Galerias

A nota rebaixada do Brasil: o que muda na sua vida?

Muito se falou sobre o rebaixamento da nota do Brasil, de BBB para BBB-, (o traço significa menos), pela agência americana Standart&Poors, S&P. Quase não se percebeu que as empresas brasileiras também entraram na faca avaliadora.

Petrobras, Eletrobrás e Samanco (do setor de mineração) igualmente foram rebaixadas. Só? Não. O setor financeiro foi atingido também. Nada menos que 13 instituições tiveram notas menores – Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Santander, Sul América, Caixa Econômica Federal, BNDES, Itaú BBA, HSBC, Citibank,  Banco do Nordeste, Sul América Seguros e Allianz.

Para o cidadão comum – eu, você e o resto de todos nós – as notas mais baixas vão passar longe de afetar o nosso dia a dia. Então, essa notícia é insignificante? Não, não. Ao contrário: é muito preocupante. Significa, em primeiro lugar, que a economia do Brasil parou de melhorar. Se não corrigir agora, vai piorar e, aí, sim, os efeitos vão atingir todos nós.

Luz do óleo

Complicado entender a coisa? Bem, então imagine que no painel do carro a luzinha espia do monitoramento do óleo do motor da uma piscadinha. Uma bobagem, sim, mas se o motorista não parar o carro e corrigir o nível do óleo, o motor vai fundir. É isso.

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Crescimento versus incentivos fiscais

Não há mais o que discutir sobre a validade dos incentivos fiscais praticados pelo Estado de Goiás. Segundo levantamento do BID, Banco Interamericano de Desenvolvimento, entre 2002 e 2012 a economia estadual cresceu 300% e a arrecadação dobrou de tamanho no mesmo período. Trocando em miúdos: o Estado, com seu leque de incentivos fiscais, abriu mão 100, arrecadou 200 e cresceu 300. Um ótimo negócio sob qualquer ponto de vista.

Comparando os dados atuais sobre crescimento da economia goiana e o peso dos incentivos fiscais, as vantagens impactam de maneira impressionante. No início, em 2002, os incentivos somavam 7,5% do PIB estadual. Hoje, atingem somente 4,9%. A pesquisa, feita por economistas brasileiros com dados de 16 estados brasileiros e o Distrito Federal, mostra ainda que os efeitos dos incentivos hoje estão se mantendo praticamente inalterados.

A notícia foi publicada na edição de hoje (27/03) do jornal O Popular.

Mas onde está a mágica fiscal de abrir mão de impostos, crescer a economia e dobrar a arrecadação? Não é mágica nenhuma. O que ocorreu foi uma forte atração de novos empreendimentos, que geraram renda e emprego, que voltaram para a economia e continuaram rodando e ampliando o mercado, provocando então em efeito continuado que se realimenta.

A carga tributária brasileira é uma das mais altas do planeta. Na prática, cada brasileiro trabalha/produz durante 5 meses ao ano somente para pagar impostos, taxas, licenças, contribuições e assemelhados. Diante desse levantamento do BID, de que Goiás cresceu e passou a arrecadar um volume maior de impostos com uma carga menor de impostos, é mais do que conveniente discutir seriamente se a política nacional de arrecadação voraz é o melhor modelo de gestão fiscal para o país.

Conexões: Goiás

PMDB

¨Baixar a poeira¨ para diminuir danos internos

O PMDB está rachado. Constatação intempestiva? Longe disso. Ontem, uma das grandes lideranças do partido, o prefeito Maguito Vilela, de Aparecida de Goiânia, disse que é preciso esperar a ¨poeira baixar¨. Em outras palavras, tem que esperar o ¨vendaval¨ passar.

A referencia de Maguito é direta e envolve o processo de afunilamento interno das candidaturas do PMDB ao governo do Estado. Até então, nenhuma liderança peemedebista importante tinha falado abertamente sobre a existência de atritos internos, embora os sinais captados externamente fossem evidentes e inegáveis.

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Começou na filiação de Jr Friboi

Os choques internos não começaram agora, eles apenas afloraram mais escancaradamente.

No final do ano passado, quando ainda estava no PSB, surgiram sinais de que Friboi pretendia embarcar na canoa peemedebista. Em Brasília, ele se acertou com o presidente nacional do partido, vice-presidente Michel Temer. Iris não gostou e foi até lá conversar com Temer. Friboi venceu naquele momento.

Recebido com festa de praxe, principalmente pelo grupo liderado por Maguito, chegou como virtual candidato ao governo do Estado, o que desagradou ainda mais Iris Rezende. Iristas foram a campo para repor as coisas de acordo com seus interesses: Friboi era um dos pretendentes, e não o pretendente. Ato contínuo, outros dois peemedebistas anunciaram que também eram pré-candidatos ao governo, os ex-deputados estaduais Wagner Guimarães, de Rio Verde, e Ivan Ornelas, de Formosa.

Friboi sentiu o golpe e exigiu da Executiva Estadual um posicionamento oficial sobre sua situação. Sob forte influência dos maguitistas, Jr recebeu o título simbólico e pomposo de pré-candidato oficial do PMDB ao governo do Estado.

O que motivou Maguito a pedir que o partido adote o velho ensinamento de que é ¨o tempo que cura o queijo¨ foi entrevista de Iris Rezende à rádio 730, num furo do repórter Divino Olavo. No bate-papo, Iris deixou claro que não abandonou o projeto de disputar o governo mais uma vez. E sacramentou que não existe esse ¨negócio¨ de pré-candidato oficial e que não foi consultado sobre isso.

O vento, que era incômodo, tornou-se vendaval.

Para Maguito, o jeito é esperar a ¨poeira baixar¨, buscar o consenso e ¨não ficar discutindo pelos jornais¨. Se isso vai funcionar ou não, vai se descobrir em breve.

Loucura geral

Estação de energia

Parece estupidez, e é mesmo. A cada mês, bate-se novos recordes de arrecadação de impostos no Brasil. Nem as famosas e localizadas desonerações conseguem evitar isso.

Pois não é que já se cogita mais um aumento nas já absurdas e abusivas taxas brasileiras? Pode vir por aí mais imposto na energia elétrica. Seria destinado a cobrir um pouco o rombo que se espera para este ano nas contas das elétricas.

Tranca na porta

Velha história de colocar tranca na porta depois da visita do ladrão. Um dos acusados do assassinato do jornalista Valério Luiz, ocorrido em 2012, escapou para a Europa. Vive em Portugal com a família dele.

Ele disse ao jornal O Popular que não fugiu, mas se mandou pra lá para se proteger e resguardar a família. E acrescentou: se a Justiça lhe der garantias, volta na hora.

Drogas e mortes

As quatro meninas cruelmente assassinadas no Morro do Mendanha, em Goiânia, foram vítimas de traficantes, 3 deles menores de 18 anos, e 1 mais velho um pouquinho, 21 anos.

Ou seja, crianças matando crianças.

No Brasil, já se acostumou dizer que somos um país campeão em assassinatos por causa das drogas e dos traficantes. A tese é completamente capenga. Drogas e traficantes existem em tudo e quanto é país do mundo, mas em pouquíssimos lugares do planeta se mata como aqui.

Conexões: Goiás

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Pneu de estepe

 

Ontem, em belo furo da rádio 730, o jornalista Divino Olavo entrevistou o ex-governador Iris Rezende, do PMDB, que aparece na segunda posição em pesquisas eleitorais recentes.

 

Iris é o mestre de sempre, e driblou as perguntas mais diretas. Como a que questionou se ele será ou não candidato ao governo mais uma vez. ¨Sou como um pneu de estepe¨, se precisar, tá na mão. Ou seja, rodou e parou no mesmo ponto. Será candidato ou não? Será. Ou não, diria Caetano Veloso.

 

Defensores da candidatura de Jr Friboi permanecem, então, com esperanças, mas a falta de crescimento rápido nas pesquisas é, sim, um problemão. Friboi foi atirado numa sinuca de bico quando permitiu que peemedebistas o atirassem no atual período de teste de viabilização eleitoral com a aposta de bom desempenho em pesquisas. Ora, como fazer seu nome crescer nas ruas se não há campanha aberta?

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PT

 

E no PT, Gomide vai confirmar candidatura ao governo do Estado e desincompatibilização como prefeito de Anápolis ou não? Internamente, e localmente, não há qualquer problema. Gomide é o queridão do PT goiano.

 

No final de semana, os petistas fazem encontro estadual para discutir a candidatura dele. Ninguém espera qualquer novidade. Depois, ele terá mais alguns dias para aval da direção nacional do partido, em Brasília. Ele quer evitar um risco enorme, de se lançar candidato, deixar a Prefeitura e, na última hora, o PT nacional determinar mudança de planos e apoio ao candidato do PMDB.

 

 

Por menos de 30 reais

Os campeões do baixo custo

Vinhos bons são necessariamente caros? Não. Existem vinhos bacanas que não arrancam o couro da carteira. Mas nem isso é regra. Entre os vinhos mais baratos, ou menos caros, é preciso garimpar bem pra não sofrer amargas (literalmente) decepções.

Vão aqui 3 dicas na faixa de 25 a 30 reais.

Vinho Casillero

O Casillero del Diablo é chileno, da famosa Concha Y Toro, fabricante de jóias como o ótimo Don Melchor, e co-fabricante do maravilhoso Almaviva.

 

Já bebi muito esse vinho. Aliás, fora os desequilibrados ¨Reservados¨ chilenos (Santas da vida…), talvez seja um dos chilenos mais conhecidos e bebidos no Brasil.

Vinho Periquita

Periquita é hoje o mais vinho português mais vendido no Brasil. Merece ser campeão de vendas. Há uma versão melhor apurada, e mais rara, mas o preço dobra, embora a qualidade triplique. Compra tranquila para beber um vinho honesto e justo na sua faixa de preço.

Vinho Pão de Açúcar Club  A marca é exclusiva da rede Pão de Açúcar. Club des Sommeliers é resultado de lotes de vários fabricantes ao redor do mundo pela rede de supermercados. Vai do Brasil à Austrália, e os preços também variam bastante. Os mais vendidos são brasileiros da Serra Gaúcha e chilenos e argentinos, todos na faixa de preços proposta na dica.

Como os outros dois, são vinhos bons para quem não quer ou não pode gastar tufos pelas jóias das coroas de baco. Há uma linha, com rótulo preto, mais cara. Também é boa, mas não vale a pena gastar mais. A qualidade é equivalente. Dos 3 indicados, é o vivo que bebo com mais frequência.

 

 

Serpes/O Popular

A mais recente pesquisa realizada pelo instituto Serpes e publicada pelo jornal O Popular trouxe uma ótima notícia para o governador Marconi Perillo e uma informação que acende a luz de alerta para a reeleição.

Marconi não parou de crescer e abre em relação ao 2º colocado, Iris Rezende. Os demais nomes, apesar de serem os únicos declaradamente candidatos, Vanderlan Cardoso, Jr Friboi e Antônio Gomide, capinam sob o forte sol da planície: somados, perderiam para Marconi já no 1º turno, se as eleições fossem agora.

Entre os 5, 2 se garantem nas próprias candidaturas: Marconi, pela base aliada, e Vanderlan, na até hoje quixotesca 3ª via, só não se confirmam candidatos se não quiserem. Gomide, no PT, tem muito a arriscar: nada menos que 2 anos e 9 meses de mandato como prefeito da principal cidade do interior do Estado, Anápolis. A definição final dele e do PT está marcada para o final desta semana. Não deixa de ser um drama. Iris Rezende e Jr Friboi dividem o PMDB até agora sem nenhuma indicação de acordo entre eles. Friboi diz que vai para a convenção. Iris prefere negociar antes e tirar o rival da parada dura.

Céu de brigadeiro para Marconi? Claro que sim. Aumentou vantagem para o principal concorrente e pode chegar às urnas como governador em processo de reeleição, o que sempre conta muito. De quebra, a aprovação de seu governo também tem crescido.

Mas o que faz aquela nuvem lá no horizonte? Preocupa.

Rejeição

O governador é o mais rejeitado entre os eleitores. Nenhuma novidade nisso. Geralmente, a tendência do eleitor oposicionista é mesmo rejeitar quem está no governo. Formou-se essa pequena nuvem pelo fato de que o índice de Marconi variou, dentro da margem de erro, positivamente. Chegou aos 31 pontos.

Esse índice perturba, mas não muda o quadro geral de céu de brigadeiro. É uma nuvem, apenas. Com os modernos mecanismos de monitoração, é possível navegar tranquilamente e sem maiores turbulências.

Teoricamente, rejeição é intransponível quando atinge 50% mais 1 voto. É o que diz a regra eleitoral. Na prática, o limite razoável de risco acentuado é 40%. Um pouco mais é considerado alto risco, mas não sacramenta inviabilidade eleitoral. Há casos de rejeição acima do índice limite que resultaram em estrondosas vitórias. Para ficar em dois exemplos, Lula e Dilma.

Portanto, para Marconi, a rejeição é até agora somente uma nuvem. Que incomoda porque está em movimento. Ele precisa monitorar bem para não tumultuar seu céu de brigadeiro rumo à reeleição.

Os vinhos ícones do Chile

Vá lá: não da pra se iniciar no mundo dos vinhos escalando um time como esse.  São ótimos, mas o preço de cada um deles bate fácil qualquer carteira menos preparada. E ainda tem aquela velha história da safra. Algumas, são mais caras, e mesmo as mais em conta não constituem razão alguma para ficar animado e com bolso cheio.

Mas mesmo que você esteja pensando em começar a viver os vinhos ou se já trilhou os primeiros caminhos, vale a pena abrir esta coluna com os 5 grandes ícones da América do Sul.

Não estão numa ordem de valor ou de qualidade. É muito difícil dizer qual é o mais completo, gostoso. Vinhos bons algumas vezes ficam menos bons apenas pelo ambiente em que é bebido. Numa boa mesa a dois, com amigos e amigas ou mesmo sozinho/sozinha, o mesmo vinho, da mesma safra, pode ter sensações melhores ou piores.

Então, pra quem não conhece o topo da América do Sul, vamos lá. Pra quem já conhece, vale a pena relembrar esses chilenos que não passam vergonha em lugar nenhum do planeta.

013940_AmpliadaPara muitos críticos, o Almaviva é o ícone dos ícones dos vinhos chilenos. Vem do Valle del Maipo, terroir de grandes vinhos, e é resultado da associação da francesa Baron Philipe Rothschild e a chilena Concha Y Toro.  Na Dufry de São Paulo (Guarulhos-internacional) está cotado a 208 dólares. No Brasil, vai de 550 reais a cerca de 900, dependendo da safra e do fornecedor. É encontrado em Goiânia, nas boas lojas.

Clos ApaltaNa safra 2005,

o Clos Apalta, da Casa Lapostolle, foi considerado entre os melhores do mundo. Vem do Vale do Colchagua. A Mistral é a importadora oficial e o preço, embora referenciado em reais, é dolarizado – o que pode ocasionar variação diária. Custa cerca de 460 reais.

Don MelchorDon Melchor é um excelente Cabernet Sauvignon da Concha Y Toro. É também o mais popular entre os 5 grandes no mercado brasileiro. Vem do Vale do Alto Maipo. Foi o primeiro grande vinho sul americano a desfrutar de boa fama no mundo. É o menos caro dessa turma. Dependendo da safra, vai de 360 reais a pouco menos de 500 reais. Também é facilmente encontrado nas boas lojas de Goiânia.

Montes Alpha MAlguns acham que o Montes Alpha M é o melhor vinho produzido pela Viña Montes. Se não for o melhor, faz bonito diante de bons vinhos de qualquer lugar do mundo. Muito bonito. Também é do Vale de Conchagua. Em Goiânia, pode ser encontrado em algumas lojas, mas não é tão comum quanto o Don Melchor. E é um pouco mais caro. Na Mistral, importada oficial da Viña Montes, custa em torno de 460 reais.

vinedo-chadwickViñedo Chadwick é o mais misterioso dos grandes chilenos. Foi criado por Eduardo Chadwick, dono da Errazuriz, e vem do Vale do Maipo. Em 2004, numa degustação/disputa às cegas – em que os jurados bebiam os vinhos sem saber a marca – bateu todos os concorrentes, inclusive poderosos franceses 12 vezes mais caros. É o menos conhecido do mercado brasileiro. Em Goiânia, raramente está à venda. É o mais caro dessa lista. Vai de 650 a fantásticos (e irreais!) 1.200.

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Comidinha

 

arroz com camarões

Arroz integral e camarões ao molho de peixe com tomates

–       Arroz integral ou branco preparado à parte, normalmente. Após o cozimento, acrescentar a manteiga de leite sem sal e misturar. Tampar a panela e só abrir novamente ao servir.

Molho de peixe

–       Gosto da praticidade. Compro o molho básico congelado (produzido por empresa catarinense, R$ 10,00 em Goiânia). É só a base. Faltam os complementos. Vamos lá.

–       Derreter numa panela média. Baixar o fogo, e acrescentar molho de tomate (o pior é o Pomarola, mas serve também. Geralmente, prefiro os molhos italianos) e os temperos (sal, pimenta do reino, ervas de Provence, chili em pó, pimentón picante, alho picadinho e cebola – uso a ralada). Mexer bem sempre. Ferveu, hora de ver se tá no ponto. Gotinha na mão e… Acerte o que estiver faltando. Ou vá para a etapa final da coisa.

–       Acrescente leite de coco.

–       Acrescente os camarões limpos e sem nenhum tempero (eles vão ganhar o sabor do molho).

–       Mexa de vez em quando – de 2 em 2 minutos pra não deixar os camarões passarem do ponto (é coisa de 5 a 8 minutos, não mais que isso).

–       Apague o fogo e acrescente cheiro verde, salsinha e, não pode faltar, coentro. Tampe e prepare o prato.

–       Coloque o arroz com manteiga e salpique com parmesão ralado (pode usar mussarela ralada também, como preferir). Com um maçarico doméstico, sapeque o queijo levemente (no caso da mussarela, vai apenas derreter e não sapecar).

–       Ao servir, coloque os camarões com pouco molho num dos lados do prato e, depois, cubra com molho.

Para acompanhar, vinho, claro. Fui com um honestíssimo pinot noir californiano (numa promoção, encontrei por R$ 39. Preço normal, entre 60 e 78 reais).

Ronaldo Caiado pode voltar a compor com base aliada

 
Ronaldo Caiado: com exatamente o mesmo roteiro de 2010
Afonso Lopes
Não será a primeira vez. O principal líder do DEM, Ronaldo Ca­iado, é, para usar frase comum na política goiana, useiro e vezeiro do voo solo no exercício do mandato e do voo coletivo nas eleições. Aliás, não é somente ele que age assim, não. A grande maioria dos deputados estaduais e federais, inclusive prefeitos e vereadores, fazem exatamente a mesma coisa, embora Caiado seja um dos poucos a abrir o jogo e suas posições tão logo as urnas são fechadas. Os demais, geralmente, ficam no chove-não-molha de idas e vindas de momento.
Difícil entender o jogo cifrado da maioria? Não. Basta puxar rapidamente pela memória sobre prefeitos que estabelecem relações quase afetivas politicamente com governadores e quebram todo esse encanto às vésperas de eleições. Ou vereadores que, eleitos pela base do prefeito vencedor, usam qualquer momento difícil para amolar a faca no pescoço do prefeito aliado para assim conquistar mais cargos ou obras para seus redutos. Os exemplos se estendem aos demais níveis de mandato.
Nesse sentido, portanto, o deputado Ronaldo Caiado é de uma coerência sem igual, e poucas vezes explicitadas no mundo político. Ele faz o caminho de Santiago da Compostela invertido: ganha a eleição com o governo e se afasta logo depois. Geralmente, o que se vê diariamente é quem se elege na oposição, mas caminha rapidamente para o templo do vencedor em seguida.
Origem 
É curioso observar Ronaldo Caiado novamente junto ao grupamento que está no poder em Goiás? De maneira alguma. Caiado é um dos fundadores da união que resultou no definitivo fortalecimento desse eixo político. Em 1996, na disputa pela Prefeitura de Goiânia, pela primeira vez na história política de Goiás os grandes partidos que faziam oposição à hegemonia do PMDB irista se uniram em torno da candidatura do ex-prefeito Nion Albernaz, do PSDB.
Caiado resistiu o quanto possível e apostou praticamente tudo em uma candidatura própria, Sandes Júnior. No último momento, ao ver que levaria o DEM para o isolamento total e isso fortaleceria o PMDB e o PT, que comandava a Prefeitura com Darci Accorsi, Caiado aceitou a tese da grande união oposicionista. Chegou a indicar Sandes Júnior como vice de Nion, mas Sandes já estava com um pé no apoio à candidatura do PMDB. A deputada federal Maria Valadão foi então indicada para o cargo.
Foi desse eixo que nasceu o chamado Tempo Novo, que em 1998 transformou um tema de campanha em mote de autêntico movimento político. Hoje, dezenas de siglas, muitas das quais apoiavam o PMDB na época, pululam em torno da base original, criada por PSDB, DEM, PP e PTB.
Mas Caiado estaria sendo incoerente por ter se distanciado desde 2010 do Palácio das Esmeraldas e novamente abrir a possibilidade de aproximação, como, aliás, aconteceu também no processo eleitoral de 2010? Aparentemente, sim. Na verdade, não.
Fora o fato de ser um dos fundadores da base aliada estadual, um dos únicos democratas que se afastou do Palácio das Esmeraldas foi ele, Caiado. Todos os demais, de deputados estaduais a prefeitos e vereadores, permaneceram na aliança. E ele sempre aceitou esse fato, embora tenha total domínio interno. Poderia, como ocorre algumas vezes em outros partidos, expulsar quem não o acompanhasse. Alguns saíram do DEM, é verdade, como o deputado federal Vilmar Rocha, que se aproveitou do momento de criação do PSD e se mandou para lá. Mas não se sabe de nenhuma censura pública de Caiado contra deputado, prefeito ou vereador do DEM que continuou na base aliada.
Mas essa militância pós-eleição numa espécie de limbo oposicionista não seria uma forma velada de oportunismo? Poderia ser, sim, se Caiado rompesse nos momentos de crise. Não é isso o que aconteceu. Ele se separou antes mesmo da formação da equipe de governo. Simplesmente, negou-se a desfrutar do poder que ajudou a conquistar. Além disso, apesar de ser dono de um dos discursos mais inteligentes e agressivos da política estadual, jamais fez oposição acirrada à base. Nem ao governo e nem aos democratas que não o acompanharam.
Então, por que agora ele sinaliza que pode voltar a integrar a base que renegou nos anos de mandato? Porque o momento não é mais de atuação pessoal, mas partidária. Agora, não é mais Ronaldo Caiado, mas o DEM, principalmente. E caberia a ele dois caminhos: ou resolver sozinho e empurrar a decisão para baixo, ou permitir que a maioria indique o caminho. Inédito? De jeito nenhum. Exatamente o mesmo retrato de 2010. Tudo detalhadamente igual.
Em 2010, Caiado fez tudo o que era viável para conduzir o DEM para a terceira via, aquela que se revelou uma aventura fracassada patrocinada pelo Palácio das Esmeraldas contra o eixo liderado por Marconi Perillo. No último momento, como aconteceu em 1996, recuou para a maioria. Como novamente deve acontecer agora em 2014.
Caiado se viabilizou para disputar o Senado. A chapa de Marconi está praticamente pronta, com ele próprio na reeleição, José Eliton como vice e Vilmar Rocha para o Senado. Então, esse agora é o ponto que será discutido e negociado. São quatro nomes e três cargos, sendo duas indicações para somente uma vaga de senador. O DEM, certamente, vai lutar pela candidatura ao Senado, com Ronaldo Caiado. Pelo andar da procissão, pode funcionar. Nesse caso, pesaria bastante a agregação de votos, especialmente numa eleição que todos percebem antecipadamente como acirrada. Sobraria José Eliton, que cederia espaço na vice para Vilmar e reforçaria a chapa de deputado federal.
Mas Caiado como candidato ao Senado seria um reforço ou um peso? Ambos. Reforço para a base aliada e peso-pesadíssimo se ele, como candidato, comprar a briga pelos interesses dos aliados, o que inclui seu próprio DEM.

Conexões: Goiás

A sutileza das palavras confunde Friboi
Empresário terá de aprender muito para provar que tem condições de jogar o jogo da política
Júnior Friboi, pré-candidato do PMDB ao governo: confundido pelas palavras
“O político mais bobo consegue desenhar uma vaca na parede e ordenha fácil 10 litros de leite.” Parece frase de para-choque de antigos caminhões que rodavam lentos pelas estradinhas do Brasil. Aliás, um ou outro daqueles velhos e inspirados caminhoneiros provavelmente adornou a traseira de seu “bruto” com esse provérbio. Sábios desbravadores. A política é mesmo um mundo em que a sutileza das palavras às vezes esconde o que parece escancarar e logo depois escancara o que parece querer esconder.
O empresário bem-sucedido José Batista Júnior, o Júnior Friboi, vai descobrir isso aos poucos, agora que resolveu abandonar o balcão de negócios e bancar as negociações no mundo das relações políticas. Por enquanto, as palavras parece que confundem a fluidez de raciocínio dele. Friboi não tem a mínima noção de como interpretar correta e inteiramente o que se diz em alto e bom politiquês. Ele ainda não é do ramo. Se insistir, vai ser um dia, mas ainda não é.
Desde sempre, Júnior Friboi tem agido na política exatamente como fez quando presidiu a empresa criada pelo pai dele, atropelando tudo o que vê pela frente. Com pressa de ontem. Nos negócios, dizem, as coisas funcionam bem dessa forma: se surge a oportunidade, não se pode pensar muito. A cautela pode favorecer um concorrente.
Talvez por essa razão, Friboi tem agido muitas vezes com pressa suficiente para ser induzido a erros políticos grossos.
Na semana que passou, por exemplo, enquanto em Brasília a cúpula do PMDB tentava se acertar com a cúpula do PT para incluir Goiás entre os Estados em que os petistas vão ter que engolir cabeças-de-chapa peemedebistas nas disputas para os governos, Friboi sacou sua verborragia para atacar duramente os potenciais aliados. Por sinal, de resvalo, acertou até no colega de PMDB, Iris Rezende.
Em outras palavras, cobrou do prefeito Antônio Gomide, o queridinho do PT atualmente, que ele cumpra completamente o mandato de prefeito de Anápolis conquistado na reeleição de 2012. De bate-pronto, procurando coerência em sua cobrança, criticou também Iris Rezende por ter renunciado em 2010 e disputado o governo do Estado. Ou seja, além de não agradar o possível aliado, ainda limou o único peemedebista que representa séria ameaça ao seu projeto de disputar o governo de Goiás.
Estragos suficientes? Não para o nada sutil Friboi, que desandou a falar em seguida sobre o que o PT deve fazer a respeito dos nomes do partido nas eleições deste ano. Com Gomide fora do processo, de acordo com a sentença dele, Júnior então citou o ex-reitor da UFG Edward Madu­reira, e a ex-deputada federal Marina Sant’anna como bons candidatos do PT a vice-governador ou a Senador. Não haveria nada de errado nessas citações de Friboi se ele fosse petista e não peemedebista.
Iris: disse-não-disse
Júnior Friboi diz que foi convidado a se filiar ao PMDB exclusivamente para ser candidato ao governo de Goiás. Quem o convidou, afinal? Isso ele não diz. Iris Rezende, principal líder do PMDB goiano, certamente não foi o autor de tal convite. O próprio Friboi passa essa informação ao explicar que, convidado (por quem?) para se filiar ao partido, procurou Iris Rezende para saber se ele era ou não candidato ao governo.
Nesse ponto da história, a sutileza das palavras mais uma vez embaralha os neurônios políticos do empresário. Friboi garante que Iris jamais disse a ele que era candidato ao governo de Goiás. E completa: por que ele, Friboi, deixaria o PSB, onde não tinha concorrentes internos, para encarar uma briga desse tamanho no PMDB?
Concluído o raciocínio, Friboi então deixou a área de conforto do PSB e embarcou na canoa para enfrentar as tempestades que ele não imaginava existir no PMDB. Mas, afinal, Iris disse ou não disse que não era candidato? Disse, sim, e nunca negou ter dito exatamente isso. O problema aí está naquilo que não lhe foi perguntado pelo atabalhoado intérprete político Friboi: se ele, Iris, além de não ser candidato naquele momento, teria desistido completa e irreversivelmente do velho plano de tentar retornar ao Palácio das Esmeraldas.
Friboi também não en­xergou qualquer risco político à frente ao jogar fora a garantia de candidatura que o PSB lhe oferecia. Ouviu que Iris não era candidato, interpretou isso como desistência definitiva, e não se atentou para o fato de que, ao entrar no PMDB, perderia, como perdeu, a condição de decidir sozinho seu próprio futuro imediato. No PSB, nem Iris nem o PT ou qualquer outro partido conseguiria impedir a candidatura dele. Ali, como nas suas empresas, ele era o dono. No PMDB, virou sócio.
Políticos lidam com a sutileza das palavras a cada momento. Consta que Tancredo Neves, durante viagem de campanha ao Nordeste já nos estertores do regime militar de 1964, recebeu telefonema de um apavorado Ulysses Guimarães que queria avisar o matreiro político mineiro de ameaçadoras reações da caserna. Desconfiado de que seus telefonemas eram monitorados, Tancredo fingiu que a ligação estava ruim e disse: “Não estou entendendo o que você diz, mas posso te dizer que o mar aqui está muito bonito. Você precisa vir aqui ver isso, Ulysses”. E desligou o telefone. O grande timoneiro do PMDB entendeu o recado e correu para o aeroporto. Os arapongas não desconfiaram de nada. Eram bons investigadores, mas péssimos intérpretes da política.
Se o exemplo citado é quase uma covardia por envolver dois monstros sagrados da história da arte política brasileira, há zilhões de outros. Em 1985, no processo de afunilamento de candidaturas a prefeito de Goiâ­nia, no retorno das diretas, o então governador Iris Rezende trabalhava decisivamente contra a favoritíssima candidatura do deputado estadual peemedebista Daniel Antônio, que por conta disso já estava com um dos pés fora do PMDB e o outro dentro do PDT. Henrique Santillo, senador, era candidatíssimo ao governo de Goiás nas eleições do ano se­guinte, e tu­do o que ele não queria era enfrentar um prefeito ad­ver­sário na capital.
Então, no Palácio das Esmeraldas, Santillo jogou pesado com Iris pela candidatura de Daniel. O governador teria dito que era tarde demais, que Daniel já estava no PDT. “Não está, não. Falei com ele”, retrucou Santillo. “Se ele voltar ao PMDB, eu o apoio. Pode falar isso pra ele”, concordou Iris. “Falamos juntos. Os repórteres estão do lado de fora esperando pela declaração”, arrematou Santillo. Ele, Santillo, tinha avisado as TVs, rádios e jornais que iria ao Palácio, e assim o compromisso entre os dois, nascido na conversa reservada, se tornou público na mesma hora. Daniel não confirmou filiação ao PDT, foi o candidato do PMDB e venceu as eleições.
Enfim, para se tornar realmente um político, Júnior ainda tem um longo caminho pela frente. Por enquanto, até as palavras o confundem e o derrotam. Isso não significa que ele é um bom ou um mau candidato. Esse julgamento será feito primeiramente pelo PMDB. De­pois, se conseguir passar pela duríssima prova de fogo que é derrotar internamente o mito Iris Rezende, será a vez de enfrentar o veredito final, do eleitor. Até lá, dá tempo de aprender alguma coisa. Como disse Gui­lher­me Arantes, e que se tornou imortal na voz de Elis Regina, “nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar”. Resta saber se Friboi é bom aluno ou somente um bilionário excentricamente político.

A recuperação de Marconi

Não se pode falar em favoritismo, mas pesquisa Fortiori indica que o governador está no jogo e pode vencer mais uma vez
Fernando Leite/Jornal Opção
Governador Marconi Perillo: a oposição chegou a dá-lo como derrotado, quadro
que mudou consideravelmente hoje
Afonso Lopes
Nem o mais pessimista oposicionista conseguiria prever que o quadro eleitoral preparatório deste ano encontraria Marconi Perillo (PSDB) virtualmente pronto para disputar com reais chances de vitória novo mandato de governador. Os otimistas da oposição diziam que o tucano “já era”, que seria fácil vencê-lo nas urnas. Isso se ele “tiver a coragem de se candidatar ao governo”, completavam. Pois é, mas pesquisa feita pelo instituto Fortiori no início deste ano mostra um quadro completamente diferente desse pintado nas ondas otimistas dos grupos oposicionistas. Marconi “apanhou” como nunca havia “apanhado”, mas não foi a nocaute. Ao contrário, voltou a ter condições de vencer mais uma vez.
Quando a pesquisa encomendada pela rede Sucesso de rádio foi divulgada, o jornalista e presidente do Fortiori, Gean Carvalho, que tem especialização superior em estatística, disse que o governador estava recuperado e reunia novamente condições de disputar a eleição deste ano. Esta semana, o Jornal Opção voltou a conversar com Gean, e seu diagnóstico está levemente alterado. “Aquele quadro era de janeiro. Hoje, é melhor. O levantamento mostrou que o governador não apenas tinha novamente voltado ao jogo (eleitoral), mas que ele permanecia em recuperação”, explicou.
Isso significa que Marconi já pode ser considerado como favorito nas eleições. Gean diz claramente que a situação atual é melhor do que a registrada em 2010, quando ele venceu o primeiro turno com 10% de vantagem sobre o segundo colocado, Iris Rezende, e foi eleito no segundo turno com quase 6% de votos a mais que o peemedebista. “Mar­co­ni ainda não bateu no teto e as próximas pesquisas vão definir melhor esse quadro geral”, disse Gean.
Duramente golpeado, mas não nocauteado 
Os oposicionistas subestimaram Marconi Perillo? Sim e não. Revendo a situação de 2011, primeiro ano de governo, nem os aliados do governador se sentiam confortáveis. Rodovias abandonadas, sem condições ao menos razoáveis de uso, escolas caindo aos pedaços, servidores com salários atrasados pelo governo anterior, dívidas acumuladas e vencidas, além de uma forte demanda reprimida de material de consumo rotineiro nas repartições públicas e um déficit potencial de R$ 2 bilhões diagnosticado pela área financeira do Estado. Isso aliado ao sucateamento de “joias” das administrações desse grupamento, que chegou ao poder nas eleições de 1998, como as unidades de Vapt-Vupt, e o abandono dos programas de proteção e de inclusão social. Os próprios governistas deixavam escapar que Marconi andava macambúzio, quase desanimado. Os pessimistas viam ali o fundo do poço, sem possibilidade de retorno à superfície.
Se o cenário era péssimo administrativamente em 2011, um ano depois o quadro político também foi destroçado pelas denúncias contra o então senador Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira. Demóstenes tinha natural influência, como acontece em todos os governos de coalizão, e indicou, soube-se depois, alguns nomes ligados a Ca­choeira. Em Brasília, como a orientação era “pegar” Marconi, bastou unir as coisas e o inferno astral se aliou ao fraco desempenho administrativo do ano anterior. Um arraso quase total.
Foi nesse momento que a oposição pode ter cometido um grave erro de avaliação. O mais grave de todos na política: subestimar a capacidade de reação. Marconi tinha sido duramente golpeado, mas não havia sido nocauteado, como julgavam. Ao contrário, foi nesse momento que seu governo e ele próprio iniciaram uma trajetória completamente oposta.
Sem dinheiro suficiente para levantar a administração amarrada pelo governo anterior, Marconi concentrou esforços em Brasília. É lá onde se concentram 70% de todos os impostos pagos pelos brasileiros (os Estados ficam com 25% e as cidades, 5%). Apesar de ser filiado a um partido que faz o­po­sição ao governo federal, Mar­co­ni conseguiu muito mais recursos nesse endereço do que, por exemplo, a administração de Al­ci­des Rodrigues, que se vangloriava por erguer palanques, em Goiânia, para o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O segredo de Marconi nesse aspecto pode estar em dois pontos: primeiro, completou bem o chamado dever de casa, corrigindo distorções encontradas no campo fiscal, e, em segundo lugar, procurou manter uma relação respeitosa e republicana com a presidente Dilma Roussef, que, mesmo sem recebê-lo em audiência particular, atendeu inúmeros pedidos do governo de Goiás.
Os oposicionistas mais afoitos levantaram, nessa época, inúmeras bandeiras administrativas contra Marconi e seu governo. Um erro crasso diante da experiência administrativa acumulada pelo governador. A primeira saraivada de críticas foi na Educação, graças a prédios escolares caindo aos pedaços. Aos poucos, essa situação mudou completamente, apesar de movimento grevista dos professores ter criado forte crise de imagem para o governo.
A segunda bandeira oposicionista foi o estado de abandono das rodovias estaduais. Dia sim, e dia não também, ouviram-se discursos in­flamados sobre os riscos de acidentes, desconforto, comprometimento do escoamento de safras e prejuízos causados pelas estradas esburacadas. Esse argumento também caiu por terra diante de um grande programa que recuperou, reconstruiu e abriu novas rodovias no Estado.
Comparação a ele mesmo
Há ainda questões não totalmente superadas, como certo grau de insatisfação registrado entre servidores públicos. Aqui, pesa muito o padrão de comparação com os governos anteriores do próprio Marconi. Antes dele, até 1998, os salários eram irrisórios e passavam por intermináveis atrasos. Ou seja, não há como comparar. Depois, no governo de Alcides Rodrigues, o final melancólico deixou como herança para 2011, mais uma vez, compromissos salariais atrasados e o adiamento por quatro anos de reposição da chamada data-base. O governo atualizou novamente o pagamento dos servidores, e tem quitado a data-base, embora de maneira parcelada. Mais uma vez, não há parâmetros para comparar o tratamento recebido pelos servidores no governo imediatamente anterior com o que se vê atualmente.
É exatamente nessa comparação, ou a falta dela em relação aos outros governos, onde se registra um certo desconforto entre os servidores e a administração. Marconi está sendo comparado com o próprio Marconi. Se antes ele concedeu aumentos que recuperaram historicamente os salários aviltantes de tempos passados, o que mudou? Mudou o patamar. Antes, servidores com salários abaixo do mínimo recebiam complementações. Hoje isso não existe mais. A imensa defasagem, que sempre existiu, diminuiu a níveis muitas vezes menor.
Se o quadro geral da pesquisa Fortiori em todo o Estado é favorável ao governador, em Goiânia e em Aparecida de Goiânia registra-se um descompasso. Os oposicionistas se animam exatamente por causa desses índices menos positivos para Marconi. Mas Gean Carvalho, do Fortiori, discorda: ¨O que se tem é o mesmo que se tinha em 2010, quando Marconi perdeu em Goiânia e em Aparecida. Isso não o impediu de vencer o primeiro turno com 10% e o segundo com 6%. Nada mudou nesse sentido.”
Marconi é favorito? Não, não é. É certo que, na pior das hipóteses, nenhum oposicionista tem a coragem de dizer que se as eleições forem definidas em dois turnos, uma das vagas não será dele. Então, para quem foi considerado nocauteado, Marconi não apenas voltou ao jogo. Ele pode vencer. De novo.