Vinhos, o que não era barato, tornou-se caríssimo: o que fazer?

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A disparada do dólar desencadeou um aumento generalizado nos preços dos produtos importados. De um par de meia ao carrão “made in USA”, as coisas com sotaque estrangeiro tornaram ainda mais seletivos. O mercado dos vinhos foi severamente punido com esse dólar disparado. Uma boa garrafa que custava coisa de 50 reais não sai agora por menos de 60, 65 reais. E como os aumentos de preços aconteceram em todos os setores de consumo, a carteira está bem menos recheada para os prazeres da vida.

carteira vazia

Qual é a saída para os apreciadores de vinhos? Abandonar o gostoso hábito, trocá-lo por alguma bebida mais em conta – que também aumentou – ou se adaptar aos novos tempos? A última alternativa é a melhor. Então, se antes com o dólar mais em conta, o esporte da garimpagem de boas garrafas por preços razoáveis era um dos grandes baratos dos bebedores de vinhos, agora virou regra de sobrevivência.

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Vinho brasileiro? Em momentos como o atual, os vinhos nacionais deveriam passar a figurar naturalmente como bastante competitivos na relação preço-qualidade diante dos importados quase proibitivos. Deveria, mas não é o que está acontecendo. Como tudo aumentou bastante nos primeiros meses deste ano, também os insumos dos produtores subiram, como a água, energia, combustíveis e etc, etc e etc.

Por outro lado, os vinhos nacionais suportáveis para a carteira são quase todos eles insuportavelmente ruins para o paladar. O negócio está ali no meio no termo; vinhos não muito conhecidos, e portanto sem o preço extra da fama, o que é bastante rotineiro neste mundo escarlate. É uma atividade interessante navegar por esses mares de baco nacionais, mas muitas vezes também é frustrante. Vinhos nacionais ainda não se encontram no mesmo patamar dos similares chilenos, argentinos ou uruguaios.

Assemblage tinto

Mas recentemente tive uma surpresa bastante legal para o dia a dia na coleção Club des Sommeliers, da rede Pão de Açúcar/Extra. Trata-se do Assemblage tinto. O preço em dias normais é de apenas R$ 16,90. Nas promoções, que são rotineiras, da pra estocar a adega com garrafas desse vinhozinho tupiniquim por inacreditáveis R$ 12,90. É uma bela pechincha. Mas não espere um vinhaço, daqueles que se eternizam na memória gustativa. Nem pelos aromas e nem pelo sabor. É apenas uma opção para não abandonar de vez a festa, e nem o clima de boa vida, por causa da carteira esvaziada.

Pelo menos, esse Assemblage tinto do Club des Sommeliers é um vinho com gosto de vinho, e não um suco alcoolizado e adocicado como muitos outros de boa fama, e alto preço, fabricados no Brasil. Mas atenção e cuidado na hora de colocar essa garrafa no carrinho. Existem outros dois tipos, um tinto suave, ou seja açucarado, e um branco. O suave, obviamente, não levaria pra casa nem para dar de presente a um amigo. Poderia até experimentar o branco, mas sou bebedor do time dos tintos secos. Talvez ainda compre uma garrafa desse tipo aí para sentir qual é a desse branquelo.

Don Pacual Tannat

Mais dicas? Está complicado. Cada vez mais complicado. Vez ou outra é possível encontrar uruguaios bebíveis, feitos com uva tannat, na faixa de 20 e poucos reais. Los hermanitos do Plata conseguiram domar os taninos exuberantes dessa uva e extraem vinhos excelentes. Os ótimos, fora-de-série, subiram tanto quanto todos os demais. A linha mais popular do Uruguai é o Don Pascual, e pode ser encontrada em algumas importadoras (nenhuma em Goiânia) e na rede Carrefour. Também entra na lista dos preços em conta. Os tannat com carnes assadas ou churrasco vão sempre muito bem e, nesses casos, o Don não compromete o conjunto.

Já me arrisquei com os portugueses mais baratos, mas quase sempre o resultado é desastroso. São vinhos mal preparados. Também os chilenos que tenham no rótulo “reservado” devem ser evitados a qualquer custo. São umas bombas engarrafadas. Muito cuidado também com os argentinos que parecem ótimos e que custam muito barato. Geralmente, são praticamente intragáveis.

taça de vinho

Enfim, é possível, e não apenas possível, mas obrigatório,  migrar para as garrafas mais em conta para manter o prazer em alta. O que não pode mesmo é deixar a taça vazia pra acumular poeira e ocupar espaço no armário. Até porque, com uma taça de vinho na mão, até essa crise excomungada por ser esquecida por algumas horas. Um brinde a isso.