Vinhos para momentos especiais

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Quanto custa um vinho daqueles que fazem a lembrança se fixar durante alguns dias? Não é tão barato assim, mas é possível encontrar vinhos muito bons que custam menos de 100 reais. É um valor que escapa decisivamente da possibilidade de consumo rotineiro. São vinhos, portanto, que devem ser abertos em momentos especiais. Ou até por pura diversão, se for o caso. De uma forma ou de outra, sempre haverá ótimos motivos para beber um vinho de qualidade.

Algumas dicas

Se a intenção é beber mais de uma garrafa, o ideal é fazer uma viagem entre eles, numa escala crescente. Exatamente o oposto do que acontece com a cerveja, não é mesmo? A primeira garrafa de ceva é sempre a mais gelada (véu de noiva é exagero, mas tem zilhões de apreciadores no Brasil) e da melhor marca. Lá pelas tantas, as garrafas de cerveja chegam à mesa um pouco menos geladas e até de marcas alternativas.

Com vinho não há como se fazer isso. Neste mundo, não vale a quantidade. O vinho é para ser percebido antes de ser simplesmente bebido. É comum alguns bebedores de vinho ficarem vários minutos com a taça sem bebericar nada. E, ao beber, ainda olham para o líquido e o cheiram antes de levá-lo à boca. ¨Frescura¨, costumam dizer aqueles que não bebem vinhos. Pode parecer frescura a olhos pouco ou nada acostumados com este mundo, mas faz parte do ritual dos sentidos que um vinho exige para ser apreciado. Cheiro, visual, cores, brilhos, a dança do líquido dentro das taças… tudo compõe o momento inigualável de se beber um vinho.

E qual seria a quantidade ideal de garrafas para uma boa noite ou um bom momento? É claro que isso varia de pessoa para pessoa, mas entre bebedores mais rotineiros a média de 1 garrafa e meia por pessoa é suficiente para horas e horas inigualáveis. Normalmente, basta uma garrafa por pessoa, mas convém calcular o estoque da noite com essa ¨sobra¨. Mais do que isso começa-se a invadir o bad mundo da bebedeira pura e simples. Vinhos não merecem isso.

Roda de Amigos

Homens suportam maiores doses de álcool do que mulheres, embora existam algumas que bebem e resistem bem mais do que os companheiros. Estou falando, portanto, da média: mais homens, maior o consumo.

Numa roda com quatro homens, calcule a média máxima de 1 garrafa e meia. Ou seja, 6 garrafas. Mas o consumo deve ficar mesmo entre 4 e 5 garrafas. Se a roda for feminina, 2/3 de garrafa per cápita, no máximo 1 garrafa. Como estoque extra, mais uma. E isso é para varar a noite toda no meio de muita prosa, alto astral e comidinhas. Se a roda é mista, com homens e mulheres, basta calcular entre as duas fórmulas.

Mas, e os vinhos?

Opa, estamos quase chegando a eles, os vinhos. Perceba que o enfoque são os momentos especiais ou as noites maravilhosas. Então, as dicas tem custos mais elevados do que encontros casuais do dia a dia.

Alguns bebedores preferem variar rótulos. Outros, apostam em várias garrafas de um único vinho. Nem a safra muda. Estou no primeiro time, da variação. Adoro perceber as surpresas que cada rótulo apresenta. Mas também é fantástico manter o pique de uma só marca a noite toda. Os defensores do vinho único garantem que isso prolonga o prazer inicial até a última gota da última garrafa. Ahh, e nunca se esquecer da água mineral. Os vinhos exigem que os sabores residuais da boca sejam sempre segregados antes de cada gole. Água serve para isso, e também para hidratar naturalmente.

Enfim, os vinhos (especiais, até 100 reais)

Cateninha Malbec

Catena Malbec é um dos vinhos mais vendidos da Argentina. Tem a assinatura de Catena Zapata, o mais premiado fabricante do Vale de Mendoza e autor de alguns dos vinhos argentinos mais badalados do mundo. Este Catena quando foi lançado recebeu 91 pontos de Robert Parker, o americano que classifica vinhos de todos os lugares – cotação entre 50 e 100 pontos). Era bem mais barato, mas agora subiu para a faixa de 75 reais, o que o colocou numa faixa extremamente competitiva, inclusive com os vinhos do Velho Mundo.

DV catena malbec 06

DV Catena Malbec-Malbec é da mesma casa, custa perto dos 100 reais, mas é muuuito superior do Cateninha anterior. São vários rótulos DV, cada um com uma composição. O mais cobiçado, e mais caro ainda, é o Cabernet-Cabernet. E tem Malbec-Cabernet, Syraz e suas misturas. Mas por que Malbec-Malbec quando o usual é citar apenas uma vez a uva? O DV utiliza sempre dois vinhedos distintos, cada um deles em determinada altura em relação ao nível do mar. Um charme a mais do velho Zapata com um resultado muito bom.

Tikal - Patriota 2011

Tikal Patriota. Antes de deixar a terra dos nossos hermanos de Mendoza, vai esta dica. A Tikal é de um dos filhos de Catena Zapata (a família inteira trabalha com vinhos), Ernesto. Já estive alguns minutos com ele duas vezes, em degustações em Brasília e em São Paulo. É ¨doidão¨ de tudo, ótimo sujeito, e um grande fabricante. Seu vinho mais famoso não é este, o Patriota, mas o Alma Negra. Tinha esse nome porque sua composição era um mistério. Hoje, já se sabe com quais uvas ele é feito. O Tikal Patriota anda na faixa dos 75 reais. Vale cada centavo.

cartuxa

Cartuxa Colheita é um dos bons vinhos portugueses com larga faixa de consumo. Já foi bem mais em conta, mas hoje beira os 100 reais. Uma pena ter aumentado tanto (era 60 pilas há alguns anos). É bem conhecido e admirado. O melhor da casa também está nessa foto. Repare embaixo a separação entre eles: Reserva e Colheita. O Reserva é sensacional, mas o preço dispara para quase 150 reais. De vez em quando é possível encontrar tanto um quanto o outro em promoções. É um esforço financeiro que vale a pena.

Robert Mondavi - Pinot

Robert Mondavi Pinot Noir é o mais barato desta lista, e nem por isso deve ser desprezado. Bastante comum nas lojas de Goiânia, e é possível encontra-lo a 60 reais até numa rede de supermercados. Recentemente, numa promoção de loja especializada no setor Oeste, tipo leve 3 pague 2, cada garrafa saiu por 39 reais, uma belíssima pechincha. Pena que acabou a mamata. É vinho que, com esse custo, vale a pena beber a noite toda. O mais famoso entre os Mondavi é o Zinfandel, também conhecida como Primitivo. Também é um bom Mondavi, mas prefiro o Pinot. Aliás, essa é quase sempre a minha uva preferida.

Milcampos

Milcampos Viñas Velhas Tempranillo Que tal um vinho espanhol, da famosa Ribera del Duero, com 94 pontos Parker por menos de 60 reais? Ótimo, né. Então é este aqui, o Milcampos. É, disparado, um dos melhores custo-benefício do mundo. Numa análise rigorosa, talvez a maioria dos bebedores não entregue os tais 94 pontos RP, mas não ficaria longe disso de forma alguma. Também é encontrado em Goiânia, mas o preço vai pra faixa próxima dos 70 reais.

Besllum

Celler Besllum também é espanhol. Recebeu 93 pontos Parker e o preço vai para quase 80 reais. Acho que ele é melhor que o Milcampos, mas pode ser somente uma impressão pessoal. No custo-benefício, aí, sim, perde longe do anterior. Tem uma inusitada mistura de uvas, grenache e cariñena. Também é encontrado em Goiânia, embora não seja comum.

Sino da Romaneira

Sino da Romaneira é o segundo vinho da Quinta da Romaneira. É feito com quatro uvas diferentes: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Cão. O Quinta é um vinho fora do comum, mas o preço também é muito elevado. Então, o Sino faz as honras da casa por menos de 60 reais. A safra é 2008, mas sem preocupações. Tá inteiraço. Não é comum encontrar esses vinhos por aí, mas há uma importadora facilmente encontrada na internet que entrega em todo o Brasil. Entre o Sino e o Cartuxa Colheira, fique com o Sino, bem mais barato e tão bom ou melhor que o outro.