Tempo novo: A queda do maior império político-administrativo da história moderna de Goiás

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Desde 1982, quando houve a recuperação do direito da população indicar pelo voto direto os governadores e prefeitos de cidades listadas como de interesse da segurança nacional e capitais, jamais um grupo conseguiu tamanha hegemonia como o Tempo Novo, inaugurado na eleição de 1998 com a vitória de Marconi Perillo. Antes dele, o MDB deu as cartas entre 82 e 98, mas o partido sempre foi pulverizado entre políticos de porte extraordinário, como Iris Rezende, Henrique Santillo, Mauro Borges, Irapuan Costa Júnior e Iram Saraiva, além de várias outras lideranças expressivas. No Tempo Novo, ao contrário, houve uma consolidação de maneira única da liderança de Marconi, o ousado jovem que em 1998 derrotou o MDB e seus partidos e forças satélites.

Sob a liderança de Marconi, um império político-administrativo se ergueu, e se tornou o mais vitorioso da história moderna no Estado, vencendo sucessivamente 5 eleições, sendo 4 delas com o próprio Marconi.

Cena da campanha de Marconi, que inaugurou o Tempo Novo, em 1998

Cena da campanha de Marconi, que inaugurou o Tempo Novo, em 1998

Pois esse império poderoso não apenas foi massacrado, como quedou-se inapelavelmente. E chega aos extertores de sua existência de maneira vexatória, atirando na lata de lixo um dos seus maiores legados – o pagamento dos servidores públicos dentro de certa normalidade e rotina. Isso sempre foi um símbolo em relação aquilo que havia antes – quando servidores públicos eram tratados como estorvo necessário

Certamente, muito ainda irá se falar sobre a vitória de Ronaldo Caiado – ele próprio um dos fundadores do Tempo Novo – e a derrocada desse grupamento que, independentemente de qualquer outra coisa, se inseriu como registro de toda análise que será feita sobre a estrutura do poder político em Goiás. E é o tempo, como bem sabe o homem do campo que migrou para as cidades, que cura o queijo. E certamente as análises posteriores perderão o natural contágio com a situação presente, tornando-se assim muito mais pertinente e, por essa razão, consistente.

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Mesmo de forma precária, em razão da escassez do tempo fundamental do distanciamento, é possível dizer que o Tempo Novo é passado. Isso não equivale a dizer que seus integrantes estão condenados ad eternum ao ostracismo. Significa somente que o império perdeu a consistência administrativa, e caminha para o fim melancólico. Se transforma em sua queda numa encruzilhada em relação ao que agora se apresenta como o renovador. Caiado poderá trilhar pela modernidade das relações políticas tanto entre seus aliados como em relação aos que ele derrotou, ou seguir pela fórmula populista e grosseira do “acerto de contas”.

Rumo à modernidade político-administrativa ou retorno das velhas práticas?

Rumo à modernidade político-administrativa ou retorno das velhas práticas?

Isso não equivale a dizer que a realidade deve ser empurrada para baixo dos tapetes palacianos, mas, sim, de postura civilizada diante dos erros eventualmente identificados para que possam ser evitados enquanto relés continuísmo de tempos idos. Goiás merece mais do que isso, e os goianos deram a Ronaldo Caiado um crédito de confiança como jamais se viu antes, com seus 60% de votos nominais válidos. O governador eleito tem diante dele um desafio tão grande quanto foi o apoio que recebeu da esmagadora maioria dos eleitores que optaram por um dos candidatos: inaugurar uma nova era que leve à modernidade evolutiva na relação política ou o retorno e manutenção das velhas práticas.