Galerias

A Copa é vitrine, o mundo nos vê. E lamenta

Era pra ser a Copa de todas as Copas. O Brasil, país que fez do futebol não uma mera paixão esportiva, mas um autêntico estilo de vida, tinha e tem tudo pra ser adorado pelas pessoas de todas as partes do planeta. Neste momento, às vésperas do único evento esportivo da humanidade que supera em grandiosidade os Jogos Olímpicos, a imprensa mundial deveria entoar loas sobre as maravilhas do povo que se fantasia pela alegria do verdamarelo, que batuca samba com latinhas vazias de cerveja, que sorri verdadeiramente ao se deparar com um estranho com cara boa.

No Vietnã, 50 mil americanos morreram em 10 anos. No Brasil, foram 600 mil em 10 anos de assassinatos

No Vietnã, 50 mil americanos morreram em 10 anos. No Brasil, foram 600 mil em 10 anos de assassinatos

Deveria, sim. Mas não está. O que se lê e vê lá fora é exatamente o que temos aqui dentro: um pequena filial de fazer inveja ao reino de Lúcifer. Violência acima de qualquer compreensão humanamente razoável. Nos últimos 10 anos, 600 mil assassinatos foram registrados no Brasil. Isso é 12 vezes mais que o total de soldados americanos mortos em 10 anos de guerra cruenta no Vietnã, na década de 1960. Estarrecedor? Sem nenhuma dúvida. E o mais grave é que esse número só faz aumentar. Já são mais de 50 mil brasileiros e brasileiras assassinados todos os anos. Mais de 150 mortes por dia. Jamais uma guerra conseguiu ser tão eficaz e matar tantas pessoas quanto o dia a dia no Brasil.

O que o mundo tem falado sobre nós

Um rápido giro sobre as pautas da imprensa mundial mostra como as pessoas do mundo todo nos veem. Elas estão horrorizadas. E não conseguem entender por quê, o que nos leva a viver num país desse jeito. A temática é a Copa, e a vitrine nos expôs.

Argentina

gráficos quedaNossos hermanos, vizinhos e parceiros, longe da rivalidade do futebol, admiravam o Brasil e se perguntavam onde eles erravam e onde a gente acertava tanto no campo da economia. Mudaram de ideia. O que eles enxergam agora é exatamente o que nós vivemos atualmente: um país praticamente parado, violentíssimo, que perde seus bons indicadores econômicos numa rapidez impressionante, e não registra melhoras substanciais nos indicadores sociais.

Inglaterra

O mais prestigiado veículo de comunicação inglês, a revista The Economist, dedicou a capa de uma edição, em 2009, ao Brasil, e estampo a figura do Cristo Redentor, no Rio, rumando para como um foguete para o alto. Nas últimas semanas, a revista voltou a destacar o Brasil com uma capa, e o mesmo Cristo Redentor, agora caindo do morro.

Economist, Cristo Redentor

O que mudou entre 2009 e agora? Primeiro, o fato de que naquele ano a Europa se via numa crise econômico-financeira sem precedentes. E o Brasil passava ao largo, e seus índices indicam uma promessa de se transformar rapidamente num dos novos grandes players do mercado global. Os ingleses olhavam lá de longe apenas para os números. Com a Copa, desembarcaram aqui, e viram não mais os números, atualmente nada animadores, mas as ruas. A revista pergunta: ¨O Brasil estragou tudo?¨.

Espanha

No começo das UPPs, a imagem que correu o mundo: bandidos em fuga

No começo das UPPs, a imagem que correu o mundo: bandidos em fuga

O jornal El País, que sistematicamente insistia em procurar, encontrar e publicar fatos positivos sobre o Brasil, se quedou ao observar o varejinho do nosso dia a dia.

UPP incendiada. Os bandidos voltaram

UPP incendiada. Os bandidos voltaram

O jornal espanhol diz que até as UPPs, Unidades de Polícia Pacificadoras, no Rio de Janeiro, apresentadas como modelo de nova política de segurança pública no Brasil para áreas urbanas abandonadas pelo poder público e dominadas pelos bandidos, estão saindo do controle, com o retorno do poder marginal.

Estados Unidos

 Obra padrão Brasil: inacabada. Aí, deveria estar uma maternidade

Obra padrão Brasil: inacabada. Aí, deveria estar uma maternidade

O jornal New York Times nunca olhou para as ruas brasileiras. Só para os números. E diversas vezes publicou reportagens sobre o tema, enaltecendo o que se consegue por aqui. Agora, com a Copa, o NYT veio conhecer as ruas, e se escandalizou com o que viu. O jornal falou sobre as obras megalômanas inconclusas, abandonadas e superfaturadas.

A placa está aí. Cadê o trem?

A placa está aí. Cadê o trem?

E deu exemplos: ferrovia transnordestina, transposição das águas do rio São Francisco, prédios públicos em Natal, no Rio Grande do Norte, hotéis em São Paulo e Rio, e até um tal de Museu do Alienígena, de Varginha, interior de Minas Gerais.

Museu do ET, em Varginha. Os extra-terrestres não devem ter entendido nada

Ficou barato para a imagem do Brasil. Se fosse fundo, os jornalistas do NYT passariam o resto da vida enumerando as obras superfaturadas e inconclusas do Brasil. Provavelmente, não existe uma só localidade brasileira, por menos que ela seja, sem algum esqueleto de concreto erguido com dinheiro de impostos e abandonado após o repasse do superfaturamento.

Norte-Sul: foram 30 anos em obras, 10 anos mais que a maior pirâmide do antigo Egito, Quéops

Norte-Sul: foram 30 anos em obras, 10 anos mais que a maior pirâmide do antigo Egito, Quéops

O New York Times também citou rapidamente o improviso brasileiro. Aeroportos, estádios, rede de comunicação, equipamentos do transporte coletivo – avenidas, metrôs, VLTs, ruas, ônibus e trens –, que deveriam constituir o imenso e positivo legado da Copa, conforme o país das maravilhas projetado e prometido há 7 anos quando o Brasil foi escolhido para sediar o evento, estão aí demonstrando na prática que o jornal americano também neste caso foi econômico nas críticas.

Enfim, a Copa poderia ser o starter para a imagem de um Brasil de qualidade, de Primeiro Mundo. Poderia, sim, mas não será.

Esse jogo o Brasil perdeu. É realmente uma pena.

 

 
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As diversas ¨rolhas¨ dos vinhos. Qual é a melhor?

A primeira imagem que vem à mente quando se pensa em abrir uma garrafa de vinho é o saca-rolhas sendo puxado. Um ritual, certamente. Mas hoje em dia é possível abrir belas garrafas com os dedos, sem o velho parceiro.

Me lembro de algumas pescarias regadas a cerveja o dia todo e com as noites degustadas na viola, ao lado da fogueira, com vinhozinho… E não sei quantas vezes me esqueci de levar um saca-rolhas, e me vi obrigado a empurrar a rolha pra dentro da garrafa. Hoje, bastaria escolher o tipo certo para não passar esse tipo de sufoco.

Existem 4 tipos básicos de ¨rolhas¨: cortiça natural, cortiça sintética, tampinha de rosca e tampa de vidro. De vidro? Pois é, de vidro, sim. Mas será que pela tampa pode se conhecer o caráter do conteúdo? Negativo. Há ótimas garrafas com tampinhas de rosca e vidro, por exemplo. Mas nem todos os vinhos podem ser fechados dessa forma. E nem com a tal rolha sintética. Os bebedores contumazes já conhecem as diferenças, mas não é ruim mostrar aos iniciados no mundo dos prazeres de Baco a função de cada tipo de ¨rolha¨.

vinhos - rolha de cortiçaCortiça natural

É a velha conhecida de todos. A cortiça é a casca de uma certa árvore típica, Sobreiro, de Portugal, maior produtor – e praticamente único – do mundo. Tem se tornado cada vez mais rara e cara, fato que se tornou porta de entrada para as demais ¨rolhas¨.

vinhos - fabricação de rolhas

 

Vinhos de longa guarda, que precisam amadurecer ao longo dos anos dentro das garrafas, levam obrigatoriamente esse tipo de rolha. A porosidade controlada da cortiça natural permite que pequeníssimas doses de ar circulem e, assim, permitam que o vinho cresça lentamente até atingir sua plenitude.

vinhos - rolha aglomerada

Alguns produtores passaram a usar também a rolha de cortiça aglomerada, feitas com sobras dos cortes da cortiça e reciclagem. Essas pequenas lascas são coladas e moldadas para se encaixarem na boca das garrafas. As primeiras rolhas de cortiça aglomerada estragavam o vinho por causa do contato da cola com o líquido. As mais modernas tem um tampão em cada extremidade feita com cortiça natural para evitar esse contato com a cola. Com porosidade praticamente nula, vinhos com essas rolhas são para consumo mais jovem.

Então, em resumo, os grande vinhos de guarda sempre são fechados com rolhas tradicionais, de cortiça.

vinhos - rolha sintéticaCortiça sintética

O termo não é exatamente correto, cortiça sintética. Na realidade, não tem coisa alguma a ver com cortiça. É uma espécie de plástico denso. Porosidade zero, o que sempre indica que o vinho não amadurece após sair dos tonéis de carvalho, aço inoxidável ou tanques de concreto. Lacram vinhos de consumo rápido. Garrafas de safras mais antigas podem revelar vinhos já em fase final ou simplesmente mortos. Intragáveis.

vinhos - screenTampinha de rosca

Especialmente no Novo Mundo, e nas novas fronteiras do vinho, como Austrália, Nova Zelândia e África, e nas Américas, os vinhos fechados com tampinhas rosqueáveis de metal e um anel vedante estão se tornando cada vez mais comuns.

São indicadas para vinhos que também não vão atravessar longos períodos de guarda. Há ótimas garrafas desses países lacradas com essas tampas. Geralmente, lacram Pinot Noir que não carregam carga genética propícia ao envelhecimento dentro das garrafas. Pessoalmente, prefiro os vinhos com tampa de rosca do que as que vem com cortiças sintéticas. Deve ser, e é, preconceito da minha parte, mas acho que os fabricantes que colocam essas tampas de rosca deixam claro as suas propostas, enquanto os que usam cortiça sintética tentam esconder algo.

Vinhos - rolha vinolockTampa de vidro

Uma rolhinha bonita pra caramba. Alguns dizem que elas são feitas com silicone. Outros garantem que se trata realmente de vidro. Sei lá do que realmente elas são feitas, mas são bonitas e não escondem vinhos bons de se beber no dia a dia. Elas trazem um aro vedante e se encaixam nas garrafas com pressão. Abre-se com os dedos, sem maiores problemas.

vinhos - rolha de vidro

Ainda não é muito utilizada. Não conheço um só fabricante no Novo Mundo do vinho que use a tampa de vidro. No Brasil, bebi apenas uma marca com esse tipo de rolha, o Scaia Rosso IGT Tenuta Sant´Antonio, da Itália. Um vinho bacana, que repeti algumas vezes depois de experimentar.

Qual é a melhor tampa para os vinhos? Pois é, as modernas técnicas de vinificação e amadurecimento criaram alternativas ao modo tradicional, de cortiça natural, sem comprometer a qualidade do líquido. Cortiças são fundamentais somente para os vinhos de enorme potencial de guarda. Vinhos para serem bebidos jovens, a esmagadora maioria da produção mundial, podem – e devem, a julgar pelo estoque de Sobreiros – ser lacrados com tampas de rosca ou de vidro. Até de cortiça sintética, apesar do meu preconceito. Definitivamente, não é a tampa que indica a qualidade do vinho.

Fonte da eterna juventude? Nem pensar. Envelhecer é um grande barato

Acho que as pessoas – eu, inclusive –, novas e/ou velhas, não estão preparadas para conviver bem com o passar dos anos. As pessoas mais novas vivem entre a impaciência e a pena com os velhos. E os mais velhos travam uma guerra contra a velhice. É como se recusassem a ordem natural das coisas. A velhice, a decadência física e mental, são tão necessárias e maravilhosas quanto o nascimento de um bebezinho lindo.

Mas como enxergar a velhice dessa forma se ela carrega consigo e em si a proximidade da morte? Não é fácil, não. Ninguém quer morrer. Nem jovem e nem velhos. Jovens sequer pensam na morte. Os velhos fazem o possível para não se lembrarem que tem encontro marcado com ela. E que esse encontro está a cada dia um pouco mais próximo.

Caramba! Isso é mesmo arrepiante.

O sonho da humanidade durante a eternidade de sua curta existência até aqui é encontrar a tão sonhada quanto inexistente fonte da juventude. Já pensou se existisse essa poção mágica que fizesse o tempo retornar ou não passar mais?…

Peralá. Pensando bem, seria ruim pra caramba. Isso nos tiraria a essência da grandeza humana, que é a possibilidade de viver cada etapa da vida. É bom demais ser criança e conversar com amigos do peito e imaginários, brincar de esconde-esconde, viver a irresponsabilidade saudável de não pensar em tantas coisas. Mas, imaginemos por um momento apenas que viver fosse somente isso. Seria um saco, uma condenação infernal e eterna.

O carinhoso beijo da inocência, sem hormônios, sem apelo sexual.

O carinhoso beijo da inocência, sem hormônios, sem apelo sexual

Não, a vida é boa na infância, e também é boa na adolescência, quando surgem desafios imensos, intransponíveis e que a gente nem percebe que eles são superados e imediatamente substituídos por outros tão grandes e impossíveis quanto os anteriores. E o que dizer do primeiro amor para sempre que geralmente a gente encontra nessa fase? Uma sensação que jamais é esquecida.

O beijo da timidez, da descoberta, do início de todas as emoções

O beijo da timidez, da descoberta, do início de todas as emoções

E aí acho que volta a pergunta: já imaginou se a vida fosse restrita às crianças? Como seria péssimo não descobrir a vida adolescente… Séria trágico.

E a gente nem percebe o exato momento em que a adolescência vai se embora levada pelo tempo e a juventude se instala. Uau! Que fase iluminada. É quando a gente se percebe forte, já adulto, novo, cheio de vida, mas sem compreender exatamente como e por que as coisas acontecem. É como se a vida fosse apenas um ensaio quando criança e quando adolescente. O auge é aqui, na juventude. Não é? Não.

O beijo emocionante da paixão, dos hormônios efervescentes, do apelo sexual

O beijo emocionante da paixão, dos hormônios efervescentes, do apelo sexual, das promessas

A juventude é um aprendizado, uma fase inigualável para se adquirir conhecimento sobre nós mesmos, sobre a vida, sobre os sentimentos. Mas seria ruim demais ser eternamente jovem. Seria uma vidinha incompleta, falha, que se tornaria enfadonha demais da conta. Insuportável. É uma fase ótima, como as anteriores, mas ainda bem que não é eterna.

E aí vem o auge da vida humana: a vida pós-juventude. É nessa fase, geralmente, que outras pequenas vidas nascem, que os sentimentos se estabilizam, que os hormônios se comportam melhor. É onde mais se equilibram e se equivalem a força física, a capacidade mental e de compreensão. Mas também é a época da pressa, do tempo que passa rápido demais, dos dias com poucas horas para o tamanho do mundo a ser abraçado. É também a definitiva preparação que a vida nos oferece para a velhice.

O beijo das emoções estabilizadas, dos hormônios controlados, da paixão e da entrega. E da competição

O beijo das emoções estabilizadas, dos hormônios controlados, da paixão e da entrega. E da competição

Novamente a pergunta: não seria a vida perfeita se o tempo parasse de nos incomodar quando chegamos nessa fase? Acho que não. Isso nos tiraria o direito de ser um pouco mais transcendental, de conseguir enxergar e sentir coisas que só a sequência nos permite. Se o tempo parasse, nos roubaria o grande barato que é viver a velhice. A calma, a possibilidade de observar, amar sem cobranças, de  finalmente poder assistir a vida fluir.

É bom ser velho? É. É tão bom quanto ter sido criança, adolescente, jovem e adulto. Tem suas limitações, suas frustrações? Claro que tem. Mas a vida, em todas as fases, tem limitações, frustrações e prazeres. Diferentes, é óbvio, mas identicamente harmoniosos e incríveis.

Os saborosos últimos beijos. Sem pressa, sem a  necessidade de sexo para se tornar um carinho completo

Os saborosos últimos beijos. Sem pressa, sem a necessidade de sexo para se tornar um carinho completo, sem cobrança

O que pode ser mais completo do que viver e decair a cada dia? Significa, no mínimo, que o apogeu que os mais jovens só agora vivem, nós, os mais velhos e decadentes, já vivemos. Esse mesmo auge, o mesmíssimo apogeu, que ultrapassado. Já atingimos o último patamar. Chegamos lá. E precisamos curtir cada momento que ainda resta até que nosso ciclo se feche.

Já pensou como a vida seria uma chatice se não existissem as crianças, ou os  adolescentes, ou os jovens, ou os adultos, ou …  os velhos?

Não, não vou repetir a pergunta. Acho que nem é necessário responder que seria um saco beber a poção, que felizmente não existe, que me obrigaria a ficar eternamente jovem ou adulto sem poder ser a soma de todas as idades. Não gostaria de paralisar o processo natural da vida. Não aceitaria roubar de mim mesmo a gostosa sensação de envelhecer. É um grande barato viver a decadência enquanto a vida acontece naturalmente. Dia após dia, cada vez mais intensamente.

Perceber e aceitar serenamente que já não tenho o mesmo pique, que meu corpo está mais flácido, que sou facilmente superado pelas pessoas mais novas em inúmeros aspectos e tarefas físicas, e que posso ter a ousadia de me manter calado quando quero, e de falar se acho necessário. Sem me cobrar tantos resultados ou pelo menos um pequeno recorde pessoal. A vida competitiva não tem mais o antigo valor supremo que tinha. Não preciso ser melhor em nada, e tenho direito de ser o pior, ou apenas mediano.

O que virá depois? Não tenho absoluta certeza de nada. Apenas acredito que existam outras formas de viver além desta, a humana, no Cosmos da Luz. Acho que é para lá que eu irei. Mas não tenho nenhuma pressa. Tá bom demais ser decadente, ranzinza, paciente, menos apressado, observador. É divertido. Tanto quanto ser criança.

PS – Chegou até aqui? Então repare novamente as fotos desta página do Diário. Alguma consegue encantar mais do que as outras? Não sei sua resposta, mas tenho a certeza que a sequência emociona bem mais. Comigo foi assim.

Os dribles de Iris desconsertaram o jogo de Friboi

A políticas de alta performance é coisa para pouquíssimos. Mais ou menos como ocorre no mundo dos esportes. Uma coisa é ser ótimo peladeiro de fim de semana. Outra é disputar a bola contra os melhores atletas do planeta. Um peladeiro jamais conseguirá, por melhor que seja, encarar de igual para igual um jogador de altíssimo nível.

Friboi cifrão dourado

Na política é a mesma coisa. Sem tirar nem por. Amadores conseguem fazer um certo barulho, principalmente quando usam anabolizantes, como uma montanha de dinheiro. A trajetória do empresário Jr Friboi ilustra bem essa luta inglória contra um dos mitos políticos de Goiás.

De nada valeram as virtudes pessoais de Friboi, como a resistência, insistência, coragem, ousadia e foco no objetivo. Ele foi peladeiro alimentado por energético financeiro. Iris, ao contrário, usou toda a sua técnica política, acumulada em 50 anos de vida. E apresentou jogadas de mestre.

Indução ao erro

Iris jogou como um time de craques que fica tocando a bola de pé em pé no meio de campo, avança para a intermediária e aguarda o momento em que o adversário fica impaciente e comete um erro fatal. Friboi caiu sistematicamente nessa tática de jogo político.

Iris-e-Friboi

O primeiro deles foi quando aceitou a condição de ser pré-candidato oficial do PMDB ao governo do Estado, mas com a obrigação de crescer nas pesquisas eleitorais. Ora, isso sempre foi uma armadilha. Como Friboi poderia deslanchar se não poderia fazer campanha abertamente? Principalmente para ele, um ilustre desconhecido no mundo dos votos.

A segunda condição imposta por Iris e aceita por Friboi era igualmente uma cilada: ele deveria se viabilizar internamente e agregar partidos aliados. Friboi correu o estado inteiro atrás dos peemedebistas que ele nem sequer sabia quem eram, o que faziam. Mais uma vez, precisou recorrer à sua recheada carteira para ¨quebrar o gelo¨. Quanto aos partidos aliados, conseguiu atrair algumas legendas pequenas também graças ao anúncio de que estava disposto a pagar por isso. Não teria como fazer de forma diferente. Ele jamais conviveu com as lideranças políticas. E nem era o candidato do PMDB.

Friboi caiu em cada alçapão aberto por Iris sem nem perceber o tamanho do buraco em que estava se metendo. Ele tinha um discurso razoável, que precisa ser lapidado, mas com certo potencial e apelo, o de representar um aspecto diferente e novo de governar. Como alicerce para esse discurso, sacava o seu currículo pessoal extraordinário no mundo dos negócios. Fazia sentido, sem dúvida.

Mas Iris o induziu a abandonar esse discurso que era coerente alegando que seria necessário bater pesado no grande adversário, Marconi Perillo. É óbvio que atacar o adversário faz parte do jogo, mas o objetivo de Iris não era enfraquecer Marconi, mas provocar a reação do poderoso exército da base aliada contra Friboi. Não deu outra.

A caminhada até o Olimpo político exige conhecimento e talento nato. Poucos conseguem

A caminhada até o Olimpo político exige conhecimento e talento nato. Poucos conseguem

Enfim, foram pequenos grandes dribles do mestre político Iris Rezende que desconsertaram o jogo de Friboi. Não é fácil para ninguém enfrentar políticos de alta performance. Nem mesmo para os outros monstros sagrados do Olimpo político. Nesse mundo, o dinheiro é muito importante, mas o talento e o conhecimento adquiridos e aprimorados ao longo do tempo fazem toda a diferença.

Jr Friboi

Os erros de Friboi no sonho de ser governador de Goiás

Mais uma vez, e precocemente, a falta de vivência política e de convivência partidária foram fatais para as pretensões de um ¨corpo estranho¨ na disputa pelo governo de Goiás. Jr Friboi não foi o primeiro a tentar adentrar o cenário político estadual pela porta principal. Antes dele, o também empresário anapolino Henrique Meirelles fez a mesma incursão, e nem chegou a formalizar candidatura ao governo oficialmente. Friboi foi quem conseguiu ir mais longe, mas igualmente ficou pelo caminho. Tinha tudo pra dar errado, e deu.

deserto oásis

A política não é uma selva para gente de outros mundos, e nem tampouco receptiva e hospitaleira. Ao contrário, é uma selva real, com perigos imensos a cada passo em seu interior. Mal comparando seria o mesmo que um cidadão comum disputar corrida com um beduíno no meio do deserto do Saara sem direito a camelo. O beduíno saberia onde encontrar preciosas gotas de água no meio da areia quente e seguiria facilmente rumo aos oásis cheios de tamareiras. O pobre cidadão morreria de sede mais cedo ou mais tarde.

Os inúmeros erros de Friboi

O primeiro grande equívoco de Jr Friboi, um empresário extremamente bem sucedido, e responsável direto pela internacionalização do grupo de sua família, a JBS, foi iniciar carreira política por cima. Esse atalho na escalada o impediu de absorver duas coisas fundamentais: a vivência política e a convivência partidária.

Jr Friboi língua

Se tivesse começado como integrante de um grupamento e ganhado essas duas condições naturalmente, ele saberia exatamente onde pisar, como pisar e em quem confiar. Haveria comprometimento dele para com um grupo e do grupo para com ele. Como não fez a caminhada natural, tentou usar seu estupendo poder financeiro como compensação. Isso não tem como funcionar. Há anos, outro capitão da indústria brasileira, Antônio Ermírio de Moraes, tentou fazer a mesma coisa em São Paulo e igualmente quebrou a cara.

Sem conhecer os meandros secretos da política, Friboi atropelou condições internas importantes no PMDB. Ele julgou erradamente que conseguiria garantir vida fácil para sua candidatura a partir da conquista da cúpula nacional do partido. Por falta de conhecimento histórico, ignorou a liderança e a presença de Iris Rezende como maior mandatário do PMDB de Goiás. Nesse PMDB, ninguém consegue se candidatar ao governo sem antes conquistar o apoio de um eleitor especial, Iris Rezende. É ele o líder. É o dono do baralho e da mesa.

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Friboi poderia ter se precavido quanto a isso se tivesse prestado atenção no processo eleitoral goianiense de 2012. Naquele ano, setores do PMDB não aceitavam apoiar a candidatura de Paulo Garcia à reeleição, e quiseram lançar candidato próprio. Não sobrou ninguém desse grupo no PMDB para contar a história.

Ao longo do tempo, Friboi ignorou solenemente todos os ¨avisos¨ emitidos pela imprensa política do Estado de que Iris Rezende só estava esperando o momento de entrar em cena. Ele exigiu ser lançado pré-candidato pelo diretório estadual e conseguiu. Depois, reclamou que os institutos não retiravam Iris das pesquisas, o que o prejudicaria. Os institutos estavam cobertos de sensatez. Friboi era realmente um dos pretendentes, mas Iris jamais havia deixado de ser o que sempre foi.

Sede da JBS, nos Estados Unidos

Sede da JBS, nos Estados Unidos

Por fim, Friboi estranhamente endureceu o discurso contra o governo estadual e contra Iris Rezende. Era mais do que óbvio que não ficaria sem resposta. Foram várias, algumas delas utilizadas pelos dois adversários, como a franca mercantilização dos apoios dele. Um desses ataques, via JBS, atingiu o único núcleo de apoio sincero e desinteressado que ele tinha: o familiar.

Se tivesse passado antes pelo curso de sobrevivência na selva política – a tal vivência e a convivência –, Jr saberia que tudo o que pode ser explorado pelos adversários, é usado. Além disso, ele perceberia que abrir logo duas frentes de batalha contra adversários tão poderosos é simplesmente suicídio político.

Se ainda sonhar com o governo estadual, Friboi terá que, numa próxima vez, trilhar o caminho tradicional. Não se aprende medicina comprando diploma. Não se aprende a fazer política sem ser político. Essa talvez seja a grande e amarga lição.

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Acabou: Friboi joga a toalha e pede a conta

???????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????O sonho de ser governador do Estado de Goiás de Jr Friboi chegou ao fim de forma melancólica nesta segunda-feira, 2. O próprio empresário entrou com contato com alguns dirigentes de partidos aliados e candidatos a deputado estadual e federal e avisou que sua saída agora é definitiva. O pessoal de seu escritório já foi demitido e dispensado do cumprimento de aviso prévio. ¨Agradeço publicamente pela oportunidade de ter trabalhado com Jr Friboi¨, tuitou no início da tarde o agora ex-assessor de imprensa do peemedebista, o experiente jornalista Rodrigo Czepak.

Sobre os inúmeros compromissos financeiros que ele tinha feito com candidatos de todos os partidos, a mensagem é coletiva: a partir de agora, o caixa está fechado. Pessoas muito próximas admitiram que Jr Friboi pretende analisar caso a caso, e é possível que ele apoie financeiramente umas poucas candidaturas. Pelo menos quatro candidatos a deputado federal e estadual do PMDB já estariam revendo suas posições, e podem abandonar projeto eleitoral este ano.

Sonho antigo

Esta não foi a primeira vez que Jr Friboi tentou entrar para a política ocupando logo de cara o governo estadual. Ligado inicialmente a Marconi Perillo, o empresário tentou se viabilizar em 2006, mas nem chegou a formalizar sua candidatura pelo PSDB.

Paralelamente ao fato da empresa de sua família, a JBS, ser escolhida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma das ¨campeãs do Brasil¨ – termo utilizado em Brasília que serve como senha para abrir os cofres do BNDES e apoiar a expansão internacional de determinadas empresas, como é o caso da JBS e foi com as empresas X de Eike Batista –, Friboi se distanciou dos tucanos de Goiás, e passou a eleger Marconi como inimigo político número 1.

Ele teve uma rápida passagem pelo PSB de Goiás até desembarcar no PMDB após se entender com os dirigentes nacionais da sigla, como o vice-presidente Michel Temer. Aparentemente, as negociações envolviam caminho livre para a sua candidatura ao governo do Estado.

Desde o início, já se sabia, em Goiás, que o mar de rosas prometido pela cúpula nacional do PMDB a Friboi estava lotado de espinhos, e que todos eles atendiam por um só nome: Iris Rezende. O líder regional do partido jamais aceitou bem esse atalho federal adotado por Friboi. Ao lado de sua esposa, a deputada federal dona Iris, chegou a se deslocar até Brasília para convencer os chefões do PMDB a retirar o apoio dado a Friboi. Sem sucesso por lá, iniciou imediatamente em Goiás a movimentação que minou as condições de atuação interna e externa de Friboi, causando sua instabilidade.

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Na sexta-feira, 23, na página Eleições, neste site, análise sobre a carta renúncia de Friboi observava que ainda não se podia avaliar concretamente se o gesto do empresário era definitivo ou mera cartada política interna: ¨Essa resposta tem uma singela e definitiva resposta, que Friboi dará ou não nos próximos dias: se ele retornar ao Estados Unidos, onde mantém uma bela casa no estado do Colorado, de onde saiu para se aventurar pela selva política goiana, ficará bastante evidente sua retirada definitiva do processo. Se ele ficar por aqui, se mantiver seu bunker político aberto e com funcionários, certamente a escapada do marruá não terá qualquer significação no aspecto ostracismo. Sua sombra vai se projetar permanentemente sobre Iris, e sobre o cenário geral como um todo

Friboi não voltou para os Estados Unidos, mas já deixou Goiânia. Amigos dizem que ele viajou para sua fazenda, no município de Posse, nordeste do Estado.

Pesquisas espontânea, estimulada, qualitativa. Potencial de crescimento

Desde quando as pesquisa eleitorais no Brasil se tornaram um boa fonte de informação sobre os momentos que antecedem as eleições, as discussões em torno delas se tornaram acalorados e apaixonados debates. Os que defendem e apoiam candidatos que lideram as pesquisas tendem a enaltecer os números, e os projetam como se fossem a realidade futura, da própria eleição. Os que lutam por candidatos situados nos patamares intermediários, sacam inúmeros argumentos para desmerecer os números, ou desancar pura e simplesmente institutos e pesquisas.

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Mas, afinal, como é que um instituto entrevista meia dúzia de eleitores e diz que fulano ou beltrano tem a preferencia entre a maioria esmagadora e silenciosa, que não foi abordada pela pesquisa? Vale a pena conhecer a origem do modelo de pesquisa que se faz hoje aqui e em todos os países do mundo.

Gallup, o pioneiro

O americano George Gallup inventou o sistema estatístico atual. E qualquer bom instituto segue exatamente o que ele fez na década de 1930, nos Estados Unidos. Antes, os jornais americanos publicavam cupons e pediam que os leitores os enviassem para as redações com seus futuros votos. Geralmente, erravam feio.

Gallup, então, ouviu apenas 1500 eleitores em todo o país e afirmou categoricamente que Franklin Roosevelt seria eleito contra Al Johnson, que todos imaginavam futuro vencedor. Os jornais e seus cupons diziam exatamente o oposto. Um deles, em Nova Iorque, chegou a apurar 200 mil cupons, com a vitória de Johnson. A pesquisa Gallup, com apenas 1500 entrevistados, acertou na mosca.

Que mágica é essa?

Mas que droga de mágica estatística é essa em que a opinião de apenas 1500 pessoas é mais representativa do que a opinião de 200 mil pessoas? Não há nenhuma mágica nisso. Há um fundo científico que Gallup saiu explicando para o país inteiro após as tais eleições, que marcaram o surgimento das pesquisas eleitorais no planeta.

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O professor explicou com uma metáfora simples e demolidora. Para se conhecer o conteúdo químico da água de um reservatório de 1000 litros, ou 10 mil litros, não é necessário destrinchar cada gota para saber sua composição. Basta agitar toda a água e recolher apenas um copo. O que estiver nesse copo será idêntico, estatisticamente, a tudo o que está no reservatório.

Parece simples, e é mesmo. As pesquisas são, por isso, uma notável fonte de informações.

Qual é a mais válida, a espontânea ou a estimulada?

Pesquisa espontânea é quando o eleitor abordado não recebe nenhum tipo de informação e responde em qual candidato a determinado cargo iria votar se a eleição fosse naquele momento. Na estimulada, ele recebe uma cartela redonda, com nomes distribuídos como nas fatias de uma pizza, sem qualquer destaque, cores ou tamanho de letras, e indica o seu preferido.

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Qual delas teria mais validade? Não existe unanimidade quanto a isso. Particularmente, ao acompanhar e estudar as pesquisas e suas tabelas durante duas décadas, em Goiás e em Goiânia, cheguei à conclusão, enquanto jornalista político, que existem duas fases distintas nas pesquisas. Quando realizadas longe do clima das eleições, como agora, as estimuladas trazem informações mais completas. As espontâneas nesses períodos mostram certo grau de conhecimento e presença na mídia.

Às vésperas das eleições, 1 ou 2 meses antes, modifico a forma como observo e interpreto para os leitores o comportamento dos números das pesquisas espontânea e estimulada. Na espontânea, identifica-se uma cristalização da opinião do eleitor. Ou seja, seria um voto quase totalmente definido, mas evidentemente ainda sujeito à alteração dependendo da informação que seja alcançada por esse eleitor. A espontânea reflete o clima das ruas, praças, botecos e ambientes de trabalho e de convivência do eleitor. Não é algo absolutamente cristalizado, como se observa na espontânea, mas uma enorme tendência.

Potencial de crescimento

Existe mesmo esse negócio de que o candidato A ou B tem enorme potencial de crescimento? Sim e não, juntos e ao mesmo tempo. Ninguém nunca ouve dizer que um candidato tal que lidere as pesquisas com algo próximo das 50% ou mais, ainda tem uma espécie de reserva, esse tal ¨potencial de crescimento¨. Essa é uma característica exclusiva dos candidatos intermediários. Ou seja, quem está embaixo tem possibilidades de subir a escada. Só isso.

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O potencial de crescimento deve, então, ser analisado com foco também nas condições dessa candidatura intermediária. E o que conta aqui é uma tal estrutura de campanha e o perfil da candidatura, abrangência da rede de apoiadores – base –, discurso e imagem do candidato, qualidade dos programas eleitorais, dinheiro, tudo o que diz respeito à campanha em si. Não basta o candidato ser bom, ter boa imagem e tal. O sujeito só tem como crescer se as bases em que se lança candidato também é boa. Portanto, potencial de crescimento não é projeção de crescimento, mas mera possibilidade.

Pesquisa qualitativa ou quantitativa?

A pesquisa quantitativa é o modelo formalizado por Gallup, na década de 1930. As qualitativas são bem mais novas. Uma traduz em porcentuais o apoio de momento que os candidatos somam. A qualitativa avalia imagem do candidato, sensação que se tem sobre os pontos positivos – a serem destacados posteriormente – e os pontos que podem minar seu crescimento.

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São formados grupos de pessoas aleatoriamente escolhidas, mas com uma característica comum: estejam indecisas e sejam independentes em relação aos candidatos. Cinco ou seis grupos de meia dúzia são suficientes, mas as grandes campanhas promovem essas pesquisas com maior número de grupos e com bastante frequência.

Os grupos são estimulados por um moderador, e debatem temas livremente. É assim, no cruzamento das informações captadas nas muitas opiniões desses eleitores, que se aponta caminhos negativos e positivos para os candidatos. Essas pesquisas não informam porcentuais, mas opiniões. É uma pesquisa especializadíssima, que poucos institutos conseguem realizar bem. A maioria é mero caça-níquel de espertalhões. E esses espertalhões lotam o mercado.

Por fim, o principal fator de uma eleição é o instinto político de cada candidato. É esse instinto que os diferencia e os elege ou os derrota. É essa característica absolutamente rara que leva um candidato a contrariar as lógicas estatísticas das pesquisas quantitativas e qualitativas e ousar um lance que se revela inusitado e decisivo. É por isso que muitos querem ser políticos, e até conseguem vencer eleições, mas pouquíssimos são os políticos que merecem assinar os livros da história.

Chapa Aliada: na base da intimidade

Chapa majoritária com Marconi Perillo, José Eliton e Vilmar Rocha mostra que opção  da base aliada estadual é pela força da unidade

Afonso Lopes

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Governador Marconi Perillo: nome tranquilo na cabeça da chapa governista

Vice-governador José Eliton: ele tem trabalho mostrado para continuar

Vice-governador José Eliton: ele tem trabalho mostrado para continuar

Deputado Vilmar Rocha: os aliados o preferem na disputa pelo Senado

Deputado Vilmar Rocha: os aliados o preferem na disputa pelo Senado

A definição final das candidaturas às eleições deste ano só vai acontecer nas convenções partidárias. Dessa forma, apesar dos nomes já colocados no processo, ninguém pode ser considerado candidato definido. Mas se ainda não é o momento de assistir à batida do martelo, a fase é riquíssima em articulações, negociações e avanços. Nesse sentido, a chapa da base aliada do governo estadual caminha para efetivação, com as candidaturas de Marconi Perillo e José Eliton à reeleição, e Vilmar Rocha para o Senado. Muito mais do que o peso individual de cada um, a base aliada parece estabelecer sua linha de atuação na conceituação prática da unidade. Os três integram o que se poderia classificar como o mais próximo da unanimidade interna.

Reflexo dos acontecimentos do encontro de Rio Verde, ontem, sábado, 31? Sim, mas não apenas. O trio está se consolidando desde meados do ano passado, quando a caravana política aliada se estabeleceu e discutiu as metas de trabalho para as eleições deste ano. É óbvio que a candidatura de Marconi é a única que realmente conta com apoio total e incondicional de toda a base aliada, mas José Eliton e Vilmar Rocha também conseguiram conquistar apoio, e por isso podem trabalhar com maior desenvoltura em suas respectivas posições.

O fator Ronaldo Caiado na base

De qualquer forma, e apesar da consolidação dos nomes propostos para a chapa majoritária da base estadual, o democrata Ronaldo Caiado é, e vai continuar sendo, como uma sombra projetada sobre as candidaturas de José Eliton e Vilmar Rocha. Não que isso signifique que os dois correm riscos de perderem os espaços conquistados. Acontece que em se tratando de política, mais ainda que no futebol, onde gol decisivo pode acontecer nos acréscimos do segundo tempo, o jogo só termina quando “acaba mesmo”. Neste caso, após as convenções. Até lá, ou seja, no final deste mês que começou hoje, domingo, o que se percebe é uma nítida preferência por José Eliton e Vilmar Rocha.

Caiado não tem muitos trunfos na manga, mas tem votos pra caramba. Isso, claro, conta bastante em qualquer eleição. Porém, ele já esteve muito mais próximo de se reaproximar da base aliada como candidato ao Senado do que está hoje. Suas últimas andanças e declarações causaram certo desconforto, inclusive nos setores que gostariam de ter o líder democrata reintegrado à base aliada. Caiado repetiu que vai fazer campanha independente, sem se identificar político-eleitoralmente com o restante da chapa. Ou seja, se ele não vai se dedicar na tarefa de conquistar votos para todos, por que a base inteira pediria votos para ele?

Além disso, o democrata tem prestigiado eventos patrocinados fora do eixo aliado, especialmente no campo oposicionista, como aconteceu no encontro promovido pelo deputado federal Armando Vergílio, que de quebra teve aparição relâmpago do peemedebista Júnior Friboi. Antes, Caiado articulava abertamente junto à candidatura de Van­derlan Cardoso, de onde se distanciou somente após ser desautorizado publicamente por Marina Silva e por Eduardo Campos, comandantes nacionais do PSB e candidatos à Presidência da República e vice.

Essas atitudes de Ronaldo Caiado botaram pilha na base aliada, e acabaram reforçando as posições de José Eliton e Vilmar Rocha internamente. Enquanto Caiado se mostrava distanciado, os dois seguiam firmes a cada encontro regional da base aliada. Esse conjunto de ações e fatores está fazendo a diferença neste momento. Não é por outra razão que se percebe movimentação de pessoas muito próximas do líder do Demo­cra­tas diretamente junto ao nú­cleo pessoal de Marconi. Re­cen­temente, inclusive, os casais Graci­nha/Ro­naldo e Valé­ria/Marconi teriam gastado prosa animada num jantar reservado. O tema eleições de­ve ter frequentado o am­biente entre um acepipe e outro.

Preferência da base com a dupla Eliton e Vilmar

O processo de reabsorção de Ronaldo Caiado não é fácil. Lideranças de praticamente todos os partidos que formam a base aliada já declararam inúmeras vezes que a dupla Eliton e Vilmar tem preferência na casa. Não somente pelas atuais articulações empreendidas por ambos, mas por todo o histórico pessoal de cada um desde a campanha de 2010, e que atravessa a crise financeira de 2011 e os ataques de 2012, e a reconstrução a partir de 2013. Isso conta os pontos que agora estão fazendo toda a diferença.

A opção por Ronaldo Caia­do não seria traumática suficiente para abalar a unidade em torno da candidatura à reeleição do governador Marconi Perillo, mas certamente seria desconfortável, pelo menos nos primeiros momentos, pelo sacrifício que teria que ser feito na chapa que hoje se abriga como fator representativo da unidade interna. E é exatamente aí onde se encontra a força desse grupo.

Sem Iris, eleitorado migrou para todos os demais candidatos

Palanque do PMDB já tem uma definição

 – Jornal Opção

Iristas e friboizistas debatem candidatura a governador pelo PMDB, mas o palanque está armado

Iris Opção

Iris Rezende sempre teve a força majoritária no partido, que hoje tem preferência por Júnior Friboi

 

Mauro Borges foi atropelado pelo irismo no passado Irapuan Costa Junior foi combatido pelos santillistas

Mauro Borges foi atropelado pelo irismo no passado
Irapuan Costa Junior foi combatido pelos santillistas

Nem Júnior Friboi nem Iris Rezende. A primeira atração do PMDB para as eleições deste ano em Goiás é a divisão interna sem precedentes. Ja­mais o partido, eternamente em guerra interna, se deparou com crise tão grande. Antes, o processo era solucionado pelo enorme disparidade que havia entre o poder dos grupos principais, com fortíssima predominância irista. Hoje, o minoritário grupamento liderado pelo prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, rivaliza com Iris graças à presença de Friboi. Mesmo os mais extremados peemedebistas de um e do outro lado admitem que a união interna está definitivamente comprometida, independentemente de quem quer que seja o candidato ao governo.

O PMDB jamais foi exatamente o que se pode chamar de partido unido. Sempre esteve, por esse prisma, a dezenas de bilhões de anos-luz de partidos como o PT e o DEM, para ficar em dois exemplos de partidos ideologicamente distantes. Os petistas, que se abrigam sobre o enorme guarda-chuvas partidário, travam brigas internas constantes desde o seu início. Na prática, é como se dezenas de partidos convivessem na mesma área partidária. A diferença é que a porção majoritária e vencedora acolhe os grupos derrotados e ambos caminhos unidos depois. No DEM, nem isso existe. O partido parece ser sempre um só.

O PMDB sempre teve grupamentos internos bastante definidos. No auge do poder peemedebista em Goiás, logo após a redemocratização do país, na década de 1980, conviviam pelo menos quatro grandes grupos no partido. Os dois maiores eram liderados por Iris Rezende e por Henrique Santillo. Em seguida, orbitando às vezes num desses dois polos às vezes no outro, se situavam os grupamentos liderados por Mauro Borges e Irapuan Costa Júnior.

O primeiro grande enfrentamento interno somou os interesses dos grupos de Iris e Santillo, que se uniram para combater qualquer avanço do grupo de Mauro Borges nas eleições de 1986. Logo depois, os dois grupos vencedores também entraram em choque, definido inicialmente a favor de Santillo, que contou com o apoio do grupo de Irapuan, que havia embarcado na nau peemedebista pelas mãos de Iris Rezende, e que foi alvo de ataque do grupo santillista no primeiro momento.

Aos poucos, Iris se reforçou com parte do grupo de Irapuan, que foi incorporada, e já em 1990 conseguiu definitivamente derrotar santillistas e o que havia restado do grupo irapuanista. Livre e sem ter que negociar posições internamente, os iristas trataram de impedir que Nion Albernaz e seu pequeno grupamento – irista, diga-se – pudesse crescer a partir da candidatura dele ao governo do Estado em 1994, ao mesmo tempo em que também desestimularam o surgimento de uma segunda célula semi-independente, liderada pelo então deputado federal Naphtali Alves. Para isso, os iristas apostaram na candidatura do então vice-governador de Iris, Maguito Vilela.

O que ninguém entre os iristas imaginava é que Maguito se tornaria rapidamente um dos governadores mais populares da história de Goiás, superando inclusive o próprio Iris Rezende em seus dois mandatos. Assim, em 1998, a candidatura de Maguito à reeleição era absolutamente natural e considerada imbatível mesmo por opositores. Os iristas travaram então aquela que seria a última batalha interna antes do conflito atual, e Maguito se viu bloqueado na tentativa de se reeleger e foi despachar no Senado da República do alto de uma montanha de votos.

Todos esses fatos e embates históricos na vida orgânica do PMDB de Goiás jamais foram fator de sucesso ou fracasso nas urnas. Até 1998, os peemedebistas ganharam praticamente tudo o que disputaram. Hoje, e pela primeira vez, a situação é diferente. Iris Rezende não possui mais o mesmo poder interno que possuía antes. Nem seu grupo é tão grande e numeroso que possa dispensar os grupamentos menores derrotados como ocorreu ao longo de todo o processo.

Por outro lado, Iris enfrenta um oponente endinheirado e determinado que não se preocupa com o preço político que terá que pagar por sua ousadia, até por falta de perspectivas políticas futura. Friboi não é político, e se perder a disputa e o rumo, vai sair desse mundo tão rapidamente quanto entrou, sem qualquer tipo de drama pessoal além de feridas de cicatrização rápida. Os antigos adversários eram diferentes de Friboi exatamente nesse aspecto: todos eles tinham alguma forma de responsabilidade política com o futuro. Friboi, não.

O grande drama do PMDB e seus dois rivais internos é que nenhum deles conseguirá unir o partido na campanha. De quebra, isso poderá provocar um dano colateral que ainda não é possível mensurar com certa exatidão, que é o trabalho de costura de ampliação das alianças. Hoje, um dos pontos fundamentais de qualquer candidatura realmente competitiva é sua capacidade de agregar aliados externos. Iris perdeu essa condição política e Friboi ainda não deu mostras de que tem qualquer tipo de atração além do aspecto financeiro. Em ambas as situações, são fatores que complicam, e somente uma fortíssima e real perspectiva de poder imediato conseguiria efeito amenizador. Mas como chegar a esse patamar de perspectiva com um partido que até agora só conseguiu definir a divisão interna no palanque eleitoral? Não vai ser fácil.