Galerias

Os vinhos ícones do Chile

Vá lá: não da pra se iniciar no mundo dos vinhos escalando um time como esse.  São ótimos, mas o preço de cada um deles bate fácil qualquer carteira menos preparada. E ainda tem aquela velha história da safra. Algumas, são mais caras, e mesmo as mais em conta não constituem razão alguma para ficar animado e com bolso cheio.

Mas mesmo que você esteja pensando em começar a viver os vinhos ou se já trilhou os primeiros caminhos, vale a pena abrir esta coluna com os 5 grandes ícones da América do Sul.

Não estão numa ordem de valor ou de qualidade. É muito difícil dizer qual é o mais completo, gostoso. Vinhos bons algumas vezes ficam menos bons apenas pelo ambiente em que é bebido. Numa boa mesa a dois, com amigos e amigas ou mesmo sozinho/sozinha, o mesmo vinho, da mesma safra, pode ter sensações melhores ou piores.

Então, pra quem não conhece o topo da América do Sul, vamos lá. Pra quem já conhece, vale a pena relembrar esses chilenos que não passam vergonha em lugar nenhum do planeta.

013940_AmpliadaPara muitos críticos, o Almaviva é o ícone dos ícones dos vinhos chilenos. Vem do Valle del Maipo, terroir de grandes vinhos, e é resultado da associação da francesa Baron Philipe Rothschild e a chilena Concha Y Toro.  Na Dufry de São Paulo (Guarulhos-internacional) está cotado a 208 dólares. No Brasil, vai de 550 reais a cerca de 900, dependendo da safra e do fornecedor. É encontrado em Goiânia, nas boas lojas.

Clos ApaltaNa safra 2005,

o Clos Apalta, da Casa Lapostolle, foi considerado entre os melhores do mundo. Vem do Vale do Colchagua. A Mistral é a importadora oficial e o preço, embora referenciado em reais, é dolarizado – o que pode ocasionar variação diária. Custa cerca de 460 reais.

Don MelchorDon Melchor é um excelente Cabernet Sauvignon da Concha Y Toro. É também o mais popular entre os 5 grandes no mercado brasileiro. Vem do Vale do Alto Maipo. Foi o primeiro grande vinho sul americano a desfrutar de boa fama no mundo. É o menos caro dessa turma. Dependendo da safra, vai de 360 reais a pouco menos de 500 reais. Também é facilmente encontrado nas boas lojas de Goiânia.

Montes Alpha MAlguns acham que o Montes Alpha M é o melhor vinho produzido pela Viña Montes. Se não for o melhor, faz bonito diante de bons vinhos de qualquer lugar do mundo. Muito bonito. Também é do Vale de Conchagua. Em Goiânia, pode ser encontrado em algumas lojas, mas não é tão comum quanto o Don Melchor. E é um pouco mais caro. Na Mistral, importada oficial da Viña Montes, custa em torno de 460 reais.

vinedo-chadwickViñedo Chadwick é o mais misterioso dos grandes chilenos. Foi criado por Eduardo Chadwick, dono da Errazuriz, e vem do Vale do Maipo. Em 2004, numa degustação/disputa às cegas – em que os jurados bebiam os vinhos sem saber a marca – bateu todos os concorrentes, inclusive poderosos franceses 12 vezes mais caros. É o menos conhecido do mercado brasileiro. Em Goiânia, raramente está à venda. É o mais caro dessa lista. Vai de 650 a fantásticos (e irreais!) 1.200.

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Comidinha

 

arroz com camarões

Arroz integral e camarões ao molho de peixe com tomates

–       Arroz integral ou branco preparado à parte, normalmente. Após o cozimento, acrescentar a manteiga de leite sem sal e misturar. Tampar a panela e só abrir novamente ao servir.

Molho de peixe

–       Gosto da praticidade. Compro o molho básico congelado (produzido por empresa catarinense, R$ 10,00 em Goiânia). É só a base. Faltam os complementos. Vamos lá.

–       Derreter numa panela média. Baixar o fogo, e acrescentar molho de tomate (o pior é o Pomarola, mas serve também. Geralmente, prefiro os molhos italianos) e os temperos (sal, pimenta do reino, ervas de Provence, chili em pó, pimentón picante, alho picadinho e cebola – uso a ralada). Mexer bem sempre. Ferveu, hora de ver se tá no ponto. Gotinha na mão e… Acerte o que estiver faltando. Ou vá para a etapa final da coisa.

–       Acrescente leite de coco.

–       Acrescente os camarões limpos e sem nenhum tempero (eles vão ganhar o sabor do molho).

–       Mexa de vez em quando – de 2 em 2 minutos pra não deixar os camarões passarem do ponto (é coisa de 5 a 8 minutos, não mais que isso).

–       Apague o fogo e acrescente cheiro verde, salsinha e, não pode faltar, coentro. Tampe e prepare o prato.

–       Coloque o arroz com manteiga e salpique com parmesão ralado (pode usar mussarela ralada também, como preferir). Com um maçarico doméstico, sapeque o queijo levemente (no caso da mussarela, vai apenas derreter e não sapecar).

–       Ao servir, coloque os camarões com pouco molho num dos lados do prato e, depois, cubra com molho.

Para acompanhar, vinho, claro. Fui com um honestíssimo pinot noir californiano (numa promoção, encontrei por R$ 39. Preço normal, entre 60 e 78 reais).

Ronaldo Caiado pode voltar a compor com base aliada

 
Ronaldo Caiado: com exatamente o mesmo roteiro de 2010
Afonso Lopes
Não será a primeira vez. O principal líder do DEM, Ronaldo Ca­iado, é, para usar frase comum na política goiana, useiro e vezeiro do voo solo no exercício do mandato e do voo coletivo nas eleições. Aliás, não é somente ele que age assim, não. A grande maioria dos deputados estaduais e federais, inclusive prefeitos e vereadores, fazem exatamente a mesma coisa, embora Caiado seja um dos poucos a abrir o jogo e suas posições tão logo as urnas são fechadas. Os demais, geralmente, ficam no chove-não-molha de idas e vindas de momento.
Difícil entender o jogo cifrado da maioria? Não. Basta puxar rapidamente pela memória sobre prefeitos que estabelecem relações quase afetivas politicamente com governadores e quebram todo esse encanto às vésperas de eleições. Ou vereadores que, eleitos pela base do prefeito vencedor, usam qualquer momento difícil para amolar a faca no pescoço do prefeito aliado para assim conquistar mais cargos ou obras para seus redutos. Os exemplos se estendem aos demais níveis de mandato.
Nesse sentido, portanto, o deputado Ronaldo Caiado é de uma coerência sem igual, e poucas vezes explicitadas no mundo político. Ele faz o caminho de Santiago da Compostela invertido: ganha a eleição com o governo e se afasta logo depois. Geralmente, o que se vê diariamente é quem se elege na oposição, mas caminha rapidamente para o templo do vencedor em seguida.
Origem 
É curioso observar Ronaldo Caiado novamente junto ao grupamento que está no poder em Goiás? De maneira alguma. Caiado é um dos fundadores da união que resultou no definitivo fortalecimento desse eixo político. Em 1996, na disputa pela Prefeitura de Goiânia, pela primeira vez na história política de Goiás os grandes partidos que faziam oposição à hegemonia do PMDB irista se uniram em torno da candidatura do ex-prefeito Nion Albernaz, do PSDB.
Caiado resistiu o quanto possível e apostou praticamente tudo em uma candidatura própria, Sandes Júnior. No último momento, ao ver que levaria o DEM para o isolamento total e isso fortaleceria o PMDB e o PT, que comandava a Prefeitura com Darci Accorsi, Caiado aceitou a tese da grande união oposicionista. Chegou a indicar Sandes Júnior como vice de Nion, mas Sandes já estava com um pé no apoio à candidatura do PMDB. A deputada federal Maria Valadão foi então indicada para o cargo.
Foi desse eixo que nasceu o chamado Tempo Novo, que em 1998 transformou um tema de campanha em mote de autêntico movimento político. Hoje, dezenas de siglas, muitas das quais apoiavam o PMDB na época, pululam em torno da base original, criada por PSDB, DEM, PP e PTB.
Mas Caiado estaria sendo incoerente por ter se distanciado desde 2010 do Palácio das Esmeraldas e novamente abrir a possibilidade de aproximação, como, aliás, aconteceu também no processo eleitoral de 2010? Aparentemente, sim. Na verdade, não.
Fora o fato de ser um dos fundadores da base aliada estadual, um dos únicos democratas que se afastou do Palácio das Esmeraldas foi ele, Caiado. Todos os demais, de deputados estaduais a prefeitos e vereadores, permaneceram na aliança. E ele sempre aceitou esse fato, embora tenha total domínio interno. Poderia, como ocorre algumas vezes em outros partidos, expulsar quem não o acompanhasse. Alguns saíram do DEM, é verdade, como o deputado federal Vilmar Rocha, que se aproveitou do momento de criação do PSD e se mandou para lá. Mas não se sabe de nenhuma censura pública de Caiado contra deputado, prefeito ou vereador do DEM que continuou na base aliada.
Mas essa militância pós-eleição numa espécie de limbo oposicionista não seria uma forma velada de oportunismo? Poderia ser, sim, se Caiado rompesse nos momentos de crise. Não é isso o que aconteceu. Ele se separou antes mesmo da formação da equipe de governo. Simplesmente, negou-se a desfrutar do poder que ajudou a conquistar. Além disso, apesar de ser dono de um dos discursos mais inteligentes e agressivos da política estadual, jamais fez oposição acirrada à base. Nem ao governo e nem aos democratas que não o acompanharam.
Então, por que agora ele sinaliza que pode voltar a integrar a base que renegou nos anos de mandato? Porque o momento não é mais de atuação pessoal, mas partidária. Agora, não é mais Ronaldo Caiado, mas o DEM, principalmente. E caberia a ele dois caminhos: ou resolver sozinho e empurrar a decisão para baixo, ou permitir que a maioria indique o caminho. Inédito? De jeito nenhum. Exatamente o mesmo retrato de 2010. Tudo detalhadamente igual.
Em 2010, Caiado fez tudo o que era viável para conduzir o DEM para a terceira via, aquela que se revelou uma aventura fracassada patrocinada pelo Palácio das Esmeraldas contra o eixo liderado por Marconi Perillo. No último momento, como aconteceu em 1996, recuou para a maioria. Como novamente deve acontecer agora em 2014.
Caiado se viabilizou para disputar o Senado. A chapa de Marconi está praticamente pronta, com ele próprio na reeleição, José Eliton como vice e Vilmar Rocha para o Senado. Então, esse agora é o ponto que será discutido e negociado. São quatro nomes e três cargos, sendo duas indicações para somente uma vaga de senador. O DEM, certamente, vai lutar pela candidatura ao Senado, com Ronaldo Caiado. Pelo andar da procissão, pode funcionar. Nesse caso, pesaria bastante a agregação de votos, especialmente numa eleição que todos percebem antecipadamente como acirrada. Sobraria José Eliton, que cederia espaço na vice para Vilmar e reforçaria a chapa de deputado federal.
Mas Caiado como candidato ao Senado seria um reforço ou um peso? Ambos. Reforço para a base aliada e peso-pesadíssimo se ele, como candidato, comprar a briga pelos interesses dos aliados, o que inclui seu próprio DEM.

Conexões: Goiás

A sutileza das palavras confunde Friboi
Empresário terá de aprender muito para provar que tem condições de jogar o jogo da política
Júnior Friboi, pré-candidato do PMDB ao governo: confundido pelas palavras
“O político mais bobo consegue desenhar uma vaca na parede e ordenha fácil 10 litros de leite.” Parece frase de para-choque de antigos caminhões que rodavam lentos pelas estradinhas do Brasil. Aliás, um ou outro daqueles velhos e inspirados caminhoneiros provavelmente adornou a traseira de seu “bruto” com esse provérbio. Sábios desbravadores. A política é mesmo um mundo em que a sutileza das palavras às vezes esconde o que parece escancarar e logo depois escancara o que parece querer esconder.
O empresário bem-sucedido José Batista Júnior, o Júnior Friboi, vai descobrir isso aos poucos, agora que resolveu abandonar o balcão de negócios e bancar as negociações no mundo das relações políticas. Por enquanto, as palavras parece que confundem a fluidez de raciocínio dele. Friboi não tem a mínima noção de como interpretar correta e inteiramente o que se diz em alto e bom politiquês. Ele ainda não é do ramo. Se insistir, vai ser um dia, mas ainda não é.
Desde sempre, Júnior Friboi tem agido na política exatamente como fez quando presidiu a empresa criada pelo pai dele, atropelando tudo o que vê pela frente. Com pressa de ontem. Nos negócios, dizem, as coisas funcionam bem dessa forma: se surge a oportunidade, não se pode pensar muito. A cautela pode favorecer um concorrente.
Talvez por essa razão, Friboi tem agido muitas vezes com pressa suficiente para ser induzido a erros políticos grossos.
Na semana que passou, por exemplo, enquanto em Brasília a cúpula do PMDB tentava se acertar com a cúpula do PT para incluir Goiás entre os Estados em que os petistas vão ter que engolir cabeças-de-chapa peemedebistas nas disputas para os governos, Friboi sacou sua verborragia para atacar duramente os potenciais aliados. Por sinal, de resvalo, acertou até no colega de PMDB, Iris Rezende.
Em outras palavras, cobrou do prefeito Antônio Gomide, o queridinho do PT atualmente, que ele cumpra completamente o mandato de prefeito de Anápolis conquistado na reeleição de 2012. De bate-pronto, procurando coerência em sua cobrança, criticou também Iris Rezende por ter renunciado em 2010 e disputado o governo do Estado. Ou seja, além de não agradar o possível aliado, ainda limou o único peemedebista que representa séria ameaça ao seu projeto de disputar o governo de Goiás.
Estragos suficientes? Não para o nada sutil Friboi, que desandou a falar em seguida sobre o que o PT deve fazer a respeito dos nomes do partido nas eleições deste ano. Com Gomide fora do processo, de acordo com a sentença dele, Júnior então citou o ex-reitor da UFG Edward Madu­reira, e a ex-deputada federal Marina Sant’anna como bons candidatos do PT a vice-governador ou a Senador. Não haveria nada de errado nessas citações de Friboi se ele fosse petista e não peemedebista.
Iris: disse-não-disse
Júnior Friboi diz que foi convidado a se filiar ao PMDB exclusivamente para ser candidato ao governo de Goiás. Quem o convidou, afinal? Isso ele não diz. Iris Rezende, principal líder do PMDB goiano, certamente não foi o autor de tal convite. O próprio Friboi passa essa informação ao explicar que, convidado (por quem?) para se filiar ao partido, procurou Iris Rezende para saber se ele era ou não candidato ao governo.
Nesse ponto da história, a sutileza das palavras mais uma vez embaralha os neurônios políticos do empresário. Friboi garante que Iris jamais disse a ele que era candidato ao governo de Goiás. E completa: por que ele, Friboi, deixaria o PSB, onde não tinha concorrentes internos, para encarar uma briga desse tamanho no PMDB?
Concluído o raciocínio, Friboi então deixou a área de conforto do PSB e embarcou na canoa para enfrentar as tempestades que ele não imaginava existir no PMDB. Mas, afinal, Iris disse ou não disse que não era candidato? Disse, sim, e nunca negou ter dito exatamente isso. O problema aí está naquilo que não lhe foi perguntado pelo atabalhoado intérprete político Friboi: se ele, Iris, além de não ser candidato naquele momento, teria desistido completa e irreversivelmente do velho plano de tentar retornar ao Palácio das Esmeraldas.
Friboi também não en­xergou qualquer risco político à frente ao jogar fora a garantia de candidatura que o PSB lhe oferecia. Ouviu que Iris não era candidato, interpretou isso como desistência definitiva, e não se atentou para o fato de que, ao entrar no PMDB, perderia, como perdeu, a condição de decidir sozinho seu próprio futuro imediato. No PSB, nem Iris nem o PT ou qualquer outro partido conseguiria impedir a candidatura dele. Ali, como nas suas empresas, ele era o dono. No PMDB, virou sócio.
Políticos lidam com a sutileza das palavras a cada momento. Consta que Tancredo Neves, durante viagem de campanha ao Nordeste já nos estertores do regime militar de 1964, recebeu telefonema de um apavorado Ulysses Guimarães que queria avisar o matreiro político mineiro de ameaçadoras reações da caserna. Desconfiado de que seus telefonemas eram monitorados, Tancredo fingiu que a ligação estava ruim e disse: “Não estou entendendo o que você diz, mas posso te dizer que o mar aqui está muito bonito. Você precisa vir aqui ver isso, Ulysses”. E desligou o telefone. O grande timoneiro do PMDB entendeu o recado e correu para o aeroporto. Os arapongas não desconfiaram de nada. Eram bons investigadores, mas péssimos intérpretes da política.
Se o exemplo citado é quase uma covardia por envolver dois monstros sagrados da história da arte política brasileira, há zilhões de outros. Em 1985, no processo de afunilamento de candidaturas a prefeito de Goiâ­nia, no retorno das diretas, o então governador Iris Rezende trabalhava decisivamente contra a favoritíssima candidatura do deputado estadual peemedebista Daniel Antônio, que por conta disso já estava com um dos pés fora do PMDB e o outro dentro do PDT. Henrique Santillo, senador, era candidatíssimo ao governo de Goiás nas eleições do ano se­guinte, e tu­do o que ele não queria era enfrentar um prefeito ad­ver­sário na capital.
Então, no Palácio das Esmeraldas, Santillo jogou pesado com Iris pela candidatura de Daniel. O governador teria dito que era tarde demais, que Daniel já estava no PDT. “Não está, não. Falei com ele”, retrucou Santillo. “Se ele voltar ao PMDB, eu o apoio. Pode falar isso pra ele”, concordou Iris. “Falamos juntos. Os repórteres estão do lado de fora esperando pela declaração”, arrematou Santillo. Ele, Santillo, tinha avisado as TVs, rádios e jornais que iria ao Palácio, e assim o compromisso entre os dois, nascido na conversa reservada, se tornou público na mesma hora. Daniel não confirmou filiação ao PDT, foi o candidato do PMDB e venceu as eleições.
Enfim, para se tornar realmente um político, Júnior ainda tem um longo caminho pela frente. Por enquanto, até as palavras o confundem e o derrotam. Isso não significa que ele é um bom ou um mau candidato. Esse julgamento será feito primeiramente pelo PMDB. De­pois, se conseguir passar pela duríssima prova de fogo que é derrotar internamente o mito Iris Rezende, será a vez de enfrentar o veredito final, do eleitor. Até lá, dá tempo de aprender alguma coisa. Como disse Gui­lher­me Arantes, e que se tornou imortal na voz de Elis Regina, “nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar”. Resta saber se Friboi é bom aluno ou somente um bilionário excentricamente político.

A recuperação de Marconi

Não se pode falar em favoritismo, mas pesquisa Fortiori indica que o governador está no jogo e pode vencer mais uma vez
Fernando Leite/Jornal Opção
Governador Marconi Perillo: a oposição chegou a dá-lo como derrotado, quadro
que mudou consideravelmente hoje
Afonso Lopes
Nem o mais pessimista oposicionista conseguiria prever que o quadro eleitoral preparatório deste ano encontraria Marconi Perillo (PSDB) virtualmente pronto para disputar com reais chances de vitória novo mandato de governador. Os otimistas da oposição diziam que o tucano “já era”, que seria fácil vencê-lo nas urnas. Isso se ele “tiver a coragem de se candidatar ao governo”, completavam. Pois é, mas pesquisa feita pelo instituto Fortiori no início deste ano mostra um quadro completamente diferente desse pintado nas ondas otimistas dos grupos oposicionistas. Marconi “apanhou” como nunca havia “apanhado”, mas não foi a nocaute. Ao contrário, voltou a ter condições de vencer mais uma vez.
Quando a pesquisa encomendada pela rede Sucesso de rádio foi divulgada, o jornalista e presidente do Fortiori, Gean Carvalho, que tem especialização superior em estatística, disse que o governador estava recuperado e reunia novamente condições de disputar a eleição deste ano. Esta semana, o Jornal Opção voltou a conversar com Gean, e seu diagnóstico está levemente alterado. “Aquele quadro era de janeiro. Hoje, é melhor. O levantamento mostrou que o governador não apenas tinha novamente voltado ao jogo (eleitoral), mas que ele permanecia em recuperação”, explicou.
Isso significa que Marconi já pode ser considerado como favorito nas eleições. Gean diz claramente que a situação atual é melhor do que a registrada em 2010, quando ele venceu o primeiro turno com 10% de vantagem sobre o segundo colocado, Iris Rezende, e foi eleito no segundo turno com quase 6% de votos a mais que o peemedebista. “Mar­co­ni ainda não bateu no teto e as próximas pesquisas vão definir melhor esse quadro geral”, disse Gean.
Duramente golpeado, mas não nocauteado 
Os oposicionistas subestimaram Marconi Perillo? Sim e não. Revendo a situação de 2011, primeiro ano de governo, nem os aliados do governador se sentiam confortáveis. Rodovias abandonadas, sem condições ao menos razoáveis de uso, escolas caindo aos pedaços, servidores com salários atrasados pelo governo anterior, dívidas acumuladas e vencidas, além de uma forte demanda reprimida de material de consumo rotineiro nas repartições públicas e um déficit potencial de R$ 2 bilhões diagnosticado pela área financeira do Estado. Isso aliado ao sucateamento de “joias” das administrações desse grupamento, que chegou ao poder nas eleições de 1998, como as unidades de Vapt-Vupt, e o abandono dos programas de proteção e de inclusão social. Os próprios governistas deixavam escapar que Marconi andava macambúzio, quase desanimado. Os pessimistas viam ali o fundo do poço, sem possibilidade de retorno à superfície.
Se o cenário era péssimo administrativamente em 2011, um ano depois o quadro político também foi destroçado pelas denúncias contra o então senador Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira. Demóstenes tinha natural influência, como acontece em todos os governos de coalizão, e indicou, soube-se depois, alguns nomes ligados a Ca­choeira. Em Brasília, como a orientação era “pegar” Marconi, bastou unir as coisas e o inferno astral se aliou ao fraco desempenho administrativo do ano anterior. Um arraso quase total.
Foi nesse momento que a oposição pode ter cometido um grave erro de avaliação. O mais grave de todos na política: subestimar a capacidade de reação. Marconi tinha sido duramente golpeado, mas não havia sido nocauteado, como julgavam. Ao contrário, foi nesse momento que seu governo e ele próprio iniciaram uma trajetória completamente oposta.
Sem dinheiro suficiente para levantar a administração amarrada pelo governo anterior, Marconi concentrou esforços em Brasília. É lá onde se concentram 70% de todos os impostos pagos pelos brasileiros (os Estados ficam com 25% e as cidades, 5%). Apesar de ser filiado a um partido que faz o­po­sição ao governo federal, Mar­co­ni conseguiu muito mais recursos nesse endereço do que, por exemplo, a administração de Al­ci­des Rodrigues, que se vangloriava por erguer palanques, em Goiânia, para o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O segredo de Marconi nesse aspecto pode estar em dois pontos: primeiro, completou bem o chamado dever de casa, corrigindo distorções encontradas no campo fiscal, e, em segundo lugar, procurou manter uma relação respeitosa e republicana com a presidente Dilma Roussef, que, mesmo sem recebê-lo em audiência particular, atendeu inúmeros pedidos do governo de Goiás.
Os oposicionistas mais afoitos levantaram, nessa época, inúmeras bandeiras administrativas contra Marconi e seu governo. Um erro crasso diante da experiência administrativa acumulada pelo governador. A primeira saraivada de críticas foi na Educação, graças a prédios escolares caindo aos pedaços. Aos poucos, essa situação mudou completamente, apesar de movimento grevista dos professores ter criado forte crise de imagem para o governo.
A segunda bandeira oposicionista foi o estado de abandono das rodovias estaduais. Dia sim, e dia não também, ouviram-se discursos in­flamados sobre os riscos de acidentes, desconforto, comprometimento do escoamento de safras e prejuízos causados pelas estradas esburacadas. Esse argumento também caiu por terra diante de um grande programa que recuperou, reconstruiu e abriu novas rodovias no Estado.
Comparação a ele mesmo
Há ainda questões não totalmente superadas, como certo grau de insatisfação registrado entre servidores públicos. Aqui, pesa muito o padrão de comparação com os governos anteriores do próprio Marconi. Antes dele, até 1998, os salários eram irrisórios e passavam por intermináveis atrasos. Ou seja, não há como comparar. Depois, no governo de Alcides Rodrigues, o final melancólico deixou como herança para 2011, mais uma vez, compromissos salariais atrasados e o adiamento por quatro anos de reposição da chamada data-base. O governo atualizou novamente o pagamento dos servidores, e tem quitado a data-base, embora de maneira parcelada. Mais uma vez, não há parâmetros para comparar o tratamento recebido pelos servidores no governo imediatamente anterior com o que se vê atualmente.
É exatamente nessa comparação, ou a falta dela em relação aos outros governos, onde se registra um certo desconforto entre os servidores e a administração. Marconi está sendo comparado com o próprio Marconi. Se antes ele concedeu aumentos que recuperaram historicamente os salários aviltantes de tempos passados, o que mudou? Mudou o patamar. Antes, servidores com salários abaixo do mínimo recebiam complementações. Hoje isso não existe mais. A imensa defasagem, que sempre existiu, diminuiu a níveis muitas vezes menor.
Se o quadro geral da pesquisa Fortiori em todo o Estado é favorável ao governador, em Goiânia e em Aparecida de Goiânia registra-se um descompasso. Os oposicionistas se animam exatamente por causa desses índices menos positivos para Marconi. Mas Gean Carvalho, do Fortiori, discorda: ¨O que se tem é o mesmo que se tinha em 2010, quando Marconi perdeu em Goiânia e em Aparecida. Isso não o impediu de vencer o primeiro turno com 10% e o segundo com 6%. Nada mudou nesse sentido.”
Marconi é favorito? Não, não é. É certo que, na pior das hipóteses, nenhum oposicionista tem a coragem de dizer que se as eleições forem definidas em dois turnos, uma das vagas não será dele. Então, para quem foi considerado nocauteado, Marconi não apenas voltou ao jogo. Ele pode vencer. De novo.

 

As origens da divisão que inquieta o PMDB

As origens da divisão que inquieta o PMDB
Para quem acompanha a política goiana, não é nenhuma novidade o cenário de “pé de guerra” no partido, mais uma vez dividido no momento de definir o candidato ao governo
É absolutamente indiscutível e ninguém consegue desmentir peremptoriamente: o PMDB vive mais uma daquelas velhas discussões grupistas que marcam a história do partido em Goiás desde a década de 1980. De um lado, tradicionalistas ligados ao irismo. Do outro, maguitistas que encontraram em Júnior Friboi uma alavanca para tentar mover o centro do mundo peemedebista para outro prumo, o da superação da era Iris Rezende. Por enquanto, os dois lados cantam vitória. Quem vai realmente continuar cantando depois não se sabe, mas é certo acreditar que um dos grupos vai dançar fora do ritmo.
Velha história
Há alguma novidade ao se falar de divisões internas no PMDB goiano? De jeito ne­nhum. Para se ter uma ideia, a primeira delas aconteceu logo depois das eleições de 1982. Desde então, e sempre, o partido convive com guerras internas algumas vezes traumáticas. A primeira delas foi entre mauristas — ligados a Mauro Borges — e iristas, mas acabou também envolvendo os santillistas.
Iris Rezende voltava do exílio eleitoral imposto pela ditadura militar de 1964 sonhando com candidatura ao governo do Estado, naquele que seria o retorno da votação direta para governador. Mauro Borges presidia o PMDB, e Henrique Santillo tinha preferência interna no rol de candidaturas. Muitas negociações depois, num acordo que foi dezenas de vezes negado pelas partes diretamente envolvidas, Iris Rezende foi escolhido, mas a vaga para a próxima disputa, em 1986, ficaria assegurada a Santillo.
Certo de que tinha recebido, digamos, um “favor” dos líderes mais poderosos do PMDB, na época Santillo e Mauro, Iris não se deitou em berço esplêndido para saborear a vitória interna. Buscou e conquistou a adesão do grupo do ex-governador Irapuan Costa Júnior, que enfrentava igualmente problemas de acomodação dentro do PDS, sucedâneo da Arena, até então governista. Não foi uma aproximação pacífica. Em determinado momento, Santillo chegou a declarar à imprensa que Irapuan não era bem-vindo ao PMDB e, se fosse o caso, ele e seu grupo fariam as malas imediatamente. Ninguém duvidou da disposição santillista, que já havia tentado montar o PT em Goiás, operação que deu em nada, em 1980.
Mais uma vez, foi Mauro Borges quem tricotou internamente e conseguiu diminuir a fogueira interna entre iristas, agora reforçados por irapuanistas, e santillistas. Funcionou, mas poucos observadores imaginaram que o quadro que se seguiu apresentaria uma enorme guinada.
Certo de que a candidatura de Iris em 82, o acerto com os Santillo para 86 e a consequente absorção pacificada dos irapuanistas tinham passado por suas mãos, Mauro tentou exercer influência natural dentro da estrutura de governo irista. E aí começou nova guerra.
Foi nesse embate que políticos ligados ao ex-governador Irapuan se dividiram enquanto grupo. Uma parte ficou com Iris, e o restante se aproximou de Santillo. Mauro se isolou no meio e os iristas conseguiram esmagar sua influência interna de tal forma que não lhe restou outra saída senão aceitar a oferta da oposição. Nas eleições de 86, Mauro foi o candidato ao governo por esse eixo, mas centrou todo o poder de fogo de suas fortes críticas ao governador Iris Rezende, e não ao seu real adversário Henrique Santillo. Nas últimas semanas, ainda sob risco eleitoral, iristas saíram em apoio à candidatura de Santillo.
Se Mauro Borges e seu grupo foram os primeiros a deixar o PMDB goiano após guerras internas, na realidade apenas abriram as portas. Logo em seguida, durante o governo de Henrique Santillo, todas as diferenças entre os grupos santillistas/irapuanistas e iristas/irapuanistas vieram à tona como as águas de um dique rompido. Não houve sequer tentativa ousada de nova conciliação — há quem acredite que pesou nessa falta de entendimento uma terceira voz, a de Mauro Borges.
No final, os santillistas e o que restou do grupo inicial de Irapuan deixaram o PMDB e criaram, naquela época, um forte grupamento oposicionista, substituindo de certa forma o vácuo criado pelo fracasso dos oposicionistas remanescentes que deram sustentação à candidatura de Mauro Borges, em 86. O então prefeito de Rio Verde, Paulo Roberto Cunha, que tinha sido eleito deputado federal constituinte, foi o candidato do grupo contra o retorno de Iris Rezende. Iris venceu mais uma vez, e Santillo deixou o PMDB e acompanhou seus companheiros na oposição.
Fim das guerras no partido? Ainda não. Sem Mauro, Santillo e Irapuan, restava uma derradeira estrela dentro do PMDB irradiando a partir de Goiânia, o prefeito Nion Albernaz. Também não deu para ele. Em 93, um ano antes da eleição, sentiu o peso da barra irista e igualmente deixou a história peemedebista para trás.
No PMDB, sem um nome realmente popular e com luz própria, Iris e o grupo mais próximo do Palácio cacifou o então vice-governador Maguito Vilela contra um deputado federal com enorme penetração nas bases partidárias, Naphtali Alves, o que poderia representar novo perigo no futuro. Maguito, com um constrangido Naphtali como vice, acabou vencendo os candidatos oposicionistas Lúcia Vânia, representante dos grupos santillista e irapuanista, e Ronaldo Caiado, do antigo grupamento de oposição. Somados, Lúcia e Caiado tiveram mais votos que Maguito no primeiro turno, mas foram superados individualmente pelo peemedebista.
A origem da atual guerra
Se Maguito foi ungido pelos palacianos iristas por representar menor perigo pela falta de influência junto às bases, fidelizadas a Iris Rezende, a prática de seu governo mudou esse quadro. Desde o início, Maguito concentrou poderes em alguns nomes próximos a ele e, de certa forma, mais independentes de Iris Rezende e dos palacianos.
Maguito promoveu uma administração voltada principalmente para o viés assistencialista, e surfou numa onda crescente de popularidade. Completou a festa na segunda metade do mandato ao “passar nos cobres” a hidrelétrica de Cachoeira Dourada, operação que depois foi apontada como desastrosa para a saúde econômico-financeira da própria Celg.
O caixa anabolizado com o dinheiro da hidrelétrica foi a coroa do bolo da popularidade de Maguito, que seguia em marcha batidíssima para reeleição, em 1998, com tranquilidade absoluta. Até que… os iristas reagiram.
Um segundo mandato, e os consequentes oito anos de afastamento do núcleo de poder, foi considerado como mortal para os iristas. O próprio Iris estava tranquilo, em Brasília, licenciado do Senado e comandando nada menos que o poderoso Ministério da Justiça no governo de Fernando Henrique Cardoso. Mas a reação irista contra a reeleição de Maguito veio fortíssima e, apesar do poder conferido a ele pelo inquilinato no Palácio das Esmeraldas, não restou alternativa a não ser entregar a candidatura a Iris e buscar uma tranquilíssima eleição para o Senado.
O restante da história ainda está na memória de quase todos. Iris começou sem adversários e chegando aos 70% de intenções de voto. A oposição bateu cabeça aos montes, mas conseguiu união total dos seus quatro principais partidos — PSDB, DEM, PP e PTB — e virou o placar numa das campanhas mais empolgantes e emocionantes de toda a história de Goiás. Marconi Perillo, então um jovem deputado federal, bateu o mito Iris nos dois turnos.
Iris Rezende e os iristas jamais conseguiram superar completamente a derrota de 1998. Até hoje há quem jure ter escutado barulho de festa nos becos maguitistas em comemoração à derrota de Iris. Se é verdadeira ou não essa história, ninguém a confirma, mas na intimidade alguns iristas não a desmentem.
Um segundo momento de tensão pode ter selado de vez os destinos de maguitistas e iristas. Foi em 2002, quando Iris tentou a reeleição para o Senado, enquanto Maguito, com mais quatro anos garantidos como senador, enfrentou Marconi Perillo. O tucano foi reeleito sem necessidade de segundo turno, e Iris acabou ultrapassado por Lúcia Vânia e Demóstenes Torres, ficando assim sem mandato, na planície.
Para os iristas, Maguito não se empenhou como deveria na campanha eleitoral nem se preocupou em apoiar a chapa ao Senado, que tinha o próprio Iris e Mauro Miranda, ambos em fim de mandato. Nas contas da possível conspiração somadas por iristas, foi intencional esse desleixo. Se a primeira derrota, em 1998, foi duríssima, a segunda, em 2002, seria a pá de cal na aposentadoria de Iris. E o plano, se é que existiu ou se é mera coincidência das teses conspiratórias, quase deu certo. Sem mandato, Iris buscou autoexílio em suas fazendas e parecia que ficaria por lá por vários anos. Mas ele voltou dois anos depois, na eleição de Goiânia, e recomeçou mais uma vez.
O surgimento de Friboi
Mas onde entraria Friboi nessa massa política peemedebista entre iristas e maguitistas? Exatamente onde ele se encontra neste momento. Friboi, com disposição para atacar um velho flanco não devidamente guarnecido por Iris Rezende, as despesas de campanha, caiu como uma luva neste momento. As campanha de Iris, como de todo o PMDB, sempre foram bancadas por contribuições no atacado, mas o varejo jamais deixou de ser bancado pelos próprios peemedebistas do interior, sejam eles prefeitos, vereadores ou candidatos a deputado menos famosos e mais localizados.
Friboi entrou avisando ter disposição de dispensar essa ajuda do varejo peemedebista. Mais além, chegou a prometer total apoio aos candidatos a deputado estadual e deputado federal. Ou seja, música para ouvidos cansados de chorar loas por investimentos sacrificados a cada campanha e a cada derrota.
Mas só isso seria insuficiente para Friboi botar a banca que tem colocado diante de um mito e líder como Iris Rezende. Faltava o apoio político, e foi aí que entraram com tudo os maguitistas. De prefeitos e vereadores a deputados estaduais e federais, houve uma reação em cadeia do grupamento na defesa de Friboi. E é esse exatamente o respaldo político que ele tem.
Como essa disputa irá terminar é difícil dizer. Os iristas reagiram como sempre: invocando o apoio das bases peemedebistas eternamente fidelizadas ao líder. É com esse alicerce que Iris sempre reinou absoluto e é nele, mais uma vez, que aposta vencer. Friboi vai com promessas de apoio financeiro amplo, geral e irrestrito e conquista parte da cúpula do PMDB, onde estaria hoje uma forte concentração de poder dos maguitistas.
Do lado de fora, mas nem tanto, os petistas olham atentamente. Já optaram por, se for o caso, conversar com o PMDB de Iris Rezende. Com o PMDB de Friboi, dizem que não tem conversa. Nesse caso, preferem cuidar do próprio braseiro.
– publicado originalmente em Jornal Opção, de 09/03/2014