Vinhos: o lado bom da vida não precisa ser ruim para o bolso

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 LinkedIn 0 Filament.io 0 Flares ×

A crise provocada pelo tal ajuste fiscal do governo não está fácil pra ninguém. E pra quem gosta de fazer a vida sorrir um pouco com uma bela taça de vinho, o aumento dos impostos e do dólar complicou demais da conta. Afinal, é claro que os melhores vinhos custam bem acima da média. Se a grana encurta e o preço aumenta, babau. Esse prazer fica quase proibitivo.

Mas nem tudo está completamente perdido, e nem vale a pena deixar o prazer de uma boa taça apesar de todos os pesares. Aliás, já que a crise está brava, melhor é dar um olé na tristeza abrindo uma garrafa legal, sem bagunçar ainda mais a carteira. Sim, existem vinhos bebíveis bem acessíveis. E a crise, de certa forma, empurra os apreciadores de Baco na direção das descobertas, e até na (re)visita aos vinhos da iniciação, aqueles que servem como porta de entrada para o mundo maravilhoso das taças. Acredite: os iniciados vão perceber, com surpresa, que os vinhos baratos/acessíveis até que não fazem tão feio o quanto a gente imagina hoje em dia, após viajar durante anos pelos sabores realmente elaborados – e bem mais caros.

Se o seu caso é de carteira vazia, vale a pena considerar estas garrafas. Se ainda está na fase de experimentação vez ou outra, também. O que não da mesmo é ficar sem vinho.

Porca de MurçaPorca de Murça – Portugal – faixa de 30 reais – É o caçula da casa. Bruto, sem maiores delongas. Muito menos elaborado que o irmão mais velho, o Porca de Murça Reserva. Em compensação, custa uma mixaria diante do que oferece se o padrão de comparação for aquela santaiada chilena “reservada”. Não é difícil de ser encontrado, e geralmente faz parte do plantel básico dos barzinhos e botecos que oferecem alguns rótulos.

ventisqueiro ClássicoVentisqueiro Clássico – Chile – faixa de 25 reais – Há um monte de Ventisqueiros, inclusive quanto às uvas. Essa linha é a de entrada. Qualquer um deles cumpre sua obrigação sem comprometer. O Cabernet Sauvignon dessa bodega costuma ser muito bom, em todas as faixas. Também neste, a básica, não decepciona.

TrapicheTrapiche Vineyards – Argentina – faixa de 25 reais – É do Vale de Mendoza, de onde saem excelentes vinhos argentinos, mas isso não significa que este aqui também é um fora-de-série. A Trapiche é uma das boas bodegas de pechinchas portenha. Como no caso do Ventisqueiro, há uma coleção dessas garrafas, separadas por uva. O Pinot Noir da Trapiche é uma opção legal, mas não espere nada muito elaborado. A proposta dessa família Trapiche é exatamente oferecer um produto honesto por um preço bacana.

10583314Paulo Laureano Premium – Portugal – faixa de 30 reais – A linha premium não é nem um pouco sofisticada. É um vinho absolutamente comum, mas sem que isso signifique pouca qualidade. Também não é raro encontrar essa garrafa nos barzinhos e botecos de Goiânia. Ahh, e vale lembrar que a velha imagem consolidada durante anos pelos vinhos portugueses, rasquentos e pesadões, que davam uma certa travada na língua, é coisa do passado. Hoje, os portugueses básicos seguem a tendência do mundo, com vinhos caprichados, de gosto fácil e imediato.

——————

A lista até 30 reais é realmente bastante restrita. Uma opção é o rótulo Club des Sommeliers, exclusiva das redes Pão de Açúcar e Extra. Chilenos, argentinos e um assemblage tinto brasileiro, da Serra Gaúcha, estão nessa faixa e são bebíveis. A proposta do rótulo é rodar o mundo. Então, além desses três, tem portugueses, franceses, sulafricanos, neozelandeses, italianos e espanhóis. Só que são bem mais caros. E, nesse caso, passam a enfrentar vinhos bem elaborados na mesma faixa de preço. Há duas linhas claramente definidas: rótulos brancos para os básicos e pretos para os superiores. Há uma terceira linha, mas com pouquíssimas opções, e mais cara ainda, a Reserva. As duas redes sempre colocam esses vinhos em promoção, e nesse caso deve-se selecionar logo várias garrafas. No dia a dia, vão bem.