Vinhos: de qual país é melhor?

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 Inúmeras vezes, amigos e amigas me falam sobre vinhos deste ou daquele país, e se dizem satisfeitos. E é isso mesmo: vinhos bons, honestos, bem preparados e com uvas no ponto certo existem em todos os lugares. Não sei dizer exatamente de quantas nacionalidades diferentes já bebi vinhos. Sei que foi um montão. Gosto de experimentar, tentar descobrir o eixo da escola de viticultura de cada região. Mas se não sei precisar de quantos países já bebi, garanto que ainda falta um punhado maior ainda.

 

Chileno, um dos mais vendidos no Brasil. Para iniciar, vale

Chileno, um dos mais vendidos no Brasil. Para iniciar, vale

No Brasil, os consumidores esporádicos, que dizem gostar de vinhos, mas bebem regularmente cerveja, falam maravilhas dos chilenos básicos e dos argentinos idem. Vá lá, quem não apurou o sabor para os vinhos tem certa razão ao gostar desses vinhos. E não há mal algum em escolher uma garrafa dessas nas prateleiras dos supermercados e colocar no carrinho.

 

Argentino, barato e bastante conhecido. Básico

Argentino, barato e bastante conhecido. Básico

Mas os iniciados viram a cara para os “reservados” chilenos e para as pechinchas portenhas. São vinhos fracos, misturados, quase uma gororoba em comparação com garrafas um pouco superior – tanto em qualidade quanto, óbvio, no preço. Aos amigos e amigas que me falam sobre as tais garrafas reservadas costumo dizer que é melhor comprar uma que custe entre 30 e 50 reais do que três de 17. A quantidade, nesse caso, trabalha contra a qualidade do prazer.

Países – Mas existe algum país que fabrica boas garrafas por preços mais em conta? Bem, a santaiada argentina e chilena, estes últimos com o selo “reservado”, custam baratinho. Em algumas promoções é possível encontrar esses vinhos por pouco mais de 10 pilas. Se você não for exigente, encare-os. No mínimo, servirá como parte do aprendizado. Sim, porque não adianta nada começar a beber vinhos no topo da pirâmide. Sem conhecer o vinho mais fraco, dificilmente vai se reconhecer o de melhor qualidade.

Português, o EA já foi bem mais barato. É um básico honesto para começar

Português, o EA já foi bem mais barato. É um básico honesto para começar

Além desses básicos argentinos e chilenos, o Brasil também produz garrafas de baixo custo. Claro que nessa relação não entram aqueles vinhos por menos de 10 reais, que se encontra aos montes. Eles podem até ser chamados de vinhos, mas são sucos de uva alcoolizados. E o que é pior: alguns são também adocicados. Curuizcredo!

O preço foi lá pra cima, na faixa dos 50 reais. De vez em quando, entra em promoção. Por 30, vira pechincha

O preço foi lá pra cima, na faixa dos 50 reais. De vez em quando, entra em promoção. Por 30, vira pechincha

Então, vinhos entre 15 e 20 e tantos reais feitos na Argentina, Chile e Brasil podem, sim, ser colocados no carrinho. Se você, é claro, ainda não subiu os degraus da degustação. Se forem vinhos portugueses ou espanhóis, fique atento. Geralmente, nessa faixa de preço mínimo, essas garrafas escondem coisas boas no meio de muita porcaria engarrafada.

Um degrau acima do mínimo, na faixa que vai de 30 até 60 pilas, a oferta de vinhos honestos é quase infinita. E aí, entram os portugas e os hispânicos, além dos chilenos e argentinos. E muito cuidado com franceses e italianos nessa faixa.

Mesma uva, Cabernet, do mesmo fabricante americano, Mondavi, e pela metade do preço

Mesma uva, Cabernet, do mesmo fabricante americano, Mondavi, e pela metade do preço

Daí em diante, até 100, 120 pratas, já aparecem os vinhos da França e da Itália com boa qualidade. E os anteriores, chilenos, argentinos, portugueses e espanhóis, claro. Mas ainda assim é sempre necessário pesquisar, trocar informações com outros bebedores e tal. Gastar uma pequena fábula como essa numa garrafa mentirosa é o fim da picada.

Se o vinho leva este nome, ele não será barato, mas quase sempre será muito bom

Se o vinho leva este nome, ele não será barato, mas quase sempre será muito bom

Há outros dois países produtores que estão entrando no mercado brasileiro aos poucos, Uruguai e Estados Unidos. Nosso pequeno vizinho do sul produz os melhores tannat do mundo. Mesmo rótulos básicos, como o Don Pascual, oferecem um certo apelo. E custam uma ninharia. Vale a pena experimentar. Os americanos costumam cobrar muito caro pelos bons vinhos, mas o maior fabricante de lá, Robert Mondavi, consegue fazer vinhos honestos por preços bem mais em conta. Basicamente, eles trabalham com três uvas: Zinfandel, que é chamada de Primitiva, na Itália, Pinot Noir e a Cabernet Sauvignon.

 

Reza a lenda que Pero Vaz de Caminha e Álvares Cabral suportaram até calmaria no meio do Atlântico graças ao Pera Manca...

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Que tal sair de tudo isso aí e beber vinhos da África do Sul? Legal, mas prepare a carteira. Os vinhos bacanas de lá são caros. Os baratos não são tão bons assim. Alguns são péssimos. Quem ainda não conhece os sul-africanos deve ficar atento. É o mesmo que ocorre com os vinhos australianos. Eles fazem algumas garrafas extraordinárias com a Shiraz, mas também cobram caro. E não existe pechincha boa desses dois países. Como também não se acha vinho legal da Nova Zelândia que possa ser comprado sem entregar boa parte da carteira.

Se você precisa contar quanto dinheiro tem na carteira, nem tente comprar uma dessas obras francesas. São vinhos caríssimos

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Custo-benefício – No mundo dos vinhos, o grande achado é encontrar boas garrafas por ótimo preço. E, acredite, apesar das zilhões de ofertas, não é fácil. De qualquer forma, e resumidamente, quem quiser beber vinhos honestos por faixa de preço deve olhar para a origem deles.

Na faixa 1, até 10, 12 pilas, evite todos. Ou use no preparo de alguns pratos. E mesmo assim é preciso ter algum cuidado. Os adocicados não servem nem para isso.

Na faixa 2, acima disso e que vai até 30 paus, os chilenos, argentinos e brasileiros. Mas, não se esqueça, essas opções são para iniciantes. Os iniciados vez ou outra vão encontrar alguma coisa legal, mas geralmente vão torcer a cara quase sempre.

Na faixa 3, entre 30 e poucos e 60 reais, inclua também espanhóis e, principalmente, os portugueses. Os lusitanos conseguem bons vinhos nessa faixa aí. São vinhos mais rústicos, mas deliciosos. Pesquise antes com seus amigos/amigas bebedores para não gastar dinheiro à toa.

O bom gosto não tem idade. Que tal encarar uma bela taça?

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E a faixa 4? Bem, aí o céu começa a ser o limite. Os mais famosos do mundo são os franceses, mas quando são realmente bons eles custam muito caro. A Itália cobra um pouco menos. Espanhóis e portugueses de excelente qualidade cobram menos e, maioria das vezes, oferecem mais ou, no mínimo, a mesma coisa. Alguns poucos chilenos e argentinos também entram nesse timaço de estrelas de baco.

No mais, é beber uma taça de vinho e deixar o prazer dominar a boca. Não há nada igual. Quando começar? Agora mesmo, uai. Vinho não é bebida de velho/velha. É bebida para quem tem bom gosto. E bom gosto não tem idade.