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Os botões tem os melhores ouvidos

Me pego às vezes em pleno delírio de pensamentos. Sei lá se isso é uma coisa normal. Deve ser. Não me acho doido. Um pouquinho, talvez. Mas isso é normal, ué. Todo mundo é um pouco doido.

E falo sozinho. Não absolutamente sozinho. Converso com meus botões. Isso, sim, acho que é mais grave. Mas muita gente faz isso desde criança. Para os adultos é engraçado ver criancinhas batendo o maior papo com coleguinhas imaginários. Bobagem. A gente faz a mesma coisa, só que escondido. Quer dizer: eu faço. Algumas pessoas também fazem. É só ficar de olho nos motoristas na hora que o sinal fecha. Vidros fechados, ar condicionado ligado, música e tal e aquele blábláblá sem fim.

Com estátua eu nunca falei. Parece ser coisa de doido

Com estátua eu nunca falei. Parece ser coisa de doido

O duro é quando você tá ali, na maior prosa, e percebe que outros motoristas estão observando curiosos, tipo ¨esse maluco ali está conversando com quem?¨. Quando levo um flagra desconcertante desse uso algumas técnicas pra disfarçar. Pra não ficar parecendo doido. Bato com as palmas das duas mãos no volante ritmamente, dou umas tamboriladas com as pontas dos dedos e, de vez em quando, até balanço a cabeça levemente e dirijo imaginariamente uma orquestra. Arrá: tenho certeza que o curioso do lado pensa na hora: ¨Pô, o cara não está falando. Tá só empolgado com alguma música¨.

Ainda bem que o sinal abre rapidinho. É um saco essas pessoas que impedem meu diálogo com… meus botões. É isso, carambas: eu falo com meus botões. As crianças, inocentes, falam com seres que existem apenas na imaginação delas. Só não acho muito certo quando eu falo e eu mesmo respondo. É como se fosse aqueles desenhos de anjinho de um lado e diabinho do outro. Um fala e o outro atenta.

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Às vezes tenho vontade de perguntar para amigos e amigas se eles também conversam com os botões deles. Mas fico com medo de me acharem tantã.

Por que será que a gente se incomoda tanto com aquilo que os outros pensam – que nós imaginamos que pensem – a nosso respeito? O tempo todo a gente fica se policiando: ¨Opa, será que vão pensar que eu sou isso ou sou aquilo?¨. Saco. Com tanta coisa pra conversar com nossos botões e ainda temos esse tipo de preocupação.

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Bom mesmo são os botões. Eles são ótimos ouvintes. Nunca falam nada. E quem cala, consente.

PS – e se por acaso me ver em algum sinal fechado tamborilando dedos ou balançando a cabeça no carro, vá te catar. Não sabe que é falta de educação ficar ouvindo a conversa dos outros? Então.

Ufa, terminou. Dilma entrega a Ferrovia Norte Sul 25 anos depois

A presidente Dilma Roussef está entregando a ferrovia Norte-Sul, que liga a região central de Goiás ao Porto de Itaqui, no Maranhão. Foram nada menos que 25 anos de construção. E é mesmo um marco que pode alterar bastante o perfil socioeconômico dessas regiões. Mas não apenas.

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Os portos do sul do Brasil operam com excesso, o que acaba encarecendo fretes marítimos. Seja pela estadia da mercadoria nesses locais, esperando a vez para o embarque, seja pelas enormes distâncias que precisam ser vencidas sob pneus. A Norte Sul poderá desviar e distribuir melhor essas cargas.

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Mas ainda falta um outro trecho ferroviário para completar a malha. A maior região produtora de Goiás, e uma das principais do Brasil, não é o norte, mas o sudoeste. Então, e sabe-se lá até quando, toda essa produção ainda terá que enfrentar viagens por rodovias entre o sudoeste e o centro do Estado.

Pronto: criamos outro problema, então? Negativo. O governo federal está duplicando a BR-060, entre Goiânia e Rio Verde, capital da região Sudoeste. Isso fecha o ciclo com nota 10. Com essa estrada duplicada, uma das mais importantes regiões produtoras do Brasil estará a um passo da ferrovia Norte Sul, e daí ao Porto de Itaqui, no Maranhão.BR-060

Esse quadro geral mostra talvez de forma en passant o que na realidade representa esse conjunto de obras que está sendo entregue pelo governo da presidente Dilma Roussef.

Falta de perspectiva de vitória esvazia demais candidaturas da oposição

A pouco mais de 1 mês para o prazo fatal das convenções partidárias, o governador Marconi Perillo e os pretendentes que fazem oposição a ele vivem situação exatamente oposta também em relação à escalação dos titulares da chapa majoritária. Marconi tem pelo menos 1 candidato a mais do que a chapa pode comportar. Já a oposição quebra a cabeça para lançar nomes a vice e ao Senado. Até aqui, apenas Vanderlan Cardoso, que lidera uma minúscula coligação liderada pelo PSB, com PSC e PRP, conseguiu encontrar um candidato ao Senado, mesmo assim sem qualquer peso eleitoral de imediato.

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Na base aliada, Marconi tem falado publicamente que sua chapa já está pronta, com ele próprio e o atual vice, José Eliton, como candidatos à reeleição, e o deputado federal Vilmar Rocha, do PSD, na vaga para o Senado. Nessa lista, está faltando pelo menos mais um: o deputado federal e presidente regional do DEM, Ronaldo Caiado, que também anunciou que vai disputar o Senado. Além dele, o PTB quer conversar sobre a formação da chapa, embora avise previamente que aceitará a indicação pessoal de Marconi.

O problema, portanto, é como resolver o problema de Caiado e, por consequência, do DEM. Desde sempre, enorme parcela das bases do partido são amplamente favoráveis à base aliada. Esta semana, em um evento no interior, a esposa de Caiado, Gracinha, pediu a palavra e fez um discurso recheado de elogios a Marconi. É certo que a atitude dela não foi um gesto impensado ou em desacordo com o marido dela.

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Oposição desorientada – Enquanto a base aliada tem esse ótimo problema para equacionar, os opositores estão mais perdidos do que pacifista mórmon em meio a tiroteio no velho oeste, com direito a tiros de emboscada e até um duelo de facas ao por do sol entre peemedebistas. Simplesmente, nem PT, nem PSB e muito menos o PMDB, trabalha nomes para a chapa majoritária neste momento. É claro que, levando-se em conta apenas o calendário, há ainda um tempão para acertar chapas. A questão, porém, não é de tempo, mas de completa falta de pretendentes e de mobilização.

Jesuíno, primeiro plano à esquerda. Legenda necessária

Jesuíno, primeiro plano à esquerda. Legenda necessária

A impressão pode se cristalizar é que os candidatos e os partidos vão ter que laçar candidaturas, e não viver o natural processo de escolha. Até aqui, o único nome anunciado pelas oposições como integrante de uma chapa majoritária foi o do procurador federal Aguimar Jesuíno, que não tem qualquer tradição eleitoral. Como são 3 as chapas oposicionistas até aqui, restam 5 vagas aberta, duas para o Senado – PMDB e PT – e 3 para vice – PMDB, PT e PSB.

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É certo que o PMDB tem o maior plantel dentre os partidos oposicionistas para ocupar as vagas sem maiores dores de cabeça, mas o partido ainda nem conseguiu definir de fato quem vai encabeçar a chapa. Iris, que antes dizia que não era candidato, passou a ser, mas renunciou uma semana depois, e continua com a faca nos dentes. Friboi diz que não vai fugir do duelo com o rival.

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No PT, a solução também deve ser doméstica. Mas até agora ninguém tem se mostrado empolgado com a possibilidade de compor a chapa majoritária. Idêntica situação vivida por Vanderlan Cardoso.

Essas realidade diametralmente antagônica vivida neste momento por Marconi e por aqueles que fazem oposição a ele tem a mesmíssima motivação absoluta e determinante: perspectiva de vitória. Marconi a tem, os demais, pelo menos por enquanto, não. Isso pode mudar, obviamente, mas, para quem está no sufoco, colocar o nariz acima da linha d´água nessas condições nunca é fácil.

Sob medida? Não, mas que parece, parece

Olha só que baita decisão. Um dia depois de mandar soltar todos os acusados na Operação Lava Jato, presos pela Justiça do Paraná, o ministro Teori Zavascki voltou atrás para manter todos eles fechadinhos da gaiola da Lei. Todos? Não. O ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, foi o único que caiu fora.

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É claro que seria um completo absurdo supor que a decisão inicial do ministro, de mandar libertar todo mundo, teve segunda intenções que não a intenção única de zelar pela correta aplicação da legislação. Que ficou parecendo encomenda sob medida, ficou.

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Mas a primeira decisão foi baseada em que? Foi baseada no que diz a lei a respeito de fórum privilegiado de deputados federais e outros bambambãs da republiqueta verdamarela. Como a acusação de furto de bilhões de reais inclui pelo menos 2 deputados federais, o caso todo deveria ser enviado à burocracia brasiliense.

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O Juiz Federal do Paraná, Sérgio Moro, mandou para o alto apenas a parte que diz respeito aos parlamentares. Ele entendeu que o doleiro Alberto Youssef e os demais 11 acusados, incluindo o ex-diretor da Petrobrás, ficariam bem guardadinhos ali mesmo, nas prisões do Paraná.

A única dúvida que deve incomodar é se houve ou não 2 pesos. Se o balaio é o mesmo, e 11 vão continuar na cadeia, por que a libertação do ex-diretor da Petrobrás não foi também revogada imediatamente?

My Way, by Roberto Carlos

E o tal comercial do retorno do rei Roberto Carlos ao mundo dos carnívoros? Foi o único de uma série que não existiu: ficou sentado à mesa, trocou o prato e o garçom disse a ele que a carne era Friboi. ¨Com certeza¨, disse o rei.

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E daí? Daí que o comercial não mostrou ele comendo o pedação de carne, mas se comeu não deve ter gostado.

Como diz a letra de My Way, será que Roberto Carlos comeu mais do que conseguiria/gostaria de engolir?

Burocracia brasileira ama carimbos

Quer complicar algum trâmite legal? Simples, exija carimbo, assinatura reconhecida em cartório, selos e tal e coisa. O Brasil é ainda hoje um campeão mundial quando o assunto é burocracia. Uma montanha de dinheiro e tempo que se joga no lixo.

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Já houve até um Ministério em Brasília para acabar com a burocracia brasileira. O que aconteceu? Acabaram com ele.

A conta vai chegar em 2015. E será salgada

Previsão feita ontem pela jornalista Lillian Witte Fibe, no programa do Jô, Rede Globo: prepare-se que a conta da inflação represada vai chegar no ano que vem, com aumento no custo de vida e arrocho fiscal.

Ilustração veiculada no blog conexão social

Ilustração veiculada no blog conexão social

Quer dizer, o que já é uma extorsão, a carga fiscal paga pelos brasileiros, vai ficar pior. Carlos Alberto Sardenberg disse ontem que a classe média brasileira – renda entre 3 mil e 10 mil reais por mês –, os coxinhas tão desprezados pelos raivosos que se sentem revolucionários, é quem mais paga impostos no Brasil. Eles trabalham nada menos que 161 dias por ano somente para alimentar a pior praga do Brasil: os governos – nos 3 níveis, federal, estaduais e municipais. Nos últimos 10 anos, a extorsão praticada via impostos aumentou quase 10%.

Pacto com meus cabelos…

Há alguns anos, milhares de fios de cabelo começaram a me abandonar. Pensei que ficaria careca. Depois de um alguns anos, eles pararam de pular, e desde então só fizeram afinar. Eram fios muito mais grossos. Agora são finos. Gostava deles antes, gosto deles agora.

Me lembro que na época dos tombos um amigo me falou sobre remédio para os cabelos pararem de pular.

–       Você tem que usar. É ótimo. Alguns fios até renascem.

–       E pra que que eu vou fazer isso?

–       Você quer ficar careca?

–       Não, mas se eles desistem antes que eu desista, tudo bem. Vou reencontrá-los daqui a um punhado de anos. É meu pacto com eles.

–       Você tá brincando…

–       Tô não. Meus cabelos me acompanham há mais de 40 anos. Foram bacanas comigo. Se eles se cansaram e querem partir antes, respeito cada fio, os que se vão agora e os que vão me esperar para irmos juntos. Depois a gente se encontra de novo.

É claro que o tal amigo deve pensar até hoje que eu estava brincando. Mas não estava. Não caí em nenhuma beberagem para forçar meus cabelos a ficarem onde estão. Eles continuam comigo, ajudando a compor uma aparência que já foi bem melhor. E como quero ficar por aqui ainda por algumas dezenas de anos, sei que só vai piorar o conjunto. Fazer o que? Esse é o preço, uai.

Acho que me lembrei dessa história dos meus cabelos por causa de tantas moças novas que entram na faca para arrancar algumas gordurinhas, e que acabam indo embora cedo demais da conta. Dia desses, foi mais uma garota lindona, de 20 e pouquíssimos anos.

Desde sempre as pessoas procuram fontes da eterna juventude. Acho que eu também queria uma fonte dessas, se elas existissem. Não existem. É certo que a inteligência humana consegue melhorar na faca a parte externa, mas internamente, não.

Ilustração publicada no site benoliveira.com

Ilustração publicada no site benoliveira.com

Coração, pulmões, fígado, rins, estômago, intestino, músculos, cérebro… É como se as rugas deles fossem imunes à intervenção humana. Pode-se endurecer um peito aqui, tirar ou amenizar uma ruga ali, arrancar uma gordurinha e tal, mas a essência vai continuar a mesma. Ou melhor: pior a cada dia.

injeção de botox

Algumas pessoas não convivem bem com a ideia de que a aparência piora. E fazem plásticas, esticam as peles, cortam pedaços, se injetam de toxinas… Não condeno de forma alguma quem faz isso. Cada um faz aquilo que achar melhor. Mas não gosto da cobrança que existe em relação à aparência. Soa a mim como um desprezo à velhice embalado em vários nãos: não às rugas, não à flacidez, não à natural decadência humana.

Há alguns dias, amigos me perguntaram se não voltarei à TV. Por mim, disse, não. Passou meu tempo, ué. Nada contra quem permanece. Mas hoje gosto mais de ler, escrever e falar. Gosto muitíssimo das novas gerações ocupando um espaço que antes eu e tantos outros já ocuparam. Penso que nós fizemos isso antes, lá atrás: renovamos o estoque que existia. Agora, somos nós aqueles veteranos que substituímos. Isso é realmente lindo. É vida.

Começa da vida

¨Ora, mas você não está velho¨, ouço muitas vezes. Como não? Claro que estou. Sou véio, uai. Não estou acabado. Ser velho não é ser acabado. Ser velho é… ser velho, uai. Não ser novo. É já ter vivido o auge e viajar agora rumo à decadência que corre em direção contrária. Temos um encontro marcado pela Vida: por mais que a gente pense e faça, vamos ao encontro da decadência. Deprimente isso? É nada. É maravilhosamente humano.

Vinhos fantásticos, mas que custam entre 250 e 500 reais

Confesso que esta não é minha praia rotineira. Esses vinhos são fora-de-série, mas meu bolso, infelizmente, não os comporta tantas vezes quanto eu amaria. Os prazeres à boca clamam por novas jornadas nesse mundo especialíssimo de Baco, e lamentam pelas intensas saudades.Mas os deuses são camaradas com todos os tipos de bebedores e oferecem vinhos excelentes e muito mais acessíveis. De qualquer forma, e sem nenhuma dúvida, nenhum bebedor de vinho merece morrer sem antes beber alguns goles dessas flores engarrafadas do lácio escarlate.

A forma mais em conta de viver a fantástica experiência de bebericar esses vinhos é nos eventos promovidos por lojas especializadas e pelas importadoras. Goiânia ainda não entrou nesse circuito, mas Brasília, sim. São Paulo é a meca dessas degustações.

Outra forma viável é promover uma noitada especial com outros bebedores. 3 casais, ou 3 marmanjos, é bom. No máximo, 4. Mais do que isso acaba ficando com custo equivalente ao consumo individual. Cada um se encarrega de levar uma garrafa de livre escolha – dentro de faixa de preço estabelecida – e dividem o custo do néctar final. Se a opção for por casais, é preciso avaliar o consumo, e também a participação financeira das companheiras  cada um.

Mas chega. Melhor entrar logo na tal relação de vinhos extraordinários. São 11 dicas. Alguns desses vinhos são facilmente encontrados na internet ou em lojas especializadas.

Os 5 ícones chilenos – É impossível abrir uma lista como essa sem citar os 5 grandes ícones do Chile, melhor fabricante de vinho desta parte do planeta. São eles: Clos Apalta, Don Melchor, Viñedo, Montes Alpha M e Almaviva. Se quiser ler mais sobre eles, rode esta página até o final e pule para a segunda página. Eles estão todos lá, inclusive com os preços.

Borobo  390,Borobo – Mais um chileno surpreendente. É um blend que leva as castas francesas mais emblemáticas: Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Carmenére e Pinot Noir. O nome soa meio indígena, mas não tem nada a ver. É a junção das iniciais das regiões da França que trabalham essas uvas: Bordeaux, Rhône e Borgonha. O Borobo é sisudão, mas simplesmente adorável. Custa cerca de 390 reais.

Malbec argentino 450,Catena Zapata Malbec Argentino – Seria injusto falar sobre os grandes vinhos e não incluir um representante dos nossos hermanos. Aí está ele. Tá, a uva Malbec não está entre as grandes uvas, como Cabernet Sauvignon e Pinot Noir. Mas antes de virar a cara para esta garrafa, esqueça todos os vinhos Malbec que você já bebericou. Este aqui é um fora-de-série. Desde seu lançamento, ganhou o título merecidíssimo em cada gota de melhor Malbec da história humana no mundo de Baco. Se a noite tiver uma boa carne pra forrar, então… Vale 450 paus.

Cryseia   400,Cryseia – E como não citar algum vinho da terrinha nessa lista? O Cryseia entra com sobras. Foi o primeiro grande vinho português a constar na lista dos 100 melhores do mundo organizada pela importante Wine Spectator. Vá lá que é uma certa injustiça com o Barca Velha, a maior de todas as lendas lusitanas. Mas a indicação do Cryseia é mais do que justa. É feito com 4 grandes uvas de Portugal: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Cão. Esplendoroso. Custa 400 reais.

Ànima Negra - 280,Ànima Negra – Espanhol, da região de Mallorca. Feito com duas uvas características e praticamente desconhecidas: Callet e Mantonegro-Fogoneu. Bebi umas 3 taças desse vinho num evento em São Paulo. É surpreendente. O crítico Robert Parker, o mais famoso do mundo, mandou 92 pontos para esse vinho, numa escala que vai até 100. Não exagerou de forma alguma. Talvez tenha sido até econômico ao dar ¨apenas¨ 92 pontos. É o menos caro nesta lista, e fica pouco acima do piso: 280 reais.

Flor de Pingus   500,Flor de Pingus – Mais um da terra da Fúria. É o melhor pontuado RP desta lista, com nada menos que 94 pontos, safra 2009. Merecidos, este Flor de Pingus é feito apenas com uvas Tempranillo – que em Portugal ganha o nome de Tinta Roriz ou Aragonês. Também neste caso, como no Malbec Argentino, antes de jogar um gole desse néctar na boca é bom zerar a memória de todos os demais Tempranillo que você tenha bebido. O Flor de Pingus é divinamente fantástico. E também se aperfeiçoa com boa carne, mas não churrasco. Bate no teto: 500 paus.

Vosne RomanéeVosne Romanée Domaine Méo-Camuzet – É um Vosne Romanée, e isso dispensa comentários. Essa é uma sub-região da Borgonha que abriga alguns dos vinhedos mais lendários, e caros, do mundo, inclusive o Romanée Conti, espécie de ícone-mor do planeta regido por Baco. O Romane é coisa pra artista hollywoodyano no auge do sucesso, sheik do petróleo e magnatas de toda a natureza. Não é vinho para o bico dos mortais. Mas, como disse lá no início, os deuses do vinho são democráticos e agradam todos os tipos de bebedores. Esse Vosne é o basicão da Méo-Camuzet, que faz também um Grand Cru badalado, e bem mais caro. No Brasil, ele pode ser comprado, pela internet, de uma importadora séria, por 450 reais. Ainda não consegui me esbaldar em pelo menos umazinha boa taça do Vosne. Fiquei numa bicada educadíssima – embora a minha vontade fosse absolutamente selvagem naquele momento –  na mesa de amigos. Foi o suficiente. Então, para chegar o mais próximo possível de um vinho vizinho do famoso Romane, vá nesse aí.

PMDB: Iris usa tática do boxe na disputa contra Friboi

Jornal Opção

Objetivo do líder peemedebista é enfraquecer a posição do rival e levá-lo a nocaute no último momento. Se perder indicação no PMDB, Iris não deve apoiar Friboi na campanha

Júnior Friboi no encontro do Solidariedade, na Câmara de Goiânia, dois dias após passar por cirurgia: queixas contra Iris | Mel Castro/Diário da Manhã

Júnior Friboi no encontro do Solidariedade, na Câmara de Goiânia, dois dias após passar por cirurgia: queixas contra Iris | Mel Castro/Diário da Manhã

 Afonso Lopes

Júnior Friboi deixou hospital onde foi operado de hérnia umbilical, na quinta-feira, 15, e se esforçou para chegar ao auditório Jaime Câmara, da Câmara de Vereadores de Go­iânia, onde aconteceu encontro regional do Solidariedade. Friboi desrespeitou ordens médicas de repouso por 15 dias e apareceu com semblante visivelmente decaído.

Ex-prefeito Iris Rezende: estocadas contra Júnior Friboi | Fernando Leite/Jornal Opção

Ex-prefeito Iris Rezende: estocadas contra Júnior Friboi | Fernando Leite/Jornal Opção

Sem “querer querendo” mais do que nunca, Iris Rezende permanece lam­bendo suas feridas publicamente após ter sido sufocado na corrida interna do PMDB para a escolha do can­didato do partido ao governo do Estado. Diariamente, ele recebe algumas lideranças em seu escritório, no Setor Bueno, ainda não articuladas e organizadas, mas que vem se transformando num pequeno movimento interno intitulado “Volta Iris”. No caso, seria a volta de sua candidatura após renúncia de pré-candidatura através de carta aberta ao diretório estadual.

Os dois movimentos, de Friboi e de Iris, indicam na mesma direção, mas em clara linha de colisão de interesses: ambos pretendem dar os últimos acordes às suas posições. Iris quer derrubar a indicação majoritária de Friboi, enquanto seu adversário faz o possível para evitar o troco irista e uma virada no último momento do processo de afunilamento peemedebista.

Disputa intensa

Mesmo do lado de fora, é possível àqueles que acompanham os fatos políticos perceber que o tom das declarações estão subindo cada vez mais. No evento do Solida­riedade, Friboi falou sobre as articulações atuais de Iris Rezende no jogo interno, e reclamou bastante, inclusive dizendo que o líder peemedebista o tem atrapalhado.

Do outro lado, em seu escritório, não apenas nos encontros reservados, Iris acusa Friboi de usar seu enorme poder de sedução econômico para garantir apoio. Indo além, Iris reclamou dos próprios peemedebistas que se deixaram ou quiseram ser seduzidos por Friboi, ao afirmar que ainda tem esperanças de que todos percebam que a única coisa que o adversário tem a oferecer é exatamente dinheiro.

Trocando em miúdos, Friboi a­cu­sa Iris de atrapalhar no trabalho dele de agregação de partidos para a coligação a ser liderada pelo PMDB, e é acusado por Iris de gas­­tar tubos de dinheiro como prin­cipal base de sua atuação política.

Iris usa tática do boxe — Friboi também disse na quinta-feira, 15, que ainda não identificou nenhuma renúncia de Iris à própria renúncia, e que certamente será procurado pelo rival caso essa situação se altere. Provavelmente, nesse caso, Friboi terá que esperar sentado, e sem nenhuma pressa. A estratégia de Iris passa longe de uma reentrada triunfal na disputa nos braços do povo peemedebista. Até pela óbvia razão de que os braços que o carregavam antes nas festivas convenções do PMDB estão agora a serviço da candidatura de Friboi.

Friboi desrespeitou as orientações médicas porque tem acusado o golpe. Sua sofrida peregrinação pelos caminhos da Câmara Mu­nicipal indica claramente que ele “passou recibo”, e revelou ainda temer uma reação de Iris Rezende. O mais curioso é que também Iris se sente inseguro com a base oferecida pelo tímido movimento “Volta Iris”, razão pela qual estaria acrescentando um discurso bem mais forte e direto contra o poder econômico do concorrente.

Se Friboi apelou para a movimentação para garantir o espaço até agora conquistado por ele dentro do PMDB, a estratégia de Iris é se tornar cada vez mais um franco atirador. Estratégia semelhante aos grandes boxeadores sem pegada demolidora, eles batem, se protegem, batem novamente, rodam o ringue para evitar contra-ataque, e batem de novo. O objetivo é minar as resistências até que o adversário se sinta cansado demais para evitar o cerco final. Friboi, por sua vez, conseguiu mandar Iris para a lona, mas não o atingiu de tal forma que o levasse ao nocaute, como se pensou inicialmente. Ele garantiu a decisão por pontos previamente — numa eventual convenção — mas terá que sobreviver acima da linha d’água, em pé, até o fim.

Um quadro como esse, de disputa tão intensa, e que tende naturalmente a ganhar contornos cada vez mais dramáticos, indica que a primeira vítima desse confronto está claramente identificada: a unidade interna. Iris, por sinal, disse na quinta-feira, 15, uma frase enigmática: de que não importa o que vai acontecer, no segundo turno todos vão estar unidos.

Há inúmeras possíveis interpretações para essa frase. A primeira delas, mais forte e que enseja maior sentido lógico, é que Iris não apoiará Friboi nem agora, na disputa interna, e nem depois, durante a campanha. E sobre a união no segundo turno? O recado, aí, é mais claro e complementa a interpretação anterior: Iris não acredita que Friboi chegue ao segundo turno.

Chapa de Marconi está pronta

Conexões: Jornal Opção

PSDB, PP e PSD formam a representatividade da coligação governista

José Eliton na vice, Marconi Perillo candidato ao governo e Vilmar Rocha candidato ao Senado: a chapa governista está praticamente definida para a disputa de outubro | Fotos: Fernando leirte/Jornal Opção

José Eliton na vice, Marconi Perillo candidato ao governo e Vilmar Rocha candidato ao Senado: a chapa governista está praticamente definida para a disputa de outubro | Fotos: Fernando leirte/Jornal Opção

A chapa do principal eixo político atualmente de Goiás, liderada pelo governador Marconi Perillo, está definitivamente alinhavada. Além de Marconi, o vice-governador José Eliton será candidato à reeleição. Para o Senado, o nome do deputado federal e presidente do PSD goiano, Vilmar Rocha, também deverá ser confirmado. Essa é a chapa preferida, e assim anunciada, pelo próprio governador há tempos.

Não foi um processo pronto e acabado desde sempre. No início da formatação, o PTB, do deputado federal Jovair Arantes, se apresentou com disposição para cobrar espaço na chapa majoritária, especialmente para a vice-governadoria. Nas últimas semanas, a possibilidade de o deputado federal Ronaldo Caiado, do DEM, voltar a integrar a chapa do eixo governista como candidato ao Senado foi discutida, e posteriormente descartada.

O PTB é um dos grandes parceiros na construção do grupo que vence as eleições no Estado desde 1998, antes mesmo de Jovair Arantes assumir o comando do partido. A afinidade política entre Jovair e Marconi vem desde os tempos do governo de Henrique Santillo (falecido), de 1986 a 1990. Eles sempre estiveram juntos.

No caso das articulações em torno da candidatura de Ronaldo Caiado na chapa da aliança governista o processo foi intenso, rápido e está aparentemente finalizado. Ninguém tem qualquer dúvida sobre o grande potencial de votos do líder democrata, mas internamente, o preço a ser pago para a recomposição de Caiado com a aliança seria demasiadamente caro. O problema, porém, permanece.

A maior encrenca é, sem dúvida, o constante movimento de Caiado dentro do contexto político da aliança governista. Desde 2000, nas eleições municipais, re­gistram-se idas e vindas. Em 2010, um acordo fechou a coligação regional PSDB/DEM no último minuto do segundo tempo. Além dessas movimentações, a absorção de sua candidatura ao Senado exigiria uma mexida completa na chapa, com exceção, é claro, do governador Marconi Perillo como candidato à reeleição.

Caiado seria o candidato ao Senado, e isso afastaria a candidatura de Vilmar Rocha, fiel escudeiro da aliança desde a sua formatação, em 1998. Em seguida, o próprio Vilmar seria deslocado para uma inédita candidatura a vice-governador, empurrando assim o atual vice, e preferido para o cargo pelo próprio Marconi, José Eliton, para uma candidatura a deputado federal. Ou seja, seria necessário mexer no time praticamente todo para abrigar a candidatura de Caiado ao Senado.

É óbvio que uma operação desse tamanho gerou discussões internas em todas as alas. Discretamente, as principais lideranças estaduais do PP se movimentaram pela manutenção de José Eliton, presidente regional do partido, como candidato a vice-governador. Ao mesmo tempo, o PSD, também discreta e diplomaticamente, manteve a reivindicação sobre a candidatura de Vilmar ao Senado. Até no PSDB, fiel ao governador Marconi, houve resistências.

Paralelamente a tudo isso, declarações de Caiado a respeito de uma possível candidatura ao Senado na chapa liderada pelo governador Marconi Perillo acabaram repercutindo pessimamente em vários setores de comando interno da aliança. Caiado, mais de uma vez, disse que iria trilhar caminho independente na campanha, e não numa linha de atuação eleitoral conjunta com a chapa. Isso azedou de vez os humores até de setores que não tinham se manifestado anteriormente, e se mantinham indecisos.

Nesse processo todo, o governador Marconi Perillo se manteve o tempo todo discreto, e muito mais espectador do que protagonista. É óbvio que sempre caberá a ele a decisão final, mas ele jamais revelou, ao menos publicamente, qualquer disposição de entrar nas negociações principais ou, ao menos, de aceitar discutir a chapa que ele sempre disse preferir. Deixou nas mãos das lideranças da aliança.

Há, obviamente, setores que apesar dos pesares ainda defendam a composição que abrigue a candidatura de Ronaldo Caiado na aliança liderada pelo governador. O único argumento desse pequeno núcleo, porém, é o enorme e reconhecido potencial de votos do democrata. É realmente um forte argumento, reconhecem internamente todos os setores, mas o preço é impagável.

Contra a argumentação dos votos, que visaria o vice-governador José Eliton diretamente, e Vilmar Rocha em segundo plano, encontra-se uma questão de fundo na escolha dos candidatos a vice-governador. Ao contrário do que diz a lógica popular imediata, não é a possível agregação de votos pessoais que credencia candidaturas a vice. A principal função de um vice na composição de alianças é agregar partidos e evitar disputas que possam interferir na saúde da coesão interna.

Nesse sentido, quem poderia exercer com mais objetividade esse papel se não o atual vice-governador José Eliton? Ele agrega partidos sem gerar desconfianças nem ciúmes, além de inibir qualquer forma de disputa interna entre os demais partidos membros da aliança.

Para fechar o cerco de virtudes, Eliton é o preferido do próprio Marconi, que inúmeras vezes tem delegado a ele papel político, como nos encontros regionais dos partidos aliados.O governador demonstra claramente que gosta de seu vice-governador e, mais do que isso, aprova o desempenho dele na defesa do projeto de governo da própria aliança.

Somando tudo, a conclusão é que a chapa de Marconi está concluída e somente aguarda junho, mês das convenções, para ser sacramentada. Somente um vendaval político sem precedentes poderá ainda retirar José Eliton e Vilmar Rocha da chapa de Marconi. Portanto, esse é o time escalado para a disputa.

O babaca, as babaquices, coxinhas e o medo real

 

¨Ah, não, porque turista tem que ter metrô que leve até dentro do estádio. Que babaquice é essa?¨.
Algum baba prometeu isso...

Algum babaca prometeu isso…

A frase foi dita pelo ex-presidente Lula durante encontro com blogueiros e ativistas digitais de São Paulo, numa referência a obras de mobilidade que deveriam ter sido construídas paralelamente aos novos estádios para a Copa do Mundo.

Metrô que leve até dentro de estádio… Nunca antes na história desta Copa alguém defendeu uma babaquice dessas. Metrô que leve às proximidades do estádio, sim, foi prometido.

Promessa cumprida

Promessa cumprida

Bom, mas se é uma babaquice, quem foi o babaca que prometeu metrô, aeroportos, novas avenidas e tal e coisa para a Copa, há cerca de 7 anos, quando governava o Brasil?

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Lógica do Lula sobre necessidade de metrô, avenidas, ônibus do transporte coletivo, essas ¨babaquices¨ que constituem a tal mobilidade urbana. Ao relembrar seus tempos de torcedor, ele lascou: ¨Nós nunca tivemos problemas de andar (até os estádios) a pé. Anda a pé, vai descalço, vai de bicicleta, vai de jumento, vai de qualquer coisa…¨.

Moderno veículo de mobilidade urbana

Moderno veículo de mobilidade urbana

Já pensou se uma legião assim chegar na bilheteria das arenas para comprar ingressos?… Mas nem se o Bolsa Família fizesse uma promoção da Copa tipo ¨ganhe uma e leve duas Bolsas Famílias¨ essas pessoas conseguiriam pagar as entradas do espetáculo.

Para encerrar esse negócio de babaca e babaquices, que nome se daria a um estacionamento de jumentos nas cercanias de arenas???

Quem são os coxinhas?

O tom deve ser sempre de raiva ou de desprezo: é contra alguma atitude que considera errada praticada pelo governo? É coxinha. Sente falta de conforto nos aeroapertos brasileiros sucateados? Coxinha. Acha que existe exploração eleitoral da Bolsa Família? Coxinha, coxinha, coxinha.

coxinha

Mas, afinal, quem são os coxinhas? São aqueles extorquidos por uma das maiores e mais injustas carga de impostos do planeta. São os que pagam a Bolsa Família na mesa dos pobres e os charutos e caviar que frequentam determinadas mesas da nomenklatura brasileira.

O Brasil com raiva

Não foi só pelos 20 centavos… Foi raiva. Raiva de tudo o que tem acontecido no Brasil ao longo das últimas décadas. Raiva de quem pensa diferente e de forma antagônica. raivaRaiva da impunidade de políticos ladrões. Raiva da corrupção. Raiva do Estado que exige muitíssimo com impostos e não oferece quase nada em troca. Raiva dos bandidos que matam a toda hora e não ficam presos. Raiva do trânsito enlouquecedor das maiores cidades. Raiva do medo real do dia a dia, e não daquele medo criado por pura marquetagem política.

protesto-campinas

O Brasil está com raiva. Como talvez jamais sentiu antes com tanta intensidade.

Não, não foi só pelos 20 centavos. É por tudo isso que aí está.

Vai ter Copa, e vai ser do balacobaco

Tá chegando a hora. Menos de um mês para a grande festa. Peralá… Grande festa? Será mesmo uma grande festa? Pelo menos, que não seja grande, mas uma pequena festa? Festinha? Festica de nada, vai. Sabe-se lá o que vai ser.

Copa fogueira

Ensaio geral da fogueira começou

Ontem, quinta, 15, protestos raivosos em algumas das cidades que vão sediar jogos da Copa. São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Em Recife, greve na PM terminou, mas com saques a lojas. A Justiça determinou previamente que a Polícia Federal não poderá entrar em greve durante a Copa. Que bobagem. Uma operação padrão pararia tudo, mesmo que sem greve. Sem falar na lei contra manifestações. Tudo somado, eis o ensaio geral da Copa lado B.

Mas se quase todo mundo passou pelo menos 5 anos sonhando com a realização da Copa no Brasil, por que agora tem tanta gente contra?

A torra de dinheiro público

Os brasileiros estão escandalizados com o preço que está se pagando para realizar a tal festona. Não há uma única obra diretamente ligada ao evento Copa no Brasil que não tenha se registrado superfaturamento. Nem unzinho sequer. Nada.

Mas a questão real, pés no chão, é que sempre foi assim. Nenhuma obra feita pelos diversos níveis da administração pública custa o que realmente deveria custar. Por que, então, a revolta contra os estádios superfaturados? Talvez seja porque mais pessoas foram informadas sobre essas obras.

Estádio Nacional, Brasília, custou mais de 2 bilhões de reais

Estádio Nacional, Brasília, custou mais de 2 bilhões de reais

Uma coisa é a rodovia no interior de algum sertão ter custo incompatível, outra é o conjunto de obras da Copa. A repercussão de um é infinitamente menor do que da outra. Uma coisa é um hospital ou uma escola ter custo equivalente ao dobro do que se gastou, outra é o estádio, a tal arena. O hospital e a escola chamam a atenção de alguns poucos no bairro onde foram feitos, ou de toda a cidade, ou mesmo da população do Estado. A arena da Copa, não interessa onde ela foi erguida, tem holofote nacional. Essa é a diferença.

A incompetência administrativa

Outro ponto que pode ter desencadeado o processo das fogueiras contra a Copa é a incompetência. Nada ficou pronto a tempo. Aliás, a maioria das obras previstas fora dos estádios nem vai terminar antes do pontapé inicial da Copa. E ninguém sabe se um dia serão concluídas.

Será que as obras inacabadas vão terminar algum dia ou será esse um dos legados da Copa?

Será que as obras inacabadas vão terminar algum dia ou será esse um dos legados da Copa?

Na metade dos seis estádios, as empresas de telefonia móvel admitem que o sinal vai falhar. Em Cuiabá, são esperados 40 mil visitantes/torcedores. O governo do Estado já avisou que não terá cama pra todo mundo. O estádio da abertura da Copa, o Itaquerão, em São Paulo, será entregue, mas continuará em obras, e parte da arquibancada não terá cobertura, como estava previsto antes.

Metrôs, estações de transbordo de passageiros urbanos, aeroportos, portos para receber turistas marítimos, rodovias… Nada disso está pronto. Muitas obras sequer saíram do papel. E o que saiu é essa lástima improvisada.

Parênteses. Nas décadas de 60/70 e 80, quando era modinha ocidental implantar ditaduras militares, dizia-se que os ditadores podiam quase tudo, menos perder guerras. Troca-se o cenário. Coloque o governo perdendo a guerra administrativa e percebe-se o fósforo ser riscado.

Padrão Fifa

De repente, os brasileiros, ou ao menos uma porção deles, querem escolas melhores, hospitais melhores, mais segurança, transporte de primeira e tal. ¨Tudo padrão Fifa¨, dizem.

Padrão Fifa? Não. A Copa será padrão CBF

Padrão Fifa? Não. A Copa será padrão CBF

A realidade é outra, diante das obras improvisadas e superfaturadas ou nem sequer começadas. O Brasil avacalhou até o tal padrão Fifa de qualidade. Ao invés de uma Copa padrão Fifa, o Brasil talvez ofereça o que tem de melhor atualmente: o padrão CBF, símbolo da desorganização e amadorismo do futebol brasileiro, de denúncias de corrupção, de certeza de altíssima arrecadação diante de clubes falidos e de mordomias para seus dirigentes e para os amigos dos amigos – ops, sem referência ao grupo criminoso do Rio de Janeiro.

Torcer ou não torcer para o Brasil?

Muitos dizem que não vão torcer pela seleção como forma de protesto contra o tal padrão CBF que se tem hoje no Brasil da Copa e no Brasil sem Copa. Outros alegam que uma coisa não tem nada a ver com a outra, que é um absurdo torcer contra e etc e tal.

Adesivo de carro anos 70

Adesivo de carro anos 70

Discussão boba, que remete à lembrança um país que os brasileiros já superaram: o Brasil, ame-o ou deixe-o.

Não se torce a favor de um time de futebol por imposição e nem se torce contra o que deseja o coração. O resto é resquício de ¨masturbação ideológica¨ como uma vez inventou o então ministro Sérgio Motta – já falecido. cOpa comemoraçãoSe a seleção empolgar em campo, a esmagadora maioria vai se empolgar também. Se levar passeio e balaio dos adversários, babau.

É isso, vem aí a Copa mais improvisada dos últimos tempos, e a que mais exigiu vida de trabalhadores nas construções de estádios, com 8 mortos. Preparem-se todos. O mundo conhecerá o nosso padrãozinho CBF. Já imaginou como poderá ser essa Copa? Do balacobaco.