Transição: o grande enredo de uma farsa

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Após as eleições, governantes que chegam ao poder são recepcionados por governantes que estão de saída. E o maior simbolismo dessa passagem atende pelo pomposo nome de transição. Em Brasília, há até uma lei que versa sobre essa pomposidade toda, com direito a 50 cargos de alto salário.

Centro Cultural do Banco do Brasil: um prédio inteiro para compor o enredo de uma farsa

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Mas é possível passar de um governo para outro sem essa tal equipe de transição? Não só é possível como, na prática, é isso que ocorre. A tal transição, que vende a imagem de que a mudança de plantonista no Palácio não vai alterar o funcionamento da máquina administrativa, é uma grande farsa.

Por várias razões deve-se concluir que tudo é uma farsa. Primeiramente, pela mais óbvia de todas: se o governante que sai foi reprovado nas urnas, a máquina que ele comanda tem mais é que ser mudada mesmo. Então, como manter o ritmo daquilo que o povo rechaçou? Mais ainda: se houve reprovação, é inegável que as coisas estão feias administrativamente. Pra fechar: não é ilegal mentir durante a transição. Se a mentira ou omissão pudesse ser criminalizada de alguma forma, aí, sim, a conceituação poderia ser diferente e relevante.

O que se pode fazer na passagem de bastão de um governo para o outro é a troca de informações e opiniões entre os membros da equipe que sai e da turma que chega. Isso não depende de lei e não precisa de pomposidade. E ninguém está previamente obrigado a seguir a regra da gentileza. É questão de foro íntimo