no interior do Pará

Ele disse que em localidades remotas, os médicos “tem casa, água, mas não tem conexão de internet. A energia não é assídua e chega a falhar muitas vezes. E, principalmente, tem o problema do deslocamento: não há locomoção noturna de barco, por exemplo. Alguns profissionais reclamam também que, pelo fato de morarem lá, sempre são chamados para uma emergência, é quase um trabalho 24 horas”, detalhou. O resultado é óbvio: os médicos acabam pedindo demissão após viver 1 ano nesse calvário.

Tocantins explicou que os únicos profissionais que conseguem viver e trabalhar em condições tão precárias são os médicos cubanos. Faz sentido, em Cuba, até mesmo em alguns bairros de Havana, a capital do país, as condições de vida são ainda piores – com ração alimentar distribuída pelo governo suficiente para apenas 12 dias por mês, por exemplo, além de residências caindo aos pedaços. Mal comparando, nesses casos, até as cidades abandonadas pelos governos estaduais, como o narrado pelo secretário do Pará, oferecem vida melhor e mais amena.

O secretário paraense citou a cidade de Cametá, que fica a 650 quilômetros da capital por terra e 40 quilômetros de viagem pelo rio Tocantins. A cidade tem 130 mil habitantes. Dos 17 médicos do programa “Mais Médicos” que trabalham nessas condições, 5 cubanos abandonaram, mas 12 profissionais brasileiros continuam trabalhando.

Abaixo, o link da reportagem completa da Folha de S. Paulo.

https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2018/11/24/medico-desiste-com-distancia-e-acesso-ruim-diz-chefe-de-secretarios-no-pa.htm